domingo, 18 de setembro de 2011

Segundas Oportunidades / Fotos.

Nunca tive aquele pensamento de "seguir os instintos", em relação a pessoas. Quer isto dizer que, mesmo quando tenho uma má (péssima) primeira impressão acerca de alguém, não me fecho perante essa pessoa sem dar oportunidade de a conhecer melhor. Quer dizer, a pessoa naquele dia e naquela hora específica podia estar mal-disposta, ou podia ter acontecido algo mesmo mau, ou podia estar triste. Esse momento não define, de todo, o que a pessoa é na sua totalidade.E, afinal, o mesmo pode acontecer com todos nós. Todos temos momentos em que estamos mal-dispostos, o dia tinha corrido mal, ou estávamos tristes.

Por isso, gosto sempre de fazer um esforço para conhecer melhor a pessoa, mesmo que a tenha detestado quando a conheci pela primeira vez.

Tive dois exemplos vivos disso aqui em Amesterdão, nestas semanas. O primeiro foi um chinês que conheci aqui. Ao início, ele pareceu super estranho. Mas ridiculamente estranho. Nós até fazíamos piadas com ele e tudo (todos achávamos piada e gozávamos com ele, mas num bom sentido). Mas quando o conheci melhor, apercebi-me do quão interessante ele é. É que dá prazer falar com ele. Mesmo. (e é tão raro encontrar pessoas que conseguimos ouvir falar durante horas sem nos cansarmos nem achar uma seca, queremos ouvir sempre mais).

Outro exemplo foi o N., alemão. Conheci-o numa noite em que estava bêbado. Tinha uma forma de estar muito... bêbada! Nada contra bebedeiras, de vez em quando também as apanho. Mas, pronto, não é o momento ideal para conhecer alguém. Mesmo assim, depois de o conhecer melhor, comecei a gostar muito dele. Vi que, mesmo bêbado, ou tipsy, ele conseguia manter uma conversa sensata e com sentido, ainda que de circunstância. Nessa noite combinámos que ele me ía ensinar a andar de bicicleta, mas eu achei mesmo que ele se ía esquecer... mas ele não se esqueceu. Na manhã seguinte, às 12h em ponto, lá estava ele, para me ensinar. Foi impecável. Primeiro ensinou-me a cair (essa parte foi a mais engraçada, eu só me ria). Mas é que ele insistiu mesmo para que eu caísse. E eu tinha umas calças cremes, e ele a fazer-me cair na relva com lama, e ele a cair também. A sério, foi o rir. Mais tarde, a técnica de cair revelou-se útil. No mesmo dia mais tarde, desequilibrei-me para uma árvore mas graças à técnica de cair que ele me tinha ensinado, não bati com as fuças no tronco da árvore.

Depois andou a correr atrás de mim, a agarrar na bicicleta, até eu aprender a andar sem ninguém me segurar. Nisto tudo ele estava a correr, começou a suar, era visível que estava cansado, mas não desistiu. Não desistiu de mim. Foi paciente. Foi super querido comigo, todo o tempo. Ok, agora vocês dizem "ah e tal, isso é porque te quer... enfim", e até pode ser, porque no fim desse dia ele começou a dar sugestões de me dar massagens nas pernas porque eu disse que me estavam a doer as pernas, mas eu cortei a conversa por aí indirectamente, porque não estava de todo interessada nele, dessa forma, e mesmo assim ele continuou a ser querido comigo, percebendo a mensagem.

Mas como ía dizendo, acabámos por passar todo esse dia juntos, mais uns amigos, mas eu mais com ele, pois estava fascinada, e acabei por perceber que ele conseguia manter mais do que uma conversa de cinrcunstância... Ele conseguia manter uma conversa INTERESSANTE! Nunca mais o vou esquecer e quero, definitivamente, manter o contacto com ele (apesar de não ser daquelas relações em que o vejo todos os dias, como outras pessoas com quem me dou mais frequentemente, tipo grupo de amigos).

