domingo, 25 de setembro de 2011

Curso de Holandês / Dutch Language Course.

Bem, peço desculpa se ofendo, mas eu não gosto de nada de Holandês. Para mim é o mesmo que alemão (não consigo distinguir), e nunca gostei muito de alemão. É muito arranhado, parece que estão a agredir-se verbalmente uns aos outros. Xiiii! E é complicado até dizer chega. Acho que não há nada mais distante do holandês do que o português - e outras línguas latinas, francês, italiano, espanhol... - e talvez o grego, chinês, por aí. Mas para mim é realmente muitoooo difícil...

Mas já que aqui estou, resolvi aproveitar para aprender o básico... nem que seja a dizer "Olá", "Obrigada" e "chamo-me Cláudia" (para mim isso já é uma conquista, visto que estou no nível "absolute beginners"). 

Então resolvi inscrever-me no curso de holandês. Para além de me darem um certificado, no fim, ainda me dão 3,5 créditos académicos. O que é enganador, 3,5 créditos académicos não é nem uma cadeira inteira (que normalmente é 5 ou 6). Mas pronto.
Bem, continuando. Na primeira semana não pude ir às aulas porque estava com gripe (mas mesmo muito muito forte). Só apareci por lá na 3ª aula e eles já tinham avançado bastante. Mesmo assim, fazendo os trabalhos de casa em atraso lá consegui apanhar. Apesar de sentir que ainda estou para trás porque não tenho estudado literalmente NADA. (Shame on me).

Até estou a achar interessante - apesar de extremamente complicado para mim. Não pela língua em si, que não gosto, mas porque tenho um fascínio por aprender coisas totalmente novas para mim. E sempre adorei aulas de línguas, são dinâmicas, seja qual língua for. O (tentar) ler, baixo e em voz alta, o (tentar) escrever, o decorar uma lista de vocabulário, fechar o livro e tentar escrever o máximo de palavras que me lembrasse (adorooo esse exercício), os verbos. É um constante desafio a mim mesma.

Mas é tão difícil, é tão complicado, irregular... Há quem diga que tem algumas parecenças com o inglês, mas eu nem acho isso :O totalmente diferente e extremamente complicado. A sério, cada sessão (aula) tem 2h30 e eu chego ao fim de 1h30 e já estou cansada, é alto esforço psicológico para mim. Sinto-me burra!!!

Mas vale a pena, e o mais interessante é aquele sentimento de "accomplishment". Foi como aprender a andar de bicicleta. Ao início senti-me um pouco burra, depois de vir de uma aula de Antropologia onde falamos de coisas bastante abstractas, ir para uma aula onde basicamente estou a aprender a dizer o meu nome e a escrever coisas básicas e a conjugar verbos. Mas aquele sentimento, aquele entusiasmo de conseguir escrever uma frase inteira, ainda que básica, "eu chamo-me Cláudia, tenho 20 anos e venho de Lisboa" pela primeira vez sozinha sem recorrer ao verbo conjugado e ao vocabulário, é uma sensação brutal!! Quando consegui fazer isso lembrei-me de um momento muito particular que tive na escola primária, quando aprendi a escrever a mesma frase, em português, sozinha (quando tinha 6 anos e estava a aprender a escrever, lol). Aquele sentimento, aquele momento, juro, voltou, foi um "click" na memória (nunca mais o esqueci, consigo ver-me lá como se tivesse sido hoje), simplesmente veio-me, foi natural, o sentimento foi o mesmíssimo.

E pronto, é assim...

Coisas que eu acho extremamente estranhas em holandês: (1) as horas... é que dizer "half 6" em inglês é diferente de dizer em holandês. Em holandês, "half 6" significa 5 e meia (5h30), pois a lógica é a oposta: se é "meio de 6, é 5 e meia". (2) o facto de eles terem feminino e masculino para os nomes comuns (ex: A cadeirA, O bancO), e ainda terem nomes que são simplesmente neutros; e como não há nenhuma regra geral para nos orientar, temos simplesmente de decorar as palavras que são masculino, feminino e... neutro! (3) algo que me confunde mais que muito... eles têm imensas palavras com "ij": Jij, zij, wij, zij, hij... tudo com a ordem sempre trocada, nunca sei qual é qual, confunde qualquer pessoa. e (4) o "g" lê-se "rr". agora tentem, com isso, dizerem "maandag" (2ª feira); não é "maandag", é "maandarrrrrr", mas um "rrrrr" muiiitoo acentuado... esqueço-me sempre disso. Enfim, acho que o qe achei mais fácil foi mesmo os meses (quase igual a inglês) e os dias da semana...

