sábado, 3 de setembro de 2011

Hoje,

Amesterdão acordou com sol e um calor agradável.

Estive com a Ivone - amiga do meu pai, que vive cá há muitos anos - e ela foi mostrar-me Amesterdão.

Fomos ao estádio olímpico, à red light district, a sex-shops, a lojas temáticas, a um mercado de rua (cujo nome não me lembro), à estação de comboios, passeámos, e acabámos a tarde num café simpático a beber uma coca-cola e a comer pão com alface e salmão fumado (também não me lembro do nome, mas era bem bom).

A Ivone deu-me imensas dicas úteis e falou-me um pouco da história de Amesterdão, o que me lembrou de que tenho que escrever um post sobre isso, mas tenho de me informar e pesquisar melhor.

Deixo aqui algumas fotos deste dia quente e divertido :)




















(apetecia-me comprar a loja toda, adoro coisas originais e fofinhas, lol)







 onde as "meninas" se mostram















"vermelho" (loja que só vendia coisas vermelhas)


preservativos originais (na foto não dá para perceber bem)




queria tanto ter uma coisa destas, adoro coisas retro!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O fiasco.

Ontem à noite aproveitei que não fui sair (para fora do campus), nem tinha nada de importante para fazer hoje, para pôr as horas de sono em dia. Afinal, ainda tinha para compensar aquela directa que fiz de dia 21 para 22, dia em que vim para cá e que obviamente não dormi, nem no avião, fiz uma directa completa. Depois disso não tive oportunidade de pôr o sono em dia, dormi 7, 8 horas por noite, muitas vezes só 5 ou 6, mas esta noite foi mesmo a mais tranquila, a mais longa. Acordei uma nova pessoa.

Acordando descansada e relaxada, resolvi ir passear na minha bicicleta, a ouvir Yann Tiersen. Para praticar, ouvir música, fazer um pouco de exercício, e passear. Aproveitei para tratar de uns assuntos, passei pelo banco, precisava ir lá tratar de umas coisas da minha conta bancária de Holanda, e pelo centro comercial, para comprar umas coisas que precisava também. Tudo muito bem, lá vou eu toda contente, zero quedas, alguns desequilíbrios de vez em quando, mas normal para quem aprendeu no dia anterior a andar de bicicleta, ía sendo atropelada por uma mota numa rotunda - mas isso são pormenores, lol - e lá "estacionei" a bike, coloquei o lock e fui à minha vida.

E não é que, quando volto para a bicicleta, e ía para tirar o "lock", reparo que me ESQUECI DA CHAVE???!!! Porque tinha mudado de mala. Ok, agora vocês perguntam, "então como é que destrancaste a bicicleta quando saíste de casa?". Bom, o lock está estragado. Aquilo dá a impressão que está trancado, mas na verdade não está. Se puxar com um pouco de força. destranca. Até mesmo com um gancho do cabelo eu conseguia abrir o lock. Mas, claro, ninguém precisava de saber disso, até eu comprar um lock novo. Pela primeira vez, hoje, o lock funcionou. É que funcionou mesmo. Trancou-se bem trancado, e eu com ganchos, com as chaves de casa, tudo o que tinha na mala espalhado à minha volta e eu à procura da chave, as pessoas a achar que eu estava a tentar roubar uma bicicleta (ninguém me disse nada, mas de certeza que pensaram) xD

Disse umas quantas asneiras em português para mim mesma, fiquei irritada, mas depois pensei "bom, não vale a pena chorar sobre leite derramado, let's focus on the solution". Claro que a solução é óbvia, tive de deixar a bicicleta lá, e voltar a casa A PÉ - porque entretanto não me apetecia comprar o bilhete para o tram (uma espécie de "eléctrico moderno", tipo aqueles amarelos de Lisboa), só por causa de umas estações, e porque me estava a sentir mal por ir sem pagar - e buscar a chave do lock. Quando cheguei lá toda eu era suor - a pé é ainda é um esticãozinho, e ainda por cima hoje fez calor, quer dizer, tem sempre feito um frio do caraças com chuva e ventos fortes, e hoje fez calor e um sol de chapa que não se podia, tinha de ser hoje que isto tinha de me acontecer - e estava completamente exausta, portanto na volta, para ir buscar a bicicleta, já fui de tram. Pelo sim pelo não comprei um lock novo à mesma, sei que este funciona sempre, e não só quando lhe apetece xD

Voltei para casa, de bicicleta, entretanto nisto tudo estou completamente estoirada. E hoje supostamente vou para uma discoteca de música electrónica. Ou seja, eu descansei na noite anterior de propósito para hoje estar com mais energia, e acontece-me isto. É que foram 3 ou 4 horas para trás e para a frente. Ufffff. A única vantagem da bicicleta face a andar a pé é que é bem mais rápido, porque o grau de cansaço que causa é o mesmo. Ainda me doem as pernas, o rabo e as mãos, de ter andado de bicicleta o dia todo de ontem.