E, finalmente, uma das minhas vizinhas. É holandesa, vive cá há 6 anos, e sempre a achei um bocado "nariz-empinado". Como está cá há mais tempo que nós (os restantes do piso) acha que sabe tudo e, pior, acha que tem a decisão final sobre tudo. Nós temos "direito" a um fundo monetário comum que nos é dado pela DUWO, empresa que arrenda os quartos, para comprarmos coisas para os espaços comuns, como o corredor e a cozinha, nomeadamente produtos de limpeza ou coisas que não funcionem e precisem de reparação, esse tipo de coisas. E ela está responsável por esse dinheiro porque é a que cá está há mais anos. O nosso microondas não funciona - mas é que não funciona mesmo - e nós já falámos sobre isso com ela, mas ela discorda e bate o pé que não precisamos de um microondas porque este funciona e não precisamos de um novo e "não vai disponibilizar o dinheiro" (como se fosse dela!) para um microondas novo. Resultado, nunca gostei dela! Mas no outro dia encontrámo-nos quase todos na cozinha e eu tive oportunidade de falar mais com ela. Saí da conversa a achar que ela era uma querida, um amor de pessoa! Mesmo... fiquei surpreendida com o quão afinal simpatizei com ela. A ver se, agora, que me dou melhor com ela, introduzo a questão do microondas... ahahahah. Se eu podia ir fazer queixa à DUWO da atitude dela? Claro que podia, e eles dar-nos-iam o dinheiro PELO MENOS para a reparação do microondas, ela que se fosse lixar mais a atitudezinha de "o dinheiro é comum mas está na minha conta e eu é que decido". Mas, c'mon! Eu sou portuguesa. Eu vou sempre pelo caminho do desenrascanço, da "esperteza", do me dar bem com ela e persuadi-la de que o microondas  não funciona. Não gosto de me meter em assuntos legais, prefiro aquecer a comida no fogão, o que é uma chatice xD

Bottom line is: a primeira impressão é sempre a mais forte, sim, e isso está comprovado em Psicologia (e eu já estudei muitooo sobre primeiras impressões). Uma das teorias diz até que é extremamente difícil mudar uma primeira impressão, sobretudo se ela for má. Mas isso é se tivermos uma mente fechada e não pensarmos que, todo o mundo tem dias maus, e aquele primeiro momento em que conhecemos alguém, não define o que a pessoa é. Dar sempre segundas oportunidades, às vezes, terceiras. Claro que, se eu fizer um esforço por conhecer melhor essa pessoa, e ela continuar a ser estúpida comigo, bem, aí já não há "volta a dar". Mas nunca limitar alguém pela primeira impressão, definitvamente, não.

"Uma pessoa fechada jamais abrirá seus horizontes".

E porque as fotos vão ficando "para trás", aqui deixo mais algumas...


 Eu e Morgan. Já agora, e porque este post tem o tema que tem, e porque as segundas oportunidades valem sempre a pena: a Morgan teve uma péssima primeira impressão de mim. Nem me atrevo a dizê-la :O mas depois começámos a dar-nos melhor e hoje, damo-nos muito (mesmo muito) bem. Ela soube dar-me uma 2ª oportunidade de me conhecer melhor... e o que eu gostei mais de tudo nela foi o facto dela ter sido sincera comigo e ter-me dito o que achava de mim ao início, sem papas na língua (!) quando me conheceu, na primeira semana. Pela sinceridade dela e porque sei o que é ter uma primeira má impressão, admiro-a e não levei "a peito" o que ela achava mal de mim (era mesmo muito mau).

 Alicia e Fabio. Dois dos meus melhores amigos aqui (que personagens! lool)

 Eu e Corie

 Eu e Corie again

 (esquerda para direita) Alicia, Fabio, Matt, Morgan, Tom, Eu, e Corie

 (esquerda para direita) Mario, uma rapariga cujo nome não me lembro (!shame on me!), eu, Fabio, Morgan, Tom, Alexander, Evelina e Matt

 (esquerda para a direita) a rapariga cujo nome não me lembro, Mounir, Matt, Morgan, Fabio, Evelina, Eu, Alexander, Mario e Tom








Nós, a atravessar uma passadeira xD (estou a gozar, mas por acaso ficou artística a foto)






(pão congelado e bifes de frango - que eu pensava mesmo que eram filetes de peixe. o que comemos às 2 da manhã. Erasmus Extreme).

sábado, 17 de setembro de 2011

Mais fotos do meu quarto - agora devidamente decorado!











