Sempre ouvi dizer que as relações à distância nunca funcionam. Que é um teste grande à relação e que a maioria delas não supera. E que estar em erasmus com namorado/a no país-natal faz-nos perder muita coisa da experiência em si.
Pois que creio profundamente que todo esse cliché pegado foi inventado por alguém que estava numa relação dita "normal", de carácter exclusivo e possessivo, daquele tipo de relação em que está implícito um "temos que falar todos os dias", e um "se me traíres, acabou tudo". Pois que sm, obviamente assim nenhuma relação dura muito. Nem à distância nem por perto. Ponto.
Eu digo, com orgulho: estou a fazer erasmus e tenho namorado em Portugal. And so what? Isso significa que vamos morrer? Que vamos acabar? Que nos vamos trair? Mas porquê esse "mind-set"? Não estou a perder nada, porque não tenho aquela mentalidade de "tenho que ir para casa cedo para falar com o meu namorado". E o melhor é que ele aceita as coisas assim, são assim e pronto, e se ele se sente bem, e eu me sinto bem, assim, então porque não?
Sempre disse que a chave não está em mais nenhum lugar senão na comunicação e sinceridade. Eu sou perfeitamente capaz de lidar com a situação se ele me disser "olha, sinto-me atraída por uma rapariga aqui, estamos numa espécie de flirt", ok provavelmente fico com aquele ciúme e tal, mas nunca diria "traíste-me! acabou tudo!" -.-' Like, really? E sou perfeitamente capaz de lhe dizer a ele "olha, conheci um rapaz muito giro e andamos numa espécie de flirt" e esperar que ele compreenda, porque foi o que ele sempre fez comigo, e porque 6 meses é muito tempo, todos temos as nossas necessidades. E há que saber distinguir entre uma atracção física que não passa disso, de amor ou paixão.
Mas, bom, esta conversa toda porquê? Porque eu mudei o meu estado civil no facebook, para "numa relação aberta com...". 7 horas depois, quando voltei à net, já tinha mensagens e comentários com "??", "??!!", e por aí fora. Imediatamente coloquei um estado no facebook a dizer que não percebia o "big deal" que estavam a fazer disso. Todo o mundo sabe que eu ando com ele, nunca escondi isso de ninguém, e que tenho orgulho no tipo de relação que temos, mencionava sempre que era uma relação liberal e meio-aberta, alertando sempre para o facto de que isso NUNCA significa "fuck around", que é como quem diz, andar com este e aquele, esta e aquela... nada a ver!! O estado do facebook foi só uma questão de eu nem sequer saber que o FB tinha essa opção, encontrei-a por acaso enquanto actualizava a minha informação e perfil (como interesses, etc.). Mas porque todo o mundo tem logo de pensar que "aconteceu algo"?
Na minha opinião, relações abertas não têm que significar deslealdades, infidelidades, menos paixão ou menos amor. Sendo a minha definição de "relação aberta" NÃO "trair a torto e a direito" ou "andar com todos" (mesmo nadaaaaaa a ver com isso), mas sim "comunicação", "aceitação" e "tolerância", digo até mesmo que acho que uma relação aberta previne muita infidelidade. Acho que a infidelidade é atraente por ser um fruto proibido. Mas e se deixar de ser um fruto proibido? Já não parece assim tão apetecível... por isso eu digo: se me sinto atraída por outras pessoas? sim! se cedo à atracção/tentação? Não... e porquê? Porque digo ao meu namorado, "olha, passa-se isto, isto e aquilo" e ele não parte logo para um "isso é traição", "vais-me trair", "não quero que o vejas mais", "não quero que estejas mais com ele". Se ele me disser "Não estejas mais com ele, proibo-te de o veres de novo", então aí é que eu vou querer ainda mais!! Também não vai dizer, com certeza "ok, faz o que quiseres com ele". Talvez diga um "compreendo. de vez em quando também me sinto atraída por outras raparigas". Fica tudo em pratos limpinhos e o "outro" deixa de me apetecer.