A única frase que sei dizer de cor, até agora, é: Ik ga sport op mandaag. Significa "na 2ª feira vou fazer desporto" (que mentira tão grande). Isto porque tivemos um exercício que consistia em perguntar "Op welke dag sport jij?", que significa "em que dia vais fazer desporto?" e depois tínhamos de responder, variando o verbo (fazer desporto, estudar, trabalhar...) e o dia da semana. Tínhamos de fazer isto com toda a gente da sala. Acabei por decorar. Agora chego-me ao pé dos amigos holandeses que já fiz aqui orgulhosa e digo "look look, what I already know how to say in dutch" e digo isso. Claro que eles se riem, pareço uma criança de 6 anos, mas é divertido, e é o rir.

No fim deste curso vou tentar escrever aqui um textinho em holandês. Mas não tenham grandes expectativas! Vai ser algo muito, mas mesmo muito básico, e com muita ajuda do google translator e correcções baseadas nos meus apontamentos e naquele livro que era 90€ - mas eu consegui que alguém mo emprestasse (que sorte!).

(post agendado, publicado automaticamente)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

As últimas 24 horas e as próximas 48.

Tive de andar com isto atrás todo o dia de ontem:


Com eléctrodos ligados por todo o corpo (tronco), e a máquina num cinto, à cintura, a medir os meus batimentos cardíacos e respiração. Isto tudo para uma experiência para "Stress&Health". Não podia tirar isso durante 24 horas, e tinha de escrever o que estava a fazer, a cada hora. Isto para mais tarde relacionar a minha actividade (casa, rua, dormir, sozinha, acompanhada, aulas, supermercado...) com os registos dos meus batimentos cardíacos.

Parece muito interessante, interessantíssimo, e ao início foi, até para aí à 3ª hora. Quando os stickers começaram a fazer uma comichão insuportável (daquelas que temos mesmo mesmo que coçar!!! insuportável), e os stickers começaram a sair e no meio da rua (como aconteceu no tram e ficou todo o mundo a olhar para mim), tinha de trocar de sticker porque a máquina só tem uma tolerância de 3 minutos (após esse tempo, a máquina deixa de gravar), e porque a máquina começa a apitar e não se cala enquanto eu não restabelecer conexão. E andar com isto para trás e para a frente?? Ainda por cima foi um dia preenchido... saí de casa às 8h e cheguei às 2/3h... Todo esse tempo (ou quase, porque só fui pôr os stickers às 9h da manhã), com isto atrás, já começava a chatear. E dormir com isto? Nem me podia pôr de barriga para baixo... Quer dizer, poder podia, mas sempre que me quisesse pôr numa posição diferente tinha de acordar para mudar a máquina de posição também, e ter cuidado para os stickers não saírem... Já para não falar que não pude tomar banho ontem à noite!! E não tomar banho antes de ir para a cama à noite sempre me fez impressão.

Ufff, esta manhã acordei cheia de comichão e com uma vontade desgraçada de tomar banho, e eis que quando vou para desligar a máquina (já tinham passado 24 horas, até mais), ela não desliga. Li as instruções (eu, que não tenho paciência nenhuma para ler instruções), tudo direitinho, e aquilo não desligava. E se eu tirasse os eléctrodos, aquilo começava a apitar e não se calava mais. Eu já estava cheia de medo a achar que se tirasse as pilhas, os dados não íam ficar gravados no cartão de memória e lá se iam 24 horas com aquilo à vida... Já estava a ver que não podia tomar banho outra vez e tinha de ir com aquilo atrás para a universidade perguntar o que fazer. Tive de ligar à Alicia toda aflita a perguntar como aquilo se desligava. Ela disse que eu tinha que carregar no botão preto (e eu achava que esse botão era o reset, e que apagava tudo o que estava no cartão, mas felizmente não, ou espero, confio na Alicia!), e depois tirar as pilhas. Ufff!!! Já não era sem tempo... Não posso mais ver aquilo à frente.

Bom, essas foram as minhas últimas 24 horas. Fora tudo o resto, tanto que nem me apetece escrever (demasiado! e não quero que este blogue seja um diário...).

Quanto às próximas 48 horas, nessas o meu destino vai ser este:


 (Bruxelas)

(Brugge)

(Leuven)

Pois é, às 17h apanhamos o comboio e vamos para a Bélgica... eu, a Rose - que mora lá, daí ser a oportunidade perfeita, visitar um país com uma pessoa que é de lá e pode mostrar-nos o melhor - e a Corie. A Alícia vai ter connosco no Sábado.  (só agora ao escrever isto reparei que somos só raparigas. fim-de-semana feminino, uhuhuh).