 (aquilo a que eu gosto de chamar de meu "backyard", eheh)








O melhor de tudo isto é que gastei menos de 20 Euros no IKEA. As coisas lá são tão baratas, encontrei almofadas a 1 euro e 30 velas a 2 euros :O

O resto, vou apanhando aqui e ali... os postais, um quadro vermelho que estava abandonado a um canto qualquer na cozinha xD por aí...

Mas o mais IMPORTANTE de tudo... JÁ TENHO ESPELHO DE CORPO INTEIRO!!! (sim, que até agora andava a ver só a minha cara no espelho minúsculo da casa-de-banho, tinha de me pôr em cima da cadeira para me ver "às prestações", ou então via-me no espelho do elevador... ahah). Eu nem ía comprar um, uma amiga ia dar-me um que já não precisava. Mas encontrei o espelho a 6 euros no IKEA também... achei tão barato que pronto. Ainda não o coloquei aqui porque quero pintar as bordas, que são de madeira, sem piada. Depois coloco fotos dele pintado :D

Agora já me sinto mais em casa... é que sempre que entrava no meu quarto era triste, de tão branco que era. Tão branco que até doía!... Afinal esta vai ser a minha casa nos próximos 6 meses (agora, 5), achei de bom senso investir nele... e nem custou muito :) Não está nenhum quarto estilo pós-"Querido Mudei a Casa", mas com os recursos que tenho disponíveis, até acho que nem ficou mau de todo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A caminho das 4 semanas, e o primeiro mau momento.

Hoje senti, pela primeira vez desde que cá cheguei, uma acentuada homesickness. Eu já estava a achar estranho ela não aparecer... estava a achar estranho não sentir saudades de casa quase nenhumas estando aqui há, praticamente, um mês. Pronto, foi hoje, doeu, mas passou!... (como quando temos que tirar um penso rápido que está bem coladinho à pele, lol).

Hoje pela primeira vez senti a saudade a tocar. O ver o facebook dos meus amigos, as novas fotos deles, o skype, fotos de Lisboa. O telefonema da minha avó, a minha mãe e o namorado no skype, os mails do meu pai, as fotografias com o Alex de há 1 ano atrás, as fotos com a Vera, os cartõezinhos que o Rafael e o Sandro me deram... sei lá, a saudade, aquela saudade mesmo portuguesinha, bateu. Ver o namorado no skype e aquela sala onde tanto tempo passei, e a Daniela, e as cortinas verdes e laranja do meu estúdio de Lisboa... Até saudades da comida horrorosa da minha mãe e daquela vozinha histérica que ela tem. Isto dito com todo o carinho, nunca lhe dei tanto valor como hoje!

Hoje senti-me com medo, desprotegida, completamente fragilizada. Hoje, apeteceu-me chorar! Sei que não estou sozinha, mas senti-me tão sozinha, hoje.

Talvez por ter ficado o dia todo em casa. Talvez por estar doente, o corpo a lutar para recuperar, o sono, o ócio, e o cansaço tudo junto. E, juro, foi o dia mais longo da minha vida! Geralmente, em Portugal, não tenho problemas em estar em casa no chill out. Até gosto. Ver uma televisão, ouvir um bom jazz, ler um livro... Mas aqui, não é o mesmo. Hoje foi o primeiro dia em quase um mês que parei, por um pouco. (por ainda estar doente e querer recuperar a 100%). Foi só um dia... e pareceu-me uma semana enclausurada!

O que senti hoje, foi completamente irracional, pois sei que não é verdade, que não estou sozinha. Sei que à distância de um elevador tenho aquilo a que já posso chamar de amigos. Sei que à distância de 50 metros, no bar do campus, tenho álcool para "beber para esquecer" se assim o quiser. Sei que tenho pessoas com quem falar de coisas superficiais, sei que tenho pessoas com quem ter conversas profundas. Sei que à distância de um telefonema tenho família e amigos.