Agora, provavelmente, pensam que sou uma "P***" só por isso, que vou andar a fazer o que quero, e isto, e aquilo. Mas porque pensam as pessoas assim?? Sou mais fiel sendo como sou, do que muita gente que se diz estar numa relação e depois... com medo das represálias, fazer "pela calada". Porque sim, a infidelidade é bem mais comum do que pensamos, mas é "escondida". O facto de estar numa relação aberta não me torna mais ou menos vulnerável, isso depende de como estou comigo mesma, e não se estou numa "relação" ou numa "relação aberta" ou "solteira e livre". E eu digo, estou bem comigo mesma, estou bem com ele, e não preciso de me enrolar com este e aquele só porque estou em erasmus ou para me auto-afirmar. Não preciso, pronto. Palavras como "relação" ou "relação aberta" são apenas e só palavras, que não definem, de todo, as minhas acções.
Resumindo e concluíndo. Eu nunca daria um euro por uma relação amorosa que eu tivesse, estando aqui; acharia sempre que eventualmente iria acabar, se essa relação fosse a relação "tradicional", "convencional", "normal". Mas acredito numa relação como a que eu tenho com ele, é diferente das outras, não digo isto por ser minha - porque também temos os nossos problemas, como qualquer outro casal - mas sim porque é mesmo, mesmo, mesmo, uma relação brutal e fantástica e que acredito que sobreviva a isto. Chamem-me de ingénua (que sou, muito) e extremamente emotiva e apaixonada (que também sou). Mas tendo mesmo a acreditar nas coisas quando quero que elas aconteçam - também sou positiva e tenho pensamentos positivos maioritariamente - e geralmente, quando acredito, elas até acontecem :)
Se de vez em quando o coração aperta com saudades? Claro. Se de vez em quando sinto falta da proximidade, do toque, de alguém (sobretudo quando vejo casais aos mimos)? Claro. Mas são coisas com as quais tenho que lidar e que, também elas, me vão ajudar a crescer. Em muitos sentidos.
Se há o risco de me apaixonar aqui? Claro. Mas que é a vida, senão riscos. O facto de eu estar aqui, sozinha (sem família, pelo menos, não falo das amizades que, naturalmente, aqui se criam), em si é um risco. Mas é uma aventura. E é uma experiência única.
E é, finalmente, como o Rafael diz: "Eu começava por abolir a palavra relação com o sentido de contrato que lhe dão e passava a usar a palavra laços, como a raposa e o principezinho. As pessoas devem amar-se umas às outras sem condicionantes que só servem para criar atritos. Viva o amor :D".
O que me interessa a mim é que o amo, do fundo do coração, amo-o, amo-o, amo-o, e digo-o sem medo nenhum, de nada. E nunca me esqueço: I know where my heart is.
Nota: já agora, uma pequena (grande) nota em relação à diferença de mentalidades entre aqui e em Portugal; quando eu falo com alguém, aqui, acerca de relações abertas, eles acham "cool" (não falo de pessoas mesmo holandesas, porque conheço poucas, mas pessoas de outros países); quando eu falo em Portugal, começam logo a julgar. Aiii como detesto Judgmental Minds... Talvez também seja pelo facto de que as pessoas que vêm para aqui ter uma experiência como estas tenham uma mente muito mais aberta (estou mesmo na minha praia, eheheh), mas mesmo assim, noto grande diferença nesse aspecto! Há muito aquela mentalidade de que cada um faz o que quer e "it's ok" se se sentir bem com isso e não magoar outras pessoas. Podes ser o que quiseres ser, do mais "normal" ao mais "alternativo", as pessoas aqui vêm o interior das outras pessoas, e não por "labels" (ser magro ou gordo, gay ou hetero, ter este ou aquele estilo), há um enorme ambiente de aceitação, no mesmo grupo podemos ter as pessoas mais diferentes de tudo e get all along. Na verdade, o que é "normal" por aqui até é visto como sendo "boring" (juro!). O que eu adoro isso!