Que se passa comigo e com o meu cérebro? Esta vida de Amesterdão e de Erasmus está a matar-me o cérebro. Duas semanas para adaptação, ambientação e diversão, sem qualquer rotina, a ir onde o vento (e quanto vento!) me levava, está na hora de começar a entrar nos carris, 2ª feira começo as aulas e ainda nem sei os horários, as salas, nada de nada, porque ainda não tive paciência para ver (e isso não é nada, nada meu, eu sou sempre super organizada).

Bom, com os erros se aprendem, e eu vou aprendendo sempre mais um pouco, todos os dias. A lição de hoje é simples, directa, pouco complexa, fácil de aprender: verificar sempre se tenho a chave do lock da bicicleta xD

You never get bored in Amsterdam II (aviso: este post pode estar (muito) confuso).

Hoje escrevi na minha página do facebook:

"Eu queria escrever hoje, no meu estado do facebook, que finalmente aprendi a andar de bicicleta. Mas depois de todo este dia, destas 15 horas que passei fora de casa, tenho tanto mais para dizer, que nem vale a pena. :)".

Desde aprender a andar de bicicleta em 45 minutos - sim! todo o mundo me dizia que era humanamente impossível aprender a andar de bicicleta num dia, quanto mais em 45 minutos... diziam que tinham levado dias para aprender, fizeram apostas... mas eu simplesmente "put my mind into it" e acreditei mesmo que conseguia, epa acreditei e pronto, meti na cabeça que queria aprender a andar numa hora, no máximo, e que essa hora tinha de ser hoje, e foi. Foi!! (se há qualidade que tenho é mesmo a determinação, não desisto enquanto não chego lá, se for algo que quero mesmo). Aprendi num pequeno parque, a dar voltas durante 45 minutos, e depois fomos para Amesterdão (sim, Amesterdão, onde o trânsito de bicicletas é caótico e onde se pode ser atropelado por uma bicicleta), andámos às voltas, tipo uma "bike tour"... no fim o meu "instrutor" (espectáculo, sempre cheio de paciência para mim, paciência que é precisa para ensinar alguém a fazer algo pela primeira vez, paciência que nem todo o mundo tem, nem eu, mas que ele tinha) disse-me que era, na verdade, uma loucura uma pessoa aprender a andar de bicicleta em 45 minutos e logo a seguir ir para uma cidade como Amesterdão e que, no total, tínhamos andado cerca de 20 km; disse-me que não tinha dito nada, porque isso ia limitar-me, se eu não soubesse, seria "normal" para mim. E realmente, ele tinha razão, se eu soubesse que o centro de Amesterdão era um local louco para andar de bicicleta pela primeira vez e que íamos andar 20 km, eu teria sentido muito mais dificuldade. Foi um jogo psicológico interessante. Mas adorei, amei, andar de bicicleta, apesar de ter sido extremamente cansativo para mim (ter andado tanto de bicicleta logo no primeiro dia em que aprendi), apesar do suor, das quedas e das quase-quedas, e de tudo isso, senti um "rush", uma adrenalina, andava toda entusiasmada a dizer às pessoas "isto é tão entusiasmante, tão excitante", ninguém percebia porque eles já sabem andar de bicicleta desde os 5 anos de idade, já não sabem como é, aquela sensação de se conseguir fazer algo pela primeira vez, sozinho, algo diferente. Nem sei explicar. Só sei que adorei. Apesar de me estar a doer o rabo, mas pronto xD A sério, só o facto de ter conseguido finalmente aprender já me fez ter aquele sentimento de "accomplishment". Todo o mundo ficou "amazed" em como eu tinha conseguido aprender em 45 minutos, como é que ao fim de 45 minutos com o Nils (amigo que me ensinou) a correr atrás de mim e a segurar na bicicleta, ele já conseguia largar a bicicleta e eu andar sozinha sem cair, e que devíamos fazer um tutorial no youtube, qualquer coisa como "como aprender a andar de bicicleta, para totós, em 45 minutos". Mas eu consegui aprender em 45 minutos porque eu acreditei que era possível. Não vejo nada de impossível nisso. Oh meu deus, este texto está tão confuso. Como a minha cabeça! Mas the point is: eu ía escrever isso - o meu maior accomplishment do dia - no facebook e aqui no blogue, mas depois disso aconteceu tanta coisa, que isso parece, diria até, pequeno.