Mas não quis "incomodar" ninguém com isso. Não quis fazer queixinhas, não quis chorar no colo de ninguém. Falei com imensa gente back home (pela net e telefone), o que me fez pior - mais saudades ainda - mas não quis mostrar como estava nem deixar ninguém preocupado. Senti a homesickness a vir (e agora felizmente estou a vê-la a ir-se embora), mas quis superar este mau momento sozinha. O que não mata torna-nos mais fortes, é um cliché mas é bem verdade... e eu sinto que o dia de hoje me fez crescer em muitos aspectos.

Primeiro, sei que esta solidão e saudade horríveis que me bateram hoje, não me vão bater assim outra vez tão cedo, porque não vou deixar. Criei anti-corpos... Segundo, sei agora que nunca devo tomar nada por garantido. Quando estava em Lisboa já não lhe conseguia ver a beleza e o encanto. A cidade em si, um simples passeio por Belém (os pastéis de Belém, ihihih), um gelado no Santini do Chiado, a rotina que tinha, todos os dias o autocarro do Restelo a Entrecampos... Hoje, só de olhar para fotos, quase conseguia sentir o cheiro, o cheiro de Lisboa. A minha Lisboa! Amesterdão é fantástico, por todos os aspectos dos quais já falei e dos quais ainda vou falar mais vezes, é a cidade que me está a ver crescer mais num mês do que num ano inteiro, é a cidade onde vou descobrir sempre mais e mais (pelo menos assim o desejo), mas nunca será a minha "home". "Home" só há uma. Terceiro, pelo facto de saber agora que não posso tomar nada por garantido, eu vou apreciar a beleza de Amesterdão ao pormenor, e vou criar aqui histórias em lugares dos quais vou querer sentir saudade quando voltar a Lisboa. Quarto, eu não sou assim tão independente quanto proclamo. Preciso de pessoas à minha volta, preciso de uma rede de apoio... como diz o velho ditado, "unidos somos mais fortes", ou como a Lane me disse hoje, a nossa vida social é como na selva, os animais geralmente andam em bandos, e os elementos que se isolam do clã, ficam mais susceptíveis e não têm tanta capacidade de sobrevivência... Sempre me proclamei "emocionalmente independente", "não preciso de ninguém"... e no entanto, hoje precisei de um abraço como nunca. Só um abraço...

Deus, este dia foi o pior desde que aqui estive. Todas estas horas fechada dentro destas 4 paredes brancas e pequenas, e uma cozinha comunitária.

O que retiro de bom deste dia é, para além de tudo o que já citei anteriormente, que me curei da constipação, finalmente. Ok, não estou a 100% ainda, mas sei que hoje me vou deitar cedo, esquecer que este dia aconteceu, dormir umas 11 horas, e amanhã acordar e ser um novo dia e eu estar fisicamente em condições para apreciar o que de bela a vida tem aqui. :) Amanhã é um novo dia, é como eu gosto de pensar. E eu preciso desesperadamente dele, que este já está velho, estragado, irritante! Este dia nunca mais acaba!...

Este texto está tão lamechas. Mas foi escrito tão do mais fundo do meu coração.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Update.

Tenho andado um pouco preguiçosa para escrever (o último post foi agendado, como serão alguns deles).

As aulas, os trabalhos, os convívios, os aniversários, têm sido mais que muitos. Mas o que me tem deixado mesmo quase incapacitada tem sido a GRIPE que apanhei. Ou Constipação... whatever.

E isto porquê? Na 2ª feira resolvi ir ao supermercado de bicicleta. Feita parva, pensei "vou chegar lá a morrer de calor, por isso nem vou muito agasalhada" (isto porque nos outros dias vou sempre super agasalhada, porque tem feito um frio do caraças, e quando chego ao destino estou a ferver e a suar e só me apetece despir). Com ventos tão fortes que mais parecia um tornado, fui só com uma t-shirt e um casaquinho de malha. Praticamente despida! Mas estava a sentir-me bem e energética. E saudável! A ouvir Chemical Brothers pelo caminho, estava numa "spiritual high", a filosofar, podia ter escrito um livro no caminho entre o campus e o supermercado. Começa a chover, o que eu acho lindo. Andar de bicicleta a chover é uma sensação brutal, mesmo! Entro no supermercado, cheia de calor, tiro o casaco, e os phones, e só oiço os meus ouvidos a estalar e uma grande, graaaande tontura, em vez de uma alface via duas. Eu conseguia sentir a constipação a vir. Mas não pensei que fosse tão grave assim.