Estar na Holanda e não ir a Bélgica é como estar em Portugal e não ir a Espanha. Não dá! Estou ansiosa para este fim-de-semana. :)

Portanto, bom fim-de-semana a todos, eu vou só ali à Bélgica e já volto... e prometo voltar com um (ou mais) dos famosos chocolates belgas...

Quando voltar, no Domingo à tarde/noite, vou ter um jantar romeno na "minha" cozinha... nem quero saber o que vai sair dali.
(provavelmente, o blogger vai publicar post's nos próximos dias, que eu agendei).

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O primeiro mês...

... e que bem que estou aqui!!!

Lembro-me da preparação, do medo, do nervosismo e da ansiedade do dia 22 de Agosto de madrugada... tudo em vão! Porque tinha já feito as minhas pesquisas, lido muitooo blogue sobre pessoas que fizeram erasmus, falado com amigos que o fizeram também. A opinião geral era comum: a primeira semana era horrível, a adaptação por vezes é difícil, e as saudades de casa!... Mas para mim, foi totalmente diferente. A adaptação foi 100% concluída ao fim das minhas primeiras horas aqui. Demorei pouco tempo a perceber que não me podia basear nas experiências dos outros. Tinha que construir a minha própria experiência e viver isto à minha maneira. Então, foi o que fiz. Chorei muito no aeroporto, mas assim que pus os pés no aeroporto Schiphol, totalmente sozinha e desamparada, senti-me feliz assim, mesmo sozinha, desamparada, on my own, e com a séria responsabilidade de me desenrascar sozinha. As saudades de casa não bateram até à 3ª semana, ou por aí... E superei-as rápido e bem. Pois. Foi há um mês. Ainda me lembro da primeira noite, depois de passar todo o dia em burocracias e quando finalmente consegui chegar ao meu quarto, arrumar tudo, tomar um banho, jantar e descansar... pensei que tinha que dormir, tinha feito uma directa na noite anterior e mesmo assim não andava a dormir grande coisa devido às despedidas, preparativos e nervosismo, estava acordada há quase 48 horas seguidas já com muito cansaço atrás acumulado, mas pensei para mim mesma "vou ao café ver o que se passa" (não me apetecia nada, estava a sentir-me mesmo anti-social, lol). Nessa noite? Conheci algumas das pessoas que hoje são das minhas melhores amigas (e amigos) aqui.

E a ideia pré-concebida que eu tinha do que ía ser o erasmus: muita borga (demais), nada de estudo, e uma difícil adaptação. Sim, basicamente era isto. Estava cheia de medinho da parte da adaptação, e não me via a ir todas as noites para a borga - não tinha nada a ver comigo quando estava em Lisboa - e achava que ía estudar imenso, que queria aproveitar o facto de estar aqui para isso. Mas mudei totalmente a minha opinião. A adaptação não é aquele cabo das esperanças que temos que dobrar, e erasmus é muito, mas muito mais do que simples borga e estudo. Sim, também há borga,  e também há estudo, mas Erasmus é tudo, uma variedade de coisas incrível... Tudo, é a palavra mais adequada. Tudo dxi bom! Como dizem os brasileiros.

Foi há um mês e foi um dos melhores da minha vida!... Parece pouco tempo "in a lifetime", mas digo-vos, as coisas que se vivem aqui vivem-se com uma intensidade tal. Está sempre, mas sempre, a acontecer alguma coisa em vários sítios e com várias pessoas ao mesmo tempo. Eu tenho a sensação que estou aqui desde sempre, que me sinto em casa, e quando olho para o calendário e vejo que passou um mês, nem acredito.

Se há alguma coisa completamente oposta à monotonia e aborrecimento e tempos mortos é mesmo o Erasmus. É tudo muito cativante e interessante, tudo muito novo, apaixonante, com vontade de descobrir. As horas de sono foram poucas mas nunca importou, o meu corpo está 24/7 activo, acordo sem sono mesmo depois de apenas dormir 4 horas e preparada para tudo, e feliz, porque sei que é provável que esse dia vá ser mais um dos melhores da minha vida! A adrenalina em altos níveis (calculo), as horas de aulas e estudo menos do que deviam ter sido, as horas de borga e de chegar a casa totalmente wasted foram demais (espero que os meus pais não leiam isto). Mas não são as borgas que fazem o meu erasmus, são sim as pessoas, os pequenos momentos, as pequenas conquistas, as pequenas aprendizagens, de todos os dias, 24/7, a família que se constrói aqui, é demais. É espectacular. Mas o que mais gosto aqui é mesmo aquele processo em que se constrói amizades. O sentir que se está a construir uma amizade para a vida, é quase palpável, é tão, mas tão, BOM.