E agora, um grave erro de escrita, pelo qual peço desculpa, mas entusiasmei-me ali no parágrafo em cima, e não estou com paciência para corrigi-lo, e o erro é, eu comecei o parágrafo acima do "desde", e agora vou dar continuidade ao que queria dizer em primeiro lugar, 2 parágrafos abaixo:

Desde aprender a andar de bicicleta em 45 minutos (...) à queda que dei nos arbustos (mas foi a única, juro!), a um dia super divertido em Amesterdão, a comprar uma garrafa de água de 3€, a sentar na relva molhada e ter calças cremes e ficar com elas cheia de lama, às conversas, às piadas, às private jokes, ao voltar ao campus literalmente moída e dizer para mim mesma "esta noite não vou sair, esta noite não vou sair, esta noite não posso sair, quero tomar banho e dormir 12 horas, quero descansar" mas afinal ir porque era a festa de anos da Alex, ao lembrar-me de qualquer coisa como um "oops, tinha outro jantar combinado e esqueci-me completamente", às crises e ataques de riso até chorar e até doer a barriga.

Este dia foi um dos dias mais divertidos e "fulfilling" que eu tive aqui. A sério. Só estando numa experiência como esta é que se entende a real intensidade do que se vive; só este dia pareceu-me ser uma semana. Tudo passa tão rápido, e é tão tudo e tão tão ao mesmo tempo, por vezes é difícil assimilar.

E para acabar, o Rafael (grande amigo) deu-me, ainda em Portugal, uma caixinha cheia de pequenos cartões com frases, uma por cada dia que eu cá estiver, para ler uma por dia. Como os cartões são menos do que os dias que cá vou estar, eu só comecei a lê-los hoje, e vou deixando as frases aqui no blogue. Hoje deixo a primeira:

"Viver é consumir-se de amor, dialogar, perder-se nos outros. A vida é a interpenetração total das almas e das inteligências".

Só tenho a dizer, em relação a isto: sim! perder-me nos outros, perder-me nisto, perder-me em Amesterdão... Heaven, I'm in heaven.

(algumas fotos de ontem, hoje, e outros dias)












quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Compras.



Ok, para além de aprender a cozinhar, também tive de aprender a fazer compras. A escolher o supermercado certo - relação preço/qualidade/distância - a escolher os produtos certos, a fazer um orçamento, uma ementa... etc. (algo que nunca fazia).

Fazer compras é mais complicado do que eu pensava. Em Lisboa, a minha mãe fazia-o ou sempre que eu ía às compras com ela, dizia o que queria, não ligava a preços nem a nada disso, simplesmente metia no carrinho... lol.

Aqui é diferente, e tenho de ter mais cuidado. Estou on my own e tenho de fazer o dinheiro render o máximo possível. Ainda estou a viver das reservas que tinha poupado - nos dois anos anteriores, em diversos trabalhinhos que tive - e quero evitar ao máximo aquele dia em que terei de ligar aos meus pais a pedir dinheiro. Além disso, em Amesterdão há coisas mais interessantes para gastar o dinheiro do que em comida cara xD

Para começar, o que me atrofia mais é mesmo os rótulos estarem em holandês. Já fui umas 2 ou 3 vezes ao supermercado e algumas coisas já decorei, mas na maioria das vezes ainda tenho de pedir a alguém que me traduza as coisas e geralmente essa pessoa acaba sempre por fazer as compras por mim xD é o que dá os holandeses serem assim tão acessíveis e simpáticos. Eu só pergunto como escolher o leite "meio-gordo", como dizer "meio-gordo", e no fim a pessoa acaba por me escolher o leite, os iorgurtes, e os demais lacticínios LOL.

Poupar é a palavra de ordem. Comprar produtos de marca branca (ou da marca do supermercado); preferir, por exemplo, um pacote de esparguete de marca branca de 500 gr a 50 cêntimos do que um de marca de 3 euros e tal. O primeiro pode não ser assim tão bom, mas enfim.