Nesse mesmo dia fui às aulas, ou a uma delas, faltei a outra porque não aguentava mais, tive de vir para casa, tomei um comprimido, dormi, fiz uma pausa para jantar, e dormi até ao dia seguinte. Tinha passado? Não. Na 3ª não conseguia sair da cama de tanto que me doía o corpinho, faltei a uma aula da manhã, só fui à da tarde. A morrer. à noite, movie night com eles (o que fazemos nas noites mais calmas). Mesmo assim fui cedo para casa, tomei outro comprimido, e dormi. Umas 11 horas. Passou? Não. Hoje continuo a sentir-me na m*rda (e peço desculpa pela linguagem, mas é mesmo como me sinto!). Odeio estar doente mas estar doente aqui é ainda pior. Primeiro, porque está um frio do caraças e só com um casaco polar eu conseguia evitar que o vento frio entrasse para dentro do meu corpo, o que acaba sempre por acontecer e nunca me curo totalmente. Segundo, porque há sempre imensa coisa, convites, e festas, e eu acabo por ir, mesmo que seja só sair de casa, chamar o elevador e ir para o 7º andar, sem sair do meu prédio. Só esse caminho mói-me.

Hoje aproveitei que não tinha aulas para ficar a descansar e a rezar para ficar melhor. Aproveitei para adiantar o meu primeiro trabalho para a faculdade - apesar das adversidades, até me está a sair qualquer coisinha catita. Mas tenho a sensação de que a cada hora que passa me sinto pior. E a pele do nariz e dos lábios em ferida de tanto me assoar, nem consigo sorrir, como sempre faço, dizem-me qualquer coisa engraçada e o meu instinto é sorrir/rir, mas dói tanto que evito, é contra-natura, sinto-me triste! Até me dizem que "estou com cara de doente". É que devo estar mesmo.

Fogo!!! Mas porque é que eu fui tão parva?? É que ainda por cima, foi um desperdício de viagem... no dia em que resolvi ir de bicicleta com vento e chuva e quase despida só porque me apetecia, nem sequer voltei para casa de bicicleta, o saco das compras estava demasiado grande e pesado e a bicicleta ía tombar (nem conseguia enfiar o saco no cestinho da bicicleta), por isso acabei por deixá-la lá e voltar de tram. Ahhh parva que fui, mais valia ter ido e voltado de tram, quentinha e sem grandes maluqueiras.

Constipação, por favor, por favor, por favor, vai-te embora!!! Tenho tanta coisa para fazer... só estou aqui 5 meses e 16 dias, estar 4 dias incapacitada é demais! É perda de tempo!!!

Como diz o belo do português... estou que nem posso!!!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Há, pelo menos, 3 coisas que as pessoas estranham,

é quando eu digo:

1 - que não sei (ou não sabia) andar de bicicleta - agora, já sei, mas pronto

2 - que eu não gosto (detesto mesmo) cerveja

3 - que eu adorooo museus, e história na generalidade

Mas, bom, se todos gostássemos de amarelo, que raio de mundo seria este, né? :)

domingo, 11 de setembro de 2011

Mais alguns pormenores da minha bicicleta, e do meu quarto.





Eu sei, eu sei... está muito "girly"! Mas eu amo personalizar as minhas coisas. Qualquer pessoa que me conheça bem, sabe o que me pertence, pela personalização.