E só de pensar que este foi só e apenas o primeiro mesinho. De pensar que quero preencher os próximos 5 com viagens, com novas aquisições de conhecimento, com mais e mais festas (e eu não sou assim tão festiva, sou uma pessoa bastante calma, mas aqui não, mudei completamente nesse aspecto), com as amizades a crescerem de dia para dia.

Este foi o primeiro mês e foi um dos melhores meses da minha vida. SEGURAMENTE. Acho que se me tivesse de ir embora agora, ía chorar baba e ranho, e se continuar a gostar assim tanto, ainda cá fico é um ano inteiro! :D E claro que já pensei nisso... a única coisa que me deixa de pé atrás em prolongar a minha estadia aqui é que não há ajudas financeiras no 2º semestre, como só me candidatei para 1... além disso tinha de pagar as propinas da faculdade daqui, as propinas de um ano inteiro, que são só o dobro ou o triplo do que em Portugal, só por um semestre. Só por isso já vou pensar duas vezes antes de pedir prolongamento.

Após este primeiro mês tenho um conselho para dar às pessoas que consideram a hipótese de fazer Erasmus e especialmente para as pessoas que dizem "a minha vida é uma seca": se forem estudantes universitários, é "façam erasmus". E não se deixem prender por falta de dinheiro, eu fiz um pé de meia (trabalhei em vários sítios diferentes durante 2 anos e não gastei esse dinheiro, até criei uma conta-poupança em que não podia mexer) para vir fazer isto; privei-me de muita coisa que queria fazer em Lisboa com esse dinheiro, mas vejo que foi um bom investimento e que está a valer bem a pena. Além disso, geralmente a faculdade dá uma ajudinha, uma bolsa, muitas vezes (como no meu caso) nem chega para pagar a renda do quarto, mas já é alguma coisa, e é um sacrifício que vale bem a pena. Ou então façam Erasmus num país mais barato (eu também fui logo escolher um em que o salário mínimo ronda os 1500€, lol, preço de vida alto, mas não assim tanto para os estudantes...), como países de leste; não interessa o onde, as experiências que daqui se retiram ultrapassam espaços geográficos. Não se deixem prender pelo medo dos maus momentos, eles vão sempre acontecer, quer aqui, quer em "casa"... O mau de ser aqui (ou noutro país qualquer que não o nosso) é que estamos sozinhos e provavelmente não temos ninguém que nos ajude... mas, e então? Isso não te ajuda a crescer? Até porque acabam por ser criadas amizades aqui que nos dão a sensação que nunca, nunca estamos sozinhos - às vezes nem mesmo quando queremos, ahahah - e que temos sempre ajuda se precisarmos.

Não se deixem prender pelo medo das saudades de casa... isso vai eventualmente acontecer, mas compensa; e passar uns mesinhos fora de casa nunca matou ninguém, só nos ajuda a crescer, mais dia menos dia vamos ter que sair debaixo da saia da mamã. Não se deixem prender com medo da falta de adaptação; o pior que pode acontecer é a adaptação demorar mais (eu tive muita sorte nesse aspecto, mas acredito que também tenha a ver com a minha personalidade), mas ela eventualmente acontece... e a quantidade de pessoas que se conhece e que está na mesmíssima situação que nós ("vim sozinha/o, não conheço  ninguém"), é incrível; é um denominador comum e uma rampa de lançamento para se começarem a fazer amizades... já para não falar que há todo o tipo de pessoas, se não gostar destas, acabo por encontrar outras que tenham mais a ver comigo. 

Não se deixem prender pelo medo, nem pela língua em que são leccionadas as aulas, até porque a maioria dos países tem aulas em inglês (aparte de França, Itália, e os países que costumam dobrar os filmes, lol). Ou então vão para Espanha, qualquer português que se preze consegue desenrascar-se com o espanhol. Apesar de eu achar que fazer Erasmus em Espanha é demasiado perto de Portugal... e preferir mais longe, mas isso é uma opinião pessoal, soube de histórias de Erasmus em Espanha bem sucedidas.

Enfim, não se deixem prender por nada de nada, porque esta é uma experiência completamente imperdível, não só em termos académicos (sim, ter uma experiência de intercâmbio no currículo é sempre muitos pontos a favor, mas isso nem é o mais importante, na minha opinião), mas também, e sobretudo, em termos de enriquecimento pessoal. Saímos daqui com uma bagagem pessoal maior do que a que construímos, talvez, em toda a vida antes de termos vindo. E eu digo isto com uma bagagem pequenina de um mês. Enfim, façam Erasmus, é o melhor conselho que posso dar. Mas, sobretudo: tenham uma mente aberta. :)

DIA FELIZ.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Today was a super nice day.