Outra coisa: as coisas doces e não nutritivas, que se come só porque sim, acabaram. Demasiado caras e não trazem nada de bom. Ok, de vez em quando não resisto, lá vou comprar um chocolatinho, um "treat" para mim, mas nada de ter stocks de bolachas e chocolates no quarto, como tinha em Lisboa xD

Outra coisa que não fazia e agora costumo fazer: contas relação-quantidade/preço. Dantes eu apenas olhava para o mais barato, sem olhar para a quantidade. 250 ml de shampoo a 1,69€ é mais caro do que 500 ml a 1,89€, só para dar um exemplo.

No geral, as coisas são muito mais caras aqui do que em Portugal (os sacos no supermercado custam 22 cêntimos cada, e nós ainda nos queixamos que em Portugal são 2 cêntimos cada,lol) - bom, o salário mínimo deles também é de 1500€... Portanto há que aproveitar os descontos, as promoções, e os cupões. Parecendo que não, no fim ainda se paga menos 1/4 do preço total. E 1 euro aqui, 1 euro ali, no fim, faz toda a diferença.

Outra coisa que reparei imenso é que eles não têm coisas como talho ou peixaria. Primeiro, eles não comem peixe, ponto final. O único peixe que há é enlatado. Segundo, a comida para cozinhar - carne - já vem praticamente feita. Cortada, sem pele, sem ossos, quase mastigada...lol. O que é bom para mim, vim parar ao sítio certo. Não me estão bem a ver a preparar peixe nem carne para cozinhar.

Bom, estou a ficar pro nisto. No outro dia fui fazer as "compras para a semana" e só gastei 28 euros. Dá para pequeno-almoço, lanches, snacks, e jantar (geralmente não almoço tipo uma refeição completa, tomo o pequeno almoço quando acordo e depois só janto).

Acho que vou emagrecer imenso, porque não tenho paciência para cozinhar e na maioria das vezes como apenas sopa, mas daquelas que já vêm feitas e é só pôr na panela, lol, e 500 gr daquilo ENCHE MUITO, e a seguir uma peça de fruta; é barato, e enche, e é nutritivo... além disso tenho menos fome aqui, não sei, parece-me que em Portugal tinha sempre fome e estava sempre a comer, e aqui não. Já para não falar que o meu meio de transporte aqui é a bicicleta. Parecendo que não ainda se gastam algumas calorias. Ahahah, vão ver, vou chegar a Lisboa uma top-model xD

Agora fora de brincadeiras. Eu achava que em Lisboa já tinha uma certa independência, só porque tinha de me desenrascar na cozinha (a minha mãe não cozinha, e quando cozinha é mesmo o desastre), porque lavava a minha roupa, limpava o meu quarto, e tal... Mas aqui tenho muito mais. E sinto que estou a crescer nesse sentido. No saber desenrascar-me e ser independente.

Quem disse que Erasmus é só festa??! Ok, também é. Mas o mais importante de tudo é aprender a sobreviver. Se não o fizer, ninguém vai fazer por mim.

You never get bored in Amsterdam.

E eis quando chega a 9ª noite consecutiva a sair à noite em Amesterdão: eu fiquei aborrecida. Estava num bar, mas não me apetecia mais, sai para apanhar um pouco de ar e stive uns 15 minutos em pé qual estátua, quase a adormecer, bored as hell. A pensar "eis que o dia chegou, aborreci-me, estou farta de conversas de circunstância".

E estava. Realmente estava farta de conversas de circunstância. Isto nos primeiros dias é muito giro, conhece-se imensa gente, sai-se todos os dias, sente-se feliz. E sim, a conversa de circunstância, o rir por tudo e por nada, as piadas e as brincadeiras são aquilo que, no fundo, mantém a rede social da maior parte das pessoas. Mas eu sou uma pessoa com conteúdo e, every once in a while, gosto de uma conversa com conteúdo, mais do que simples gossip, este é assim, aquela é assado, este gosta desta, esta faz-se a este.

Parece que o destino veio ter comigo, esta noite.

Quando não podia estar mais aborrecida, eis que comecei uma conversa com alguém assim só por acaso, e acabei a noite no meio do campus, gelada, já sem sentir os meus pés nem pernas, em pé, durante quase uma hora, a ouvir uma das pessoas mais interessantes que conheci até hoje, e a ter uma das conversas mais interessantes que alguma vez tive.