E por falar em personalização e decoração, o meu quarto está demasiado branco! Estava habituada a um quarto cor-de-rosa, cheio de coisas nas paredes, posters, postais, fotos, recordações, cor cor e mais cor, e agora vim para um quarto totalmente branco. Que confusão! As paredes são brancas, a estante é branca, o edredão é branco, o frigorífico é branco... é triste! A única coisa que não é branca - e é a coisa que eu gosto mais no quarto - são as cortinas vermelhas... Acho lindas! Mas de resto... Outra coisa que me atrofia, não tem gavetas! Onde é que eu ponho a minha roupa interior?? Ainda está no mesmo saco onde a trouxe de Portugal... agora ando a ver se encontro uma caixa de arrumação ou assim, e coisinhas para o meu quarto, afinal vai ser a minha casa durante os próximos tempos e preciso sentir-me bem nela! Umas velinhas aqui, uns postais ali... aos poucos vai-se compondo. Encontrei uma loja que tem, literalmente, TUDO, chama-se "Hema", tem mesmo tudo, desde comida até artigos para casa, super barato. Um saco com mais de 100 velinhas pequenas foi 2 euros. Wow! Por enquanto deixo aqui algumas fotos de pequenas coisas, quando tiver o meu quarto mais ou menos decorado, coloco aqui mais algumas fotos. :)



 (o cogumelo muda de cor automaticamente, é lindo!)

(os cartõezinhos que o Rafael me fez antes de vir para cá; tenho lido um por dia e colo na parede).

sábado, 10 de setembro de 2011

De ter uma relação (amorosa) enquanto se faz Erasmus.

Sempre ouvi dizer que as relações à distância nunca funcionam. Que é um teste grande à relação e que a maioria delas não supera. E que estar em erasmus com namorado/a no país-natal faz-nos perder muita coisa da experiência em si.

Pois que creio profundamente que todo esse cliché pegado foi inventado por alguém que estava numa relação dita "normal", de carácter exclusivo e possessivo, daquele tipo de relação em que está implícito um "temos que falar todos os dias", e um "se me traíres, acabou tudo". Pois que sm, obviamente assim nenhuma relação dura muito. Nem à distância nem por perto. Ponto.

Eu digo, com orgulho: estou a fazer erasmus e tenho namorado em Portugal. And so what? Isso significa que vamos morrer? Que vamos acabar? Que nos vamos trair? Mas porquê esse "mind-set"? Não estou a perder nada, porque não tenho aquela mentalidade de "tenho que ir para casa cedo para falar com o meu namorado". E o melhor é que ele aceita as coisas assim, são assim e pronto, e se ele se sente bem, e eu me sinto bem, assim, então porque não?

Sempre disse que a chave não está em mais nenhum lugar senão na comunicação e sinceridade. Eu sou perfeitamente capaz de lidar com a situação se ele me disser "olha, sinto-me atraída por uma rapariga aqui, estamos numa espécie de flirt", ok provavelmente fico com aquele ciúme e tal, mas nunca diria "traíste-me! acabou tudo!" -.-' Like, really? E sou perfeitamente capaz de lhe dizer a ele "olha, conheci um rapaz muito giro e andamos numa espécie de flirt" e esperar que ele compreenda, porque foi o que ele sempre fez comigo, e porque 6 meses é muito tempo, todos temos as nossas necessidades. E há que saber distinguir entre uma atracção física que não passa disso, de amor ou paixão.

Mas, bom, esta conversa toda porquê? Porque eu mudei o meu estado civil no facebook, para "numa relação aberta com...". 7 horas depois, quando voltei à net, já tinha mensagens e comentários com "??", "??!!", e por aí fora. Imediatamente coloquei um estado no facebook a dizer que não percebia o "big deal" que estavam a fazer disso. Todo o mundo sabe que eu ando com ele, nunca escondi isso de ninguém, e que tenho orgulho no tipo de relação que temos, mencionava sempre que era uma relação liberal e meio-aberta, alertando sempre para o facto de que isso NUNCA significa "fuck around", que é como quem diz, andar com este e aquele, esta e aquela... nada a ver!! O estado do facebook foi só uma questão de eu nem sequer saber que o FB tinha essa opção, encontrei-a por acaso enquanto actualizava a minha informação e perfil (como interesses, etc.). Mas porque todo o mundo tem logo de pensar que "aconteceu algo"?