Não tinha aulas, fui ao city center com a Rose. Ela também escreveu um post sobre o dia de hoje - finalmente conheço alguém que adora blogging como eu. Ahahah. É como eu digo: em Amesterdão encontras sempre alguém com gostos iguaizinhos aos teus, e com os quais os teus amigos gozam :P o post dela está em holandês (ela é da Bélgica), mas geralmente o google traduz automaticamente. A tradução é uma porcaria, obviamente, mas bom, dá para perceber a ideia geral...

Fomos a um museu qualquer, era entrada livre, não me lembro do nome... (já sei qual era. Era o museu da cidade, e tinha uma parte que era os "old archives" de Amesterdão, fotografias, registos, etc.). Não era nada de muito interessante, excepto um filme que estavam a passar, sobre Amesterdão nos anos 50 e 60... claro que eu adoro tudo o que é retro, por isso adorei essa parte. O que me fez novamente lembrar que tenho que escrever um texto sobre a história de Amesterdão - o básico. Mas é preciso tempo e paciência para pesquisar... e paciência é coisa que não me tem assistido, eheheh.

Depois fomos almoçar, a uma coffeshop (espero que os meus pais não leiam isto, lol), entrámos em lojas só porque achávamos giras, conversámos, rimos, passeámos... até começar a chover. Pronto. Foi quando nos apercebemos de que 4 ou 5 horas em Amesterdão sem chover era bom demais para ser verdade...

Algumas fotos de hoje:


















E já agora, o tão falado, o tão esperado, ansiado e imaginado... ESPELHO DE CORPO INTEIRO - agora pintadinho de roxo/mangenta. :D



terça-feira, 20 de setembro de 2011

Da faculdade, das aulas, do estudo...

"Joder!", "joder!", "joder!", diz a Alicia (espanhola), vezes e vezes sem conta às 3ªs e 5ªs de manhã, enquanto tentamos encontrar a sala onde temos aula de "Stress&Health". E eu só me rio, porque tem piada. A sério que tem.

É que vocês não estão a ver bem o filme. Para já, a universidade é tão grande que:
  • ocupa umas 3 paragens de tram/eléctrico
  • tem placas com direcções lá dentro
  • tem uns 20 edifícios
  • os próprios professores/funcionários desconhecem a maior parte do espaço
  • há uma "ala" para cada letra do abcedário, combinadas com o andar, e também posição geográfica (norte, sul, este, oeste, mas entretanto isto em holandês, que é o mesmo que chinês para mim), nome diminutivo do edifício, e nome da rua, o que faz combinações qualquer coisa como: BV AG-03E68. E encontrar esta sala?? E as aulas que mudam de sala de semana para semana, de dia para dia até? NUNCA é a mesma porra de sala...
A sério, it's crazy. No primeiro dia de aulas, fui meia-hora mais cedo para encontrar a sala, mas mesmo assim cheguei meia-hora atrasada (o que prefez um total de 60 minutos à procura de uma sala). Indo já na 3ª semana e 9ª ou 10ª aula, a procura pela sala continua a ser uma luta constante, mesmo chegando 45 minutos mais cedo. Eu posso afirmar veemente que neste tempo todo ainda não cheguei a horas a uma sala de aula, nem me sentei onde queria sem ter de incomodar as outras pessoas e nem assisti ainda a um único início de aula que fosse. Ah, e chego sempre à sala de aula cheia de calor e a suar porque andei a correr à procura da sala, numa tentativa de chegar a horas. Como sou super friorenta e isto (13ºC) para mim é, de facto, frio, e dentro dos edifícios tem aquecimento (parece Verão lá dentro, até se poe andar de top e calções), é só ver-me a tirar casaco grande, casaco de malha, e camisola. A minha mesa fica a parecer uma feira e tenho sérios hotflashes.

Hoje mesmo, tinha a indicação de uma sala onde iria ser a aula, que era noutro edifício, 2 paragens de tram (para aí) à frente. Fui até lá, cheguei a horas (!!!) mas não era a sala certa. Tive de voltar tudo para trás. E na 2ª aula, mudaram de sala assim do nada e nem sequer avisaram, lá tivemos de andar outra vez à procura... ai valha-me deus! A stôra de "Stress&Health" não controla, não quer saber; mas a de Antropologia já sabe quem eu e a Rita somos. Olha para nós de uma forma, quando chegamos nem que seja "só" 10 minutos atrasadas... É que aqui não é nada como em Portugal, desenganem-se. Se a aula é às 11h, é às 11h, não às 11h15 xD