Finalmente, uma conversa com conteúdo.

Por isso, eu digo: you never get bored in Amsterdam. Mesmo naquele momento em que estás bored as hell, há sempre alguém diferente, interessante. Tanto podes ir a uma festa a noite toda, beber e/ou fumar erva e dançar a noite toda até cair, como simplesmente sentar num bar a beber um vinho branco e a conversar, como ficar parada no meio da rua com o frio do caraças mas não te importas, porque a conversa está a ser tão interessante e tu nem acreditas que acabaste de conhecer uma das pessoas mais sensatas e com sabedoria que alguma vez conheceste e/ou vais conhecer.

É por isto. É isto. Mesmo. Hoje, cresci mais um bocadinho. Enquanto pessoa. :)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Duas palavras/expressões importantes:

1 - "borrel", significa "beber" em holandês, e é também o nome de uma festa tradicional;

2 - "pre-drinking", significa adiantar o trabalho em casa, para se gastar menos dinheiro no "borrel!".

O meu inglês.

Sei que tenho escrito sempre em português aqui e não tenho traduzido a maior parte das coisas. Ao início pensei que ía traduzir, mas depois pensei que era melhor não. Primeiro, não tenho grande paciência. Segundo, o que escrevo aqui é para mostrar a Portugal como é fazer erasmus em Amesterdão (altamente recomendado). Terceiro, se quiser falar mal ou desabafar acerca de alguém que não entenda português, posso fazê-lo à vontade xD (a menos que a pessoa vá pôr no google translate, mas não me parece).

Além disso, e a principal razão, é que eu estou todo o tempo a falar inglês. Há mais uns 6 ou 7 portugueses aqui, mas não os vejo muito. No meu grupo é tudo à base de USA, Itália, Grécia... Aqui no blogue e quando falo no facebook com os meus amigos de Portugal, ou ao telefone com os meus pais, são as únicas oportunidades que tenho para falar português, e eu não quero perder este contacto com "home". Se bem que o meu cérebro já está em "english-mode", às vezes começo a falar inglês mesmo, só depois faço o switch, "hey, espera, estou a falar com o meu pai". xD

A minha pronúncia está muito, mas muito, melhor. Já em Portugal eu era boa a inglês, mas só a ler e a escrever, e a entender os outros. O falar era sempre um problema, não tinha prática. Mas aqui, com uma semana apenas, por vezes ao ouvir-me a mim mesma, eu penso "bolas, o meu inglês está mesmo bom". xD

A Corie, americana, diz que o meu inglês está quase perfeito, ela não diria que eu era portuguesa, que tenho accent americano (não britânico). Em geral, as pessoas ficam surpreendidas como é que eu, de Portugal, falo tão bem inglês. Tento explicar sempre que, ao contrário de países como Espanha, França e Itália, nós não dobramos os filmes nem as séries. Ouvimos tudo em inglês, colocamos legendas. Ou seja, acabamos sempre por ouvir o inglês, quer queiramos quer não, sempre fica qualquer coisa.

Dou por mim a utilizar expressões extremamente americanas, como "in a few", "what's up", "what are you up for today", e nas msgs já sei os diminutivos, "sth" para "something", "r" para "are", "u" para "you", "2" para "to". Sempre que me sai uma expressão dessas, a Corie diz, com aquele ar americano muito surpreendido "oh my goood, that's soooo americannn" xD

Que máximo.

Daytime vs. Nightlife in Amsterdam.

Aqui durante o dia, devo dizer, é mais calmo do que eu pensava. Eu tinha aquela ideia pré-concebida de que erasmus é estar 24/7 em festa, sempre wasted, e que dormir seria um desperdício de tempo. E até pensava que, se fosse assim, não ia aguentar o ritmo. Sou uma pessoa de rotinas e gosto de ter o meu espaço e tempo, só para mim, para descansar, organizar-me... (se não for assim fico miserável, lol). Também acho que tudo o que é demais cansa, e "partying" não é excepção. Tinha essa ideia, nem sei porquê - no geral tinha muitas ideias pré-concebidas e erradas acerca do erasmus - mas aqui não é nada assim. Durante o dia as pessoas são super calmas. Como se costuma dizer, "nothing's going on". Quando nos encontramos todos à noite e perguntamos uns aos outros o que andámos a fazer, todo o mundo diz "nada de especial", "tive a dormir", "limpei o quarto", "fui à universidade", "estava com preguiça", "estava a chover". É fixe. Eu gosto mais assim. Ter uma rotina responsável durante o dia, dormir o meu tempo, descansar, tratar de assuntos importantes, ir às compras, etc., e à noite sairPlus, também reparei que as pessoas aqui, mesmo as exchange students, são super "focus" nos estudos. Dizem que têm que estudar, que querem passar, que bla bla bla. OK, eu também penso dessa forma, não me entendam mal. Obviamente que esta experiência não é só por diversão ou por experimentar coisas novas, é também para evoluir no sentido académico. Mas só agora me começou a dar o "click" de que realmente vou ter de estudar bastante. Quer dizer, quando vim para aqui tinha isso "in the back of my mind", mas estava mais focused em toda a experiência pessoal que eu ía retirar daqui. Quase nunca pensava na académica xD A primeira semana foi, obviamente, louca, quer de dia quer de noite. Agora que já tudo acalmou mais e que as aulas estão quase a começar (oh não), estou a ficar mais "focused".

