segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Bélgica - Leuven, Brugges & Antuérpia I (*)

A nossa pequena (bem pequena!) aventura começa na 6ª feira, dia 23, à tarde. Eu e a Corie vamos apanhar o comboio das 17h53, destino Bruxelas, mas com saída em Mechelen. Claro que apanhamos o comboio em cima da hora, e o outro também (quando tínhamos que trocar). Numa das trocas corremos tão, mas tão rápido, que quando chegámos ao comboio nem conseguíamos falar durante 5 minutos... que fora de forma física em que estamos as duas.



Chegámos a Leuven - cidade onde mora a Rose - às 20h. Vimos a maior parte de Leuven de noite, é uma cidade pequena, pouco para ver. Fomos para umas bebidas, conhecemos uns amigos dela, e acabámos a noite em frente a uma estátua que tem basicamente um insecto (assim uma espécie de mosca) espetado numa agulha gigante. Porque eu me foco neste ponto, perguntam vocês (ou então não), afinal era só uma estátua com um insecto gigante com uma agulha espetada nele. Esqueci-me de tirar uma foto durante o dia (só estivemos lá de noite), mas consegui encontrar uma na net:

Ok, here's the thing: isto é, claramente, um insecto. Mas, de noite, e a partir de um certo ângulo, isto parecia um... pato. Sim, um PATO. Juro!! Estávamos todos numa mesa qualquer numa esplanada na rua, quando alguém diz "olha, uma estátua com um insecto", e toda a gente "ah, pois é, que giro", e de repente eu viro-me e digo (ainda pensei 3 ou 4 vezes antes de o dizer, com medo de me chamarem de burra!): "mas... aquilo é um pato". Acreditem, este insecto/pato deu azo a muita polémica, durante todo o fim-de-semana. É que a partir daquele ângulo e de noite, o insecto fazia uma espécie de ilusão óptica, e parecia um pato. Depois de uma hora a discutir se podia ser um pato ou não, eles acabaram por concordar comigo, daquele ângulo era CLARAMENTE um pato. Bom, nos dias seguintes voltámos lá para confirmar, e todo o mundo concordou. A história do insecto/pato parece insignificante, mas vai ficar para a posterioridade. É que discutimos, batemos o pé, e no fim rimos (muito) só para decidir se daquele ângulo era ou não um pato. A sério. Parece idiota e ridículo, mas foi o tema do fim-de-semana, foi o tema das piadas, o motivo principal de riso, a Corie até escreveu no bloquinho de notas das "coisas engraçadas" ("funny moments") a cena do pato.

Bom, mas adiante.

Algumas fotos de Leuven:
















A segunda parte da noite começou quando chegámos a casa da R. Ok, ela pediu para não espalharmos pelo nosso grupo de amigos, mas eu perguntei-lhe se podia escrever sobre a casa dela no meu blog em português e ela disse ok, desde que ninguém percebesse. Tirei montes de fotos à casa, mas obviamente não as vou publicar, se ela não quer.

Mas porquê todo este alarido com a casa? Bom, numa só expressão: ela tem uma casa que podia ser perfeitamente modelo do programa "Cribs". A sério, a miúda é milionária. Ter uma casa daquele tamanho (eu perdia-me, e no fim-de-semana inteiro não consegui ver a casa toda, apesar do pouco tempo que passávamos em casa, pronto, mesmo assim) é impossível se não se for milionário. Piscina interior, ginásio, elevador, 4 andares, dizem alguma coisa? É que é só uma pequeniiiina amostra. A casa era simplesmente perfeita, intocável, dava a impressão que era de uma revista,  nem dava para acreditar que vivia gente lá. É daquelas casas que só vemos no "depois" do programa "Extreme Makeover", ou em revistas; é daquelas casas que quando passamos por ela pensamos "uhhh gostava de viver ali". Mas a casa era só uma pequena parte. 2 BMW, uma carrinha, uma casa em Copenhaga. Ufff... A sério. Eu e a Corie não conseguimos esconder a SURPRESA quando entrámos em casa dela. E com a Alícia, no dia seguinte (ela só foi ter connosco no Sábado) foi a mesmíssima coisa. O momento engraçado foi quando estávamos à espera do elevador, mas já dentro da casa, e eu achava que ainda estávamos na escada. Quando elas se aperceberam que eu ainda não me tinha apercebido de que aquilo já era a casa e que sim, ela tinha um elevador em casa, foi o rir, mas o rir. Depois estávamos tão interessadas em saber mais sobre o projecto da casa, como tinha isto sido e aquilo sido construído, que parecia que estávamos a fazer uma avaliação da casa para comprá-la, e a piada passou a ser "ok, I'm going to write a number on a paper".