Mas agora a sério. Se tive facilidade em adaptar-me ao país, e ao novo modo de vida, estou a ter algumas dificuldades em adaptar-me ao método de ensino. O grau de exigência é bem maior. Temos poucas aulas por semana (eu só tenho umas 5 horas de aulas na semana toda, que muitas vezes é o que tenho num só dia em Lisboa), mas o que se dá numa aula aqui, dá-se numa ou duas semanas em Lisboa. Já para não falar que eles aqui não têm um semestre inteiro, têm um semestre dividido em 3 períodos; o que faz com que o 1º período dure um mês e meio, pouco mais (de meados de Setembro a fim de Outubro) e o exame seja no final de Outubro; o que faz com que tenhamos de começar a trabalhar desde o dia 1 se queremos acompanhar minimamente. As coisas para ler são mais que muitas (tipo 3 capítulos para 2ª feira e outros 3 para 3ª f, o que faz 6 capítulos em 2 dias, mas cada capítulo tem 30 páginas, agora é fazer as contas), e o método de ensino é baseado na auto-aprendizagem. Só vamos às aulas para recebermos orientações muitooo gerais, de resto, e se queremos passar, é bom que haja self-study em casa - no meu caso, nunca em casa, que não consigo concentrar-me em casa, tenho sempre de ir para um café, jardim, qualquer coisa assim...

 Mas esse nem é o maior problema. O problema é o grau de exigência ser maior, estando onde estou e a viver o que estou a viver. Há tantas distracções, que muitas vezes me esqueço que a prioridade de ter vindo para aqui foi a de estudar. Em Portugal eu sou "boa aluna", não que tire as melhores notas, mas aplico-me, esforço-me, estudo... Faço os trabalhos, faço o que me compete, estou sempre em cima do acontecimento. Aqui, não. Nunca sei quando tenho reuniões de grupos de trabalho, nunca sei o que era suposto ter já lido para discutir nessa reunião. Os meus colegas sabem sempre tudo, e eu à nora.

Ah, essa é outra. A minha aula de Antropologia é uma aula de pré-mestrado (algo que eles têm aqui mas que não há em Portugal, que é tipo um ano que se faz numa determinada área, antes do mestrado, e depois da licenciatura. qualquer coisa in-between). E às 6ªs feiras temos uma reunião de grupo de trabalho, mas sem a stôra, é só mesmo para nos encontrarmos. Claro que se fosse em Portugal ninguém ía, "a professora não está, não sabe", mas eles vão mesmo, por isso eu também vou, senão sentia-me mal xD Eles são todos de países nórdicos e regrados e disciplinados (Alemanha, Holanda...). Ou seja, eles são todos muito certinhos. Eles chegam a horas. A latina/tuga nº 1 (eu) chega atrasada; a outra latina/tuga nº 2 (Rita) nem vai - nada contra. A latina nº1 tem o rascunho do primeiro trabalho escrito à mão porque o escreveu na noite anterior e não teve tempo de imprimir. Os nórdicos têm tudo impresso, direitinho, times new roman tamanho 11, 1.5 espaçamento entre linhas, texto justificado, 3 cópias para fazerem alterações. A latina nº 1 (eu) diz que podemos escrever no relatório (que temos de enviar à stôra no fim de cada reunião a dizer o que fizemos) que a latina nº 2 (Rita), estava presente, assim em jeito de solidariedade entre colegas. Mas que ultraje!! Se ela não foi, não foi, ponto, sinceridade para com a professora, que nem lá estava. O choque cultural! Mas é giro... cresce-se imenso com estas pequenas diferenças.

Depois detesto que façam o trabalho por mim, por isso digo "eu faço, eu faço", escrevo num papel, chego a casa, ponho o papel em cima do pc para não me esquecer, mas acabo por me esquecer sempre, porque algo de melhor sempre acontece lá fora.

Tenho mesmo de me começar a regrar, fixar 2 ou 3 horas por dia para estudar/trabalhar, que isto assim não está com nada, sempre à toa... com isto tudo já tenho metade de um livro e uns 5 artigos em atraso para ler :(

Com isto me despeço, vou desligar a internet e fazer aquele teste online (blackboard) cuja data limite de entrega é esta noite - entretanto claro que tive 2 semanas para fazê-lo (é grandeeee!), mas claro que deixei para a última da hora. (nada meu. só aqui).

domingo, 18 de setembro de 2011

Segundas Oportunidades / Fotos.

Nunca tive aquele pensamento de "seguir os instintos", em relação a pessoas. Quer isto dizer que, mesmo quando tenho uma má (péssima) primeira impressão acerca de alguém, não me fecho perante essa pessoa sem dar oportunidade de a conhecer melhor. Quer dizer, a pessoa naquele dia e naquela hora específica podia estar mal-disposta, ou podia ter acontecido algo mesmo mau, ou podia estar triste. Esse momento não define, de todo, o que a pessoa é na sua totalidade.E, afinal, o mesmo pode acontecer com todos nós. Todos temos momentos em que estamos mal-dispostos, o dia tinha corrido mal, ou estávamos tristes.