Em relação à noite, aqui é muito diferente da de Portugal. Primeiro, todas as noites se sai (pelo menos agora, não sei como vai ser quando as aulas começarem). Agora que escrevo isto é que reparo que saí todas as noites desde que cá estou, é algo tão natural aqui (digo isto porque em Lisboa eu sou muito mais caseira, prefiro 1000 vezes ter amigos em casa do que ir para uma discoteca, mas aqui gosto mais de sair). A noite começa por volta das 22h (eles jantam às 18h), e acaba por volta das 3h. É cedo, em Portugal a noite só começa às 00h e acaba às 5h. Mas aquelas 5 horas das 22h às 3h são muito mais intensas aqui do que em Lisboa. Eu chego às 3h e digo mesmo, já estou acabada, destruída, enquando que em Lisboa, eu conseguia ficar até às 5h, 6h, sem problema. Ainda não fui a muitas discotecas, porque costumamos fazer festas no nosso "green building", ou encontrarmo-nos todos no "Café Uilenstede", a única a que fui foi à Melkweg, que é uma porcaria, e a um pub chamado "candela", que também não era grande coisa. Noite "à bairro alto", do género ficar na rua a conversar, é impossível, porque está sempre, constantemente, twenty-four/seven, a chover. Fuma-se erva em qualquer sítio na rua, mas não se pode beber na rua, o que é estranho para mim, em Lisboa pode-se beber na rua. Há muitos bares que têm uma zona de fumadores, e uma zona para beber, e não se pode beber na zona de fumadores, nem fumar na zona de beber. Ou seja, não se faz as duas coisas ao mesmo tempo. Em geral, até gosto mais da noite aqui. Enquanto que em Lisboa o dia seguinte fica todo estragado, aqui se me deito às 4h acordo às 12h ou 13h e ainda dá para aproveitar o dia, mesmo que chuvoso.

Durante a noite, parece que as pessoas ficam mais atraentes. Dá mais vontade de falar, rir, abraçar, conviver. Tem mais calor humano. As pessoas têm um brilho diferente. A noite é, definitivamente, o melhor período em Amesterdão. Se de dia por vezes me sinto aborrecida e/ou preguiçosa, durante a noite fico enérgica e entusiasmada.

Quanto a esta noite, foi ridiculamente cómica. Dói-me a cara e a barriga de tanto me rir. Tenho a sensação de que esta noite foi, toda ela, gravada para os apanhados... a sério, sem mais comentários.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

O senhor da loja das bicicletas.

Ao início não gostava dele. Para mim não fala nem holandês nem inglês, aquilo é russo. Nunca percebo nada do que ele diz. Depois esquecia-se que eu não sabia falar holandês a cada 3 minutos. Ou seja, sempre que ele falava comigo eu tinha que repetir "I can't understand dutch!". Diz sempre que a bicicleta está "gut", "no problem", eu insisto "mas a bicicleta não anda, os pedais não rodam", e ele continua a dizer "gut", "no problem". Já para não falar que as bicicletas são caríssimas.