Na minha opinião, relações abertas não têm que significar deslealdades, infidelidades, menos paixão ou menos amor. Sendo a minha definição de "relação aberta" NÃO "trair a torto e a direito" ou "andar com todos" (mesmo nadaaaaaa a ver com isso), mas sim "comunicação", "aceitação" e "tolerância", digo até mesmo que acho que uma relação aberta previne muita infidelidade. Acho que a infidelidade é atraente por ser um fruto proibido. Mas e se deixar de ser um fruto proibido? Já não parece assim tão apetecível... por isso eu digo: se me sinto atraída por outras pessoas? sim! se cedo à atracção/tentação? Não... e porquê? Porque digo ao meu namorado, "olha, passa-se isto, isto e aquilo" e ele não parte logo para um "isso é traição", "vais-me trair", "não quero que o vejas mais", "não quero que estejas mais com ele". Se ele me disser "Não estejas mais com ele, proibo-te de o veres de novo", então aí é que eu vou querer ainda mais!! Também não vai dizer, com certeza "ok, faz o que quiseres com ele". Talvez diga um "compreendo. de vez em quando também me sinto atraída por outras raparigas". Fica tudo em pratos limpinhos e o "outro" deixa de me apetecer.

Agora, provavelmente, pensam que sou uma "P***" só por isso, que vou andar a fazer o que quero, e isto, e aquilo. Mas porque pensam as pessoas assim?? Sou mais fiel sendo como sou, do que muita gente que se diz estar numa relação e depois... com medo das represálias, fazer "pela calada". Porque sim, a infidelidade é bem mais comum do que pensamos, mas é "escondida". O facto de estar numa relação aberta não me torna mais ou menos vulnerável, isso depende de como estou comigo mesma, e não se estou numa "relação" ou numa "relação aberta" ou "solteira e livre". E eu digo, estou bem comigo mesma, estou bem com ele, e não preciso de me enrolar com este e aquele só porque estou em erasmus ou para me auto-afirmar. Não preciso, pronto. Palavras como "relação" ou "relação aberta" são apenas e só palavras, que não definem, de todo, as minhas acções.

Resumindo e concluíndo. Eu nunca daria um euro por uma relação amorosa que eu tivesse, estando aqui; acharia sempre que eventualmente iria acabar, se essa relação fosse a relação "tradicional", "convencional", "normal". Mas acredito numa relação como a que eu tenho com ele, é diferente das outras, não digo isto por ser minha - porque também temos os nossos problemas, como qualquer outro casal - mas sim porque é mesmo, mesmo, mesmo, uma relação brutal e fantástica e que acredito que sobreviva a isto.  Chamem-me de ingénua (que sou, muito) e extremamente emotiva e apaixonada (que também sou). Mas tendo mesmo a acreditar nas coisas quando quero que elas aconteçam - também sou positiva e tenho pensamentos positivos maioritariamente - e geralmente, quando acredito, elas até acontecem :)

Se de vez em quando o coração aperta com saudades? Claro. Se de vez em quando sinto falta da proximidade, do toque, de alguém (sobretudo quando vejo casais aos mimos)? Claro. Mas são coisas com as quais tenho que lidar e que, também elas, me vão ajudar a crescer. Em muitos sentidos.

Se há o risco de me apaixonar aqui? Claro. Mas que é a vida, senão riscos. O facto de eu estar aqui, sozinha (sem família, pelo menos, não falo das amizades que, naturalmente, aqui se criam), em si é um risco. Mas é uma aventura. E é uma experiência única.

E é, finalmente, como o Rafael diz: "Eu começava por abolir a palavra relação com o sentido de contrato que lhe dão e passava a usar a palavra laços, como a raposa e o principezinho. As pessoas devem amar-se umas às outras sem condicionantes que só servem para criar atritos. Viva o amor :D".

O que me interessa a mim é que o amo, do fundo do coração, amo-o, amo-o, amo-o, e digo-o sem medo nenhum, de nada. E nunca me esqueço: I know where my heart is.