Por isso, gosto sempre de fazer um esforço para conhecer melhor a pessoa, mesmo que a tenha detestado quando a conheci pela primeira vez.

Tive dois exemplos vivos disso aqui em Amesterdão, nestas semanas. O primeiro foi um chinês que conheci aqui. Ao início, ele pareceu super estranho. Mas ridiculamente estranho. Nós até fazíamos piadas com ele e tudo (todos achávamos piada e gozávamos com ele, mas num bom sentido). Mas quando o conheci melhor, apercebi-me do quão interessante ele é. É que dá prazer falar com ele. Mesmo. (e é tão raro encontrar pessoas que conseguimos ouvir falar durante horas sem nos cansarmos nem achar uma seca, queremos ouvir sempre mais).

Outro exemplo foi o N., alemão. Conheci-o numa noite em que estava bêbado. Tinha uma forma de estar muito... bêbada! Nada contra bebedeiras, de vez em quando também as apanho. Mas, pronto, não é o momento ideal para conhecer alguém. Mesmo assim, depois de o conhecer melhor, comecei a gostar muito dele. Vi que, mesmo bêbado, ou tipsy, ele conseguia manter uma conversa sensata e com sentido, ainda que de circunstância. Nessa noite combinámos que ele me ía ensinar a andar de bicicleta, mas eu achei mesmo que ele se ía esquecer... mas ele não se esqueceu. Na manhã seguinte, às 12h em ponto, lá estava ele, para me ensinar. Foi impecável. Primeiro ensinou-me a cair (essa parte foi a mais engraçada, eu só me ria). Mas é que ele insistiu mesmo para que eu caísse. E eu tinha umas calças cremes, e ele a fazer-me cair na relva com lama, e ele a cair também. A sério, foi o rir. Mais tarde, a técnica de cair revelou-se útil. No mesmo dia mais tarde, desequilibrei-me para uma árvore mas graças à técnica de cair que ele me tinha ensinado, não bati com as fuças no tronco da árvore.

Depois andou a correr atrás de mim, a agarrar na bicicleta, até eu aprender a andar sem ninguém me segurar. Nisto tudo ele estava a correr, começou a suar, era visível que estava cansado, mas não desistiu. Não desistiu de mim. Foi paciente. Foi super querido comigo, todo o tempo. Ok, agora vocês dizem "ah e tal, isso é porque te quer... enfim", e até pode ser, porque no fim desse dia ele começou a dar sugestões de me dar massagens nas pernas porque eu disse que me estavam a doer as pernas, mas eu cortei a conversa por aí indirectamente, porque não estava de todo interessada nele, dessa forma, e mesmo assim ele continuou a ser querido comigo, percebendo a mensagem.

Mas como ía dizendo, acabámos por passar todo esse dia juntos, mais uns amigos, mas eu mais com ele, pois estava fascinada, e acabei por perceber que ele conseguia manter mais do que uma conversa de cinrcunstância... Ele conseguia manter uma conversa INTERESSANTE! Nunca mais o vou esquecer e quero, definitivamente, manter o contacto com ele (apesar de não ser daquelas relações em que o vejo todos os dias, como outras pessoas com quem me dou mais frequentemente, tipo grupo de amigos).

E, finalmente, uma das minhas vizinhas. É holandesa, vive cá há 6 anos, e sempre a achei um bocado "nariz-empinado". Como está cá há mais tempo que nós (os restantes do piso) acha que sabe tudo e, pior, acha que tem a decisão final sobre tudo. Nós temos "direito" a um fundo monetário comum que nos é dado pela DUWO, empresa que arrenda os quartos, para comprarmos coisas para os espaços comuns, como o corredor e a cozinha, nomeadamente produtos de limpeza ou coisas que não funcionem e precisem de reparação, esse tipo de coisas. E ela está responsável por esse dinheiro porque é a que cá está há mais anos. O nosso microondas não funciona - mas é que não funciona mesmo - e nós já falámos sobre isso com ela, mas ela discorda e bate o pé que não precisamos de um microondas porque este funciona e não precisamos de um novo e "não vai disponibilizar o dinheiro" (como se fosse dela!) para um microondas novo. Resultado, nunca gostei dela! Mas no outro dia encontrámo-nos quase todos na cozinha e eu tive oportunidade de falar mais com ela. Saí da conversa a achar que ela era uma querida, um amor de pessoa! Mesmo... fiquei surpreendida com o quão afinal simpatizei com ela. A ver se, agora, que me dou melhor com ela, introduzo a questão do microondas... ahahahah. Se eu podia ir fazer queixa à DUWO da atitude dela? Claro que podia, e eles dar-nos-iam o dinheiro PELO MENOS para a reparação do microondas, ela que se fosse lixar mais a atitudezinha de "o dinheiro é comum mas está na minha conta e eu é que decido". Mas, c'mon! Eu sou portuguesa. Eu vou sempre pelo caminho do desenrascanço, da "esperteza", do me dar bem com ela e persuadi-la de que o microondas  não funciona. Não gosto de me meter em assuntos legais, prefiro aquecer a comida no fogão, o que é uma chatice xD