Mas no outro dia fui lá e ele foi extremamente simpático comigo. Continuava a dizer "gut", "no problem", "gut bike", mas eu lá insisti insisti e ele lá viu a bicicleta. Realmente, não estava nada gut. A campainha não funcionava. A luz da frente não funcionava. Os pedais (realmente) não rodavam. Também, por uma bicicleta a 55€, que podia eu esperar. Ele arranjou tudo isso e ainda colocou mais ar nos pneus, desceu o "seat" (estava muito alto para mim) e ainda meteu óleo. Eu já estava a pensar "oh meu deus, ele vai cobrar-me uns 30 ou 40 euros". Mas não. No fim - e ele ainda esteve uma meia-hora de roda da minha bicicleta - ele disse que eram só 10 euros. :O

Pronto, fiquei logo a gostar mais dele xD

Aqui fica uma foto da minha bicicleta:


Agora só falta:

- pintá-la de laranja (siiiiim, a minha cor favorita)
- aprender a andar nela! --> e desta semana não passa...

(dizem que andar de bicicleta nunca se esquece, mas eu não acredito. eu lembro-me de andar naquelas bicicletas com 2 rodinhas de lado quando era pequenina e também me lembro de uma vez andar numa normal quando tinha uns 14 anos. no entanto, esqueci-me. completamente. eu subo para cima da bicicleta e não sei, literalmente, o que fazer. quer dizer, sei o que fazer, mas atrofia-me e caio sempre para o lado).

A televisão.

Televisão é algo importante. Não vejo muita aqui, mas trouxe de Portugal o velho hábito de ver televisão até adormecer. E o que se vê aqui? perguntam vocês. Bem, não há muita opção de escolha. Tudo está em holandês, e à hora que eu me deito estão a dar aqueles anúncios sexuais, para as sex lines, em 80% dos canais. Em holandês, claro. Só se percebem os gemidos. Os restantes 20% estão a transmitir tele-vendas. Também tem a MTV internacional, mas só dá porcarias de reality-shows ou músicas comerciais que eu detesto. Tem também a Discovery Channel e o National Geographic, de vez em quando dá documentários interessantes, sobre assuntos que eu gosto, outras vezes só dá coisas que me fazem adormecer. No entanto, ontem fiz uma descoberta emocionante! Por volta das 4h da manhã, num canal que se chama "Central Comedy", dá... OS SIMPSONS! E melhor...  NÃO DOBRADOS! Ou seja, ouve-se mesmo a voz original, ou seja, eu consigo entender. Melhor... é duplo episódio. Claro que eu adormeço sempre a meio. Mas pronto. Se calhar até foi só ontem (só um dia por semana, ou assim), mas hoje vou checkar isso outra vez. Também já apanhei algumas coisas engraçadas como a série "Will & Grace" (que eu adorooo) e o "Dr Phil". Sempre são programas com os quais estou familiarizada e em inglês, ou seja, consigo perceber.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Grand'Itália!

Pois é, diga-se de passagem que cozinhar não é, definitivamente, a minha praia - agora vocês dizem "epa, não sabes cozinhar, não sabes andar de bicicleta... mas tu sabes fazer o quê?". É bem verdade. I'm useless! ahah...

No entanto, aqui estando tenho de cozinhar, qualquer coisa mais para além de ovos e esparguete... eheheh.

Tive a sorte de conhecer a Evelina, o Mattia, o Fabio, o Alex.... Italianos, fartam-se de cozinhar para nós (o "green building"), sempre me facilita o trabalho, pago 2€ das compras e às vezes lavo a loiça a seguir, e tenho boa comida caseira em troca!

Quando tem mesmo mesmo mesmo de ser, sempre que possível peço alguém que cozinha comigo... porque mais do que não gostar de cozinhar, eu não gosto de cozinhar... sozinha.

Os nossos amigos italianos não entendem como eu e a Corie não gostamos de cozinhar, "é a coisa mais simples". Eles dizem que "it's just putting things together". A Corie diz que "I can put things together, but it tastes like shit". Eu não podia concordar mais.




Aprender a cozinhar a bem, ou à força... da sobrevivência!

E vão ver, vou chegar a Portugal feita chef de cozinha!

Adesso mangiamo pasta con pomodori, cipolle e aglio!

The Green Building & The VUlternatives.


O "Green Building", onde vivo, é o melhor. Há festas todas as noites (é famoso por isso), em qualquer andar, nunca falha. Somos um grande grupo neste prédio e geralmente jantamos todos juntos em casa de alguém, depois é só subir ou descer o elevador para estar em qualquer festa. O melhor é que se eu quiser ir a uma festa, é só, lá está, subir o elevador. Se eu quiser descansar, mais uma vez nem preciso descer o prédio, não preciso voltar de transportes ou bicicleta para casa com o risco de me acontecer algo por estar wasted, e no meu quarto não se ouve nadinha do que se passa fora, é óptimo. Consigo dormir com os anjos.