Mas porquê o meu foque nisto? Bom, primeiro, porque eu não estava mesmo nada, mas nada, à espera daquilo; estava a imaginar um apartamento, normal, e andarmos de transportes; mas em vez disso foi como passar o fim-de-semana num hotel de 5 estrelas - até o pequeno pormenor da almofada, foi a melhor almofada em que alguma vez já dormi, é que eu nem mudava de posição a noite toda, de tão confortável que era - e andarmos de cidade para cidade de BMW. Sim, de BMW. Ah, e termos um pequeno-almoço - sim, daqueles "à novela", com sumos de todas as variedades, pão caseiro, fruta... um pequeno-almoço de comer até abarrotar, de não comer mais nada o resto do dia. Não estava mesmoooooo à espera do que foi...

Mas, segundo, e o melhor de tudo, é a atitude da minha amiga e dos pais dela em relação a tudo. Eles são riquíssimos, mas não são arrogantes nem presunçosos. Sobretudo a R., nunca nos falou na vida que tem "em casa"; achei de uma humildade exemplar, mas exemplar - e de admirar - ela ter uma vida "normal", estar a alugar um quarto minúsculo num campus para estudantes, ser uma pessoa super simples, nunca ter falado nisso; ela podia perfeitamente ter mencionado "oh, na minha piscina interior, uma vez...", para dar a entender, como quem não quer a coisa, que tem uma piscina interior (mas graaaande, talvez maior que uma piscina municipal), mas nada, nunca, nunca! Ela não anda por aí a gabar-se e, pelo contrário, implorou-nos que não falássemos disso a ninguém - que ela também conhecesse, o que exclui o blogue em português - porque não quer que as pessoas a usem, porque tem imensa gente à volta dela que a usa pela riqueza, para se mostrar, para poder dizer no facebook "olha, eu tenho uma amiga rica", "olha, eu estive nesta piscina" (com uma foto da piscina). Bom, pode parecer, talvez, que é isso que estou a fazer aqui, mas não é, a sério que não. Primeiro, porque eu já gostava imenso da R. e já a achava uma pessoa exemplar, este fim-de-semana e a atitude dela perante tudo só reforçou a admiração que sinto por ela; nunca iria dar-me com ela só por causa do dinheiro que ela tem. Segundo, porque acho essa atitude horrível, do mais baixo nível. Ok, tenho uma amiga que é rica, milionária, passei o fim-de-semana numa estância de luxo - quem não quer contar isso? É apenas um facto. Mas isso é totalmente diferente da atitude que, segundo ela, muitos dos amigos dela têm: chegar ao ponto de dizer "ah podemos ir às compras e podes pôr tudo no cartão de crédito dos teus pais, eles  nem vão dar conta" -.-' Grrrrr, quando ela me contou algumas dessas atitudes, a sério, irritou-me! Ela é demasiado boa pessoa e não merecia estar rodeada de gente falsa, da maneira que está!

Mas continuando... os pais dela, vê-se que são pessoas instruídas. Não correspondem de todo àquele estereótipo de pessoa rica que só quer esfregar na cara dos outros o que tem, o que possui... A mãe dela podia ter uma empregada o dia todo, mas não; limpa aquela casa (ENORME, GIGANTE) sozinha, cozinha, faz as coisas dela, porque gosta. O pai dela podia deixar de trabalhar hoje e sustentar as 4 ou 5 gerações seguintes à dele (isto porque segundo as contas que eu e a Corie estivemos a fazer, ele deve fazer mais do que um milhão de euros por ano). Mas não. Eles são pessoas super instruídas, educadas, vê-se que são mesmo mesmo mesmo boas pessoas. Já para não falar que, segundo o que a R. nos contou, aquela casa e aquela vida em geral, foi um projecto a loooongo-prazo. Que o pai dela passou dificuldades mas lutou muito na vida e conseguiu, arranjou forma, de construir de raíz (literalmente, que eles até compraram a área na serra onde estava construída a casa), a vida que sempre quis. E a atitude da minha amiga perante isto tudo? - é que isso foi mesmo o melhor e o que mais admirei nela. É que ela diz "eu não tenho de me gabar, porque isto não é meu. Isto é dos meus pais, foram eles que construíram tudo; um dia, eu hei-de construir a minha própria vida, mas por agora, eu não tenho que me gabar de nada, nada disto é meu". E com isto me calo, que disse tudo!

Bom... alonguei-me demais neste assunto, num post que deveria ser sobre um fim-de-semana na Bélgica xD Mas tinha mesmo de falar naquilo, porque foi uma coisa que me impressionou muito, pela positiva, não pela parte física (ok, mas admito que soube bem um fim-de-semana naquela mansão e a andar de BMW para trás e para a frente, mas pronto, sou humana! ahahah), mas pelo tipo de pessoas que tive a oportunidade de conhecer. Pessoas com conteúdo, com essência. Pessoas de VALOR.