Bottom line is: a primeira impressão é sempre a mais forte, sim, e isso está comprovado em Psicologia (e eu já estudei muitooo sobre primeiras impressões). Uma das teorias diz até que é extremamente difícil mudar uma primeira impressão, sobretudo se ela for má. Mas isso é se tivermos uma mente fechada e não pensarmos que, todo o mundo tem dias maus, e aquele primeiro momento em que conhecemos alguém, não define o que a pessoa é. Dar sempre segundas oportunidades, às vezes, terceiras. Claro que, se eu fizer um esforço por conhecer melhor essa pessoa, e ela continuar a ser estúpida comigo, bem, aí já não há "volta a dar". Mas nunca limitar alguém pela primeira impressão, definitvamente, não.

"Uma pessoa fechada jamais abrirá seus horizontes".

E porque as fotos vão ficando "para trás", aqui deixo mais algumas...


 Eu e Morgan. Já agora, e porque este post tem o tema que tem, e porque as segundas oportunidades valem sempre a pena: a Morgan teve uma péssima primeira impressão de mim. Nem me atrevo a dizê-la :O mas depois começámos a dar-nos melhor e hoje, damo-nos muito (mesmo muito) bem. Ela soube dar-me uma 2ª oportunidade de me conhecer melhor... e o que eu gostei mais de tudo nela foi o facto dela ter sido sincera comigo e ter-me dito o que achava de mim ao início, sem papas na língua (!) quando me conheceu, na primeira semana. Pela sinceridade dela e porque sei o que é ter uma primeira má impressão, admiro-a e não levei "a peito" o que ela achava mal de mim (era mesmo muito mau).

 Alicia e Fabio. Dois dos meus melhores amigos aqui (que personagens! lool)

 Eu e Corie

 Eu e Corie again

 (esquerda para direita) Alicia, Fabio, Matt, Morgan, Tom, Eu, e Corie

 (esquerda para direita) Mario, uma rapariga cujo nome não me lembro (!shame on me!), eu, Fabio, Morgan, Tom, Alexander, Evelina e Matt

 (esquerda para a direita) a rapariga cujo nome não me lembro, Mounir, Matt, Morgan, Fabio, Evelina, Eu, Alexander, Mario e Tom








Nós, a atravessar uma passadeira xD (estou a gozar, mas por acaso ficou artística a foto)






(pão congelado e bifes de frango - que eu pensava mesmo que eram filetes de peixe. o que comemos às 2 da manhã. Erasmus Extreme).

sábado, 17 de setembro de 2011

Mais fotos do meu quarto - agora devidamente decorado!











 (aquilo a que eu gosto de chamar de meu "backyard", eheh)








O melhor de tudo isto é que gastei menos de 20 Euros no IKEA. As coisas lá são tão baratas, encontrei almofadas a 1 euro e 30 velas a 2 euros :O

O resto, vou apanhando aqui e ali... os postais, um quadro vermelho que estava abandonado a um canto qualquer na cozinha xD por aí...

Mas o mais IMPORTANTE de tudo... JÁ TENHO ESPELHO DE CORPO INTEIRO!!! (sim, que até agora andava a ver só a minha cara no espelho minúsculo da casa-de-banho, tinha de me pôr em cima da cadeira para me ver "às prestações", ou então via-me no espelho do elevador... ahah). Eu nem ía comprar um, uma amiga ia dar-me um que já não precisava. Mas encontrei o espelho a 6 euros no IKEA também... achei tão barato que pronto. Ainda não o coloquei aqui porque quero pintar as bordas, que são de madeira, sem piada. Depois coloco fotos dele pintado :D

Agora já me sinto mais em casa... é que sempre que entrava no meu quarto era triste, de tão branco que era. Tão branco que até doía!... Afinal esta vai ser a minha casa nos próximos 6 meses (agora, 5), achei de bom senso investir nele... e nem custou muito :) Não está nenhum quarto estilo pós-"Querido Mudei a Casa", mas com os recursos que tenho disponíveis, até acho que nem ficou mau de todo.