Quando chegámos a Amesterdão tivemos a "welcome week", em que a ESN - Erasmus Student Network - organizou eventos, saídas, festas, etc., para estudantes erasmus (e outros, que vieram fazer mestrado). Mas muitos de nós não estávamos a receber as newsletters e não sabíamos que tínhamos de nos inscrever para esses eventos. Então não nos inscrevíamos, ficávamos sem saber, e quando alguém nos dizia "ah inscreveste-te para isto, isto e aquilo", nós dizíamos sempre que não, nem sabíamos... pelo menos eu dizia. Um dia, a Isabelle colocou no facebook qualquer coisa como "para todos os que não se inscreveram nos ESN Days, venham ter em frente ao local X às X horas" bla bla... lá nos encontrámos todos, fizemos o nosso próprio programa e, segundo o que as pessoas que tinham ido a esses "ESN Days" disseram - que tinha sido uma seca - o nosso foi bem mais divertido. E assim ficou, criámos o grupo, fazemos coisas juntos, é sempre divertido. Todas as pessoas do grupo são 5 estrelas. Adoro!



There's a guy following me around.

Há um rapaz que me anda a seguir. A sério. Como se costuma dizer, "all over me". Na noite em que o conheci senti-me estranha ao pé dele... tem uma energia pesada, nem sei explicar. Mas como ele não me largava, eu dei-lhe o meu número, para ver se ele me deixava ir... qualquer coisa como "olha, tenho de ir, toma lá o meu número". Lol. Big mistake. A partir daí, só me manda msg... eu não respondo, mas ele continua, combina encontros imaginários, do género "let's meet X a X hours"; obviamente que eu não respondo nem vou, e depois ele manda msg a dizer que esteve lá à espera -.-' E por vezes estou eu muito bem, sozinha ou acompanhada, e de repente vejo-o assim a uns metros de distância, a olhar para mim, com um ar completamente assustador. Aparece e desaparece do nada, qual fantasma... Ao início eu até pensei que fosse só eu com a mania da perseguição, mas nããããão! Já todo o mundo reparou que ele me anda a seguir, e gozam comigo, lol... do género "ah, precisamos arranjar-te alguém que te ensine a andar de bicicleta, que vá a correr atrás de ti e depois te largue, como os pais fazem às crianças", e depois alguém diz "olha, podemos pedir àquele que te anda a seguir, ele seguia-te de bom grado, de certeza que não te largava"... depois rimos, rimos, rimos. LOL. É que até tem piada. Mas, a sério, é creepy. Mesmo, mesmo, creepy.

Mais algumas fotos de ontem (Sábado) / Some more photos from yesterday (Saturday)













Nightlife is great, but not pretty to say. :)

domingo, 28 de agosto de 2011

Melkweg.

Dizem que é das melhores e mais conhecidas discotecas de Amesterdão. Eu discordo. Se calhar porque as discotecas de Lisboa são melhores (???), mas a Melkweg sucks mesmo. E foi como disse à Corie: ainda bem que tínhamos entrada livre (festa erasmus), para ver como é. Ainda íamos lá pagar um balúrdio para vermos que era uma porcaria. Assim ficámos a saber com o que podemos contar, sem gastar o dinheiro xD

Mas porque eu achei assim tão mau, perguntam vocês. Bom, para mim, há 2 coisas que definem uma discoteca: a qualidade da música e a qualidade do álcool, mas precisamente, do vinho branco. Devo dizer que o vinho branco era bom. Muito bom. Já a música deixava muito a desejar. Demasiado pop e músicas como "you're my pretty fly, sugar baby", aquela música mesmo velhinha que eu ouvia quando tinha 10 anos de idade.

O ambiente, esse é sempre bom. Mas, sinceramente, eu sempre fui, e aqui não é diferente, mais de ficar a conviver, a beber, a fumar, a conversar, a rir, do que fechada numa discoteca a ouvir "come my lady, come come my lady, you're my butterfly, sugar, baby"! Não sou grande dançarina, quer dizer, se a música for boa e puxar por mim até gosto de dançar, mas prefiro mil vezes conversar, e na discoteca, claro está, não dá para conversar nem conhecer ninguém interessante, sem se ter de se gritar ao ouvido da outra pessoa o meu nome e ficar com dor de ouvido quando se chega àquela parte da conversa em que se pergunta pela idade.