Nota: já agora, uma pequena (grande) nota em relação à diferença de mentalidades entre aqui e em Portugal; quando eu falo com alguém, aqui, acerca de relações abertas, eles acham "cool" (não falo de pessoas mesmo holandesas, porque conheço poucas, mas pessoas de outros países); quando eu falo em Portugal, começam logo a julgar. Aiii como detesto Judgmental Minds... Talvez também seja pelo facto de que as pessoas que vêm para aqui ter uma experiência como estas tenham uma mente muito mais aberta (estou mesmo na minha praia, eheheh), mas mesmo assim, noto grande diferença nesse aspecto! Há muito aquela mentalidade de que cada um faz o que quer e "it's ok" se se sentir bem com isso e não magoar outras pessoas. Podes ser o que quiseres ser, do mais "normal" ao mais "alternativo", as pessoas aqui vêm o interior das outras pessoas, e não por "labels" (ser magro ou gordo, gay ou hetero, ter este ou aquele estilo), há um enorme ambiente de aceitação, no mesmo grupo podemos ter as pessoas mais diferentes de tudo e get all along. Na verdade, o que é "normal" por aqui até é visto como sendo "boring" (juro!). O que eu adoro isso!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A minha nova bicicleta cor-de-laranja e roxa (lol).

ANTES


DEPOIS
 




Foi um trabalhão para encontrar uma em conta; foi uma dor de cabeça aprender a andar com ela; outra dor de cabeça para o problema do lock (e os problemas que tinha, em geral). Mas foi um belíssimo investimento :D

E, claro, eu tinha que pintá-la! E no fim quando acabei achei que estava um pouco pirosa, mas... whatever! Não seria minha se não fosse uma bicicleta cor-de-laranja e roxa (minhas 2 cores favoritas)! :D

2 semanas e meia em Amesterdão = 2 meses em Lisboa.

Isto é maravilhoso. Tenho a sensação que construí uma família aqui. Em 2 semanas e meia, tenho uma nova família. Como é possível? Numa situação normal ninguém faria "amigos para a vida" em 2 semanas. Mas aqui é diferente. 2 semanas correspondem a 2 meses em Lisboa. Sem tirar nem pôr. É a intensidade com que se vive tudo aqui.

Não são as festas, ou as saídas, ou o que fazemos. Até podemos não estar a fazer nada, podemos não estar na "festa erasmus" mais badalada, mas sim na cozinha do 7º andar. Não é o local, são as pessoas e o ambiente. Não é mais a popularidade, mas antes a amizade, as private jokes dentro de um grupo, a lealdade, o dedicar menos tempo a conhecer pessoas novas (as centenas que conhecemos na primeira semana chegaram bem), e mais tempo a conhecer melhor as pessoas que já conhecemos, é gostar genuinamente daquelas pessoas.

É simplesmente fantástico, é que faz-me chegar ao ponto de estar no meu quarto aborrecida até dizer chega (porque aqui é tudo tão intenso e agitado, que 1 hora quieta parece um dia inteiro) e só estar a pensar quando chega aquela hora, já típica, em que todos nos reunimos. E ficar lá com eles e pensar que tenho que ir dormir porque no dia seguinte tenho aulas de manhã, mas nem me importar com o pouco que possa dormir, sinto-me tão bem, tão bem, lá. É esta fase a de fazer amigos com A grande, não aquela conversa de chacha que durou 1 semana e meia sempre a dizer as mesmas coisas e a perguntar as mesmas coisas "hi! I'm Claudia. How are you? where are you from?" vezes e vezes sem conta, centenassss de vezes. A fase de criar aquele grupinho de pessoas a quem sabemos que podemos pedir ajuda, se precisarmos, aquelas pessoas com quem traçamos planos para viagens. Mais do que aquele rapaz giro e simpático que conhecemos no outro dia na discoteca, divertido mas efémero, sem importância.

Mas perder-me em detalhes aqui no blogue seria mais que difícil, seria inútil, ao fim de um dia que tem 20 horas e todas elas serem pequenas eternidades, 20 eternidades, amplificadas no meu mundo aparte do real.

Quando os meus pais e a minha avó me telefonam perguntam sempre se estou a gostar, e eu digo que sim, e depois perguntam se estou "mesmo a gostar", como quem não acredita em mim. Oh dios, se eles soubessem como estou a gostar. (eu é que não sou de me pôr aos gritinhos histéricos ao telefone, mas por dentro é assim que estou).

Algumas fotos que ficaram pelo caminho