Depois de uma noite muito bem dormida (mas mesmo, aquela cama foi só a melhor onde já dormi) e de um pequeno-almoço digno de fotografia (só não tirei porque achei falta de respeito para com as pessoas, lol),  Sábado fomos buscar a Alícia à estação e seguimos para Brugges, uma cidade a 2 horas de carro de Leuven.


A cidade parece saída de um conto de fadas, a sério, é tão linda! Tirámos milhentas fotos, passeámos até dizer chega, comemos uma waffle típica da Bélgica, comprámos chocolates belgas, acabámos a tarde numa esplanada bem simpática, à beira de um canal, a beber cerveja/vinho branco (eu! que detesto cerveja, lol).




Algumas fotos de Brugges:
























Como Brugges também não é uma cidade muito grande, e em 4 ou 5 horas conseguimos ver quase tudo, resolvemos rumar até à costa - De Haan - comer marisco e batatas fritas - comida típica da Bélgica, segundo a Rose - a ver o pôr-de-sol na praia. Perdemos metade do pôr-do-sol porque comida e conversa, ambas estavam deliciosas.

Começou assim:



acabou assim:










Depois do sol posto ainda fomos um pouco à praia, sentámos na areia, conversámos, rimos rimos rimos. Eu tive um ataque de riso a caminho de casa (sabe-se lá porquê)- é que fiquei 20 minutos a rir-me sozinha até que realizei que estava, mesmo, a rir sozinha, o que é um bocado deprimente. Mas é que a situação de que eu me estava a rir tinha, realmente, tanta piada... que ainda hoje se me lembro disso me dá vontade de rir. Nessa noite, apesar de exaustas, ainda fomos a uma festa qualquer que havia em Leuven, ainda fomos ver a estátua do insecto/pato mais uma vez, e acabámos a noite, ou a madrugada, no sofá da Rose a comer lasanha feita pela mãe dela (oh meu deus, é que foi um orgasmo de tão boa que estava) as 4 no sofá.

Domingo, mais um pequeno-almoço digno delicioso, um grande obrigada aos pais da Rose, que foram os melhores anfitriões e são pessoas excelentes, rumámos a Antuérpia, desta vez só eu, a Corie e a Alícia - a Rose ainda ficou em casa mais uma noite.

Antuérpia, que dizer? É linda, claro, aqueles prédios antiquíssimos, aquelas igrejas, monumentos, é tudo tão perfeito, tão histórico... e eu adorooo prédios históricos, locais que eu sei que estão lá há 3 séculos, adoro mesmo. Fomos a uma espécie de "mercado de domingo", onde eu me apaixonei por um Hamster que só custava 5 euros e estava mesmo quase quaseeee a comprá-lo, mas a Corie disse-me que era melhor eu pensar bem e no fim logo decidia, que já tinha reparado que eu sou impulsiva; acertou em cheio, se há coisa que sou é impulsiva, se tenho uma ideia quero logo logo... Resolvi seguir o exemplo dela e depois da "city tour" realmente decidi que era melhor não, que me ia prender os movimentos, e que ia ter de gastar dinheiro em comida e etc., e não estava para isso. Quer dizer, eu adoro animais e gastar dinheiro em coisas para eles não me incomoda, mas não na situação em que estou, Erasmus, todos os euros têm de ser bem aproveitados e a liberdade tem de ser próxima do total.


Algumas fotos de Antuérpia:



















 
Adiante, vimos locais lindos, tirámos milhentas fotos, fomos a um parque, onde realizámos que só tínhamos 7 minutos para chegar à estação e apanhar o comboio de volta para Amesterdão, corremos como nunca na vida, mas conseguimos apanhá-lo, mesmo nos últimos 30 segundos!

Estava toda enérgica, mas no comboio comecei a ficar mole, mas mole... e com uma preguiça, moleza, e peso no corpo, uff!!! Quando cheguei a casa nem quis pensar em mais nada, só tomar banho, actualizar o FB (ahahah, 2 dias sem FB foi demais para mim) e dormir... Entretanto havia um jantar romeno, no meu andar (temos uma espécie de "ritual" em que a cada Domingo cada um faz um prato típico do seu país), mas cheguei tarde demais, e a paciência era pouca, e a fome era pouca, e a curiosidade de experimentar comida romena era pouca, portanto estive com eles um pouco, pedi imensa desculpas por ter faltado ao jantar e ter que recolher-me aos meus aposentos, mas é que estava mesmo moída. Por isso não escrevi nada ontem. E hoje tive um dia cheíssimo, compras de manhã, um teste online (que ainda não acabei, que aflição), aulas toda a tarde, agora vou para um jantar tardio e a Happy Hour habitual no Café Uilenstede. Ufff. As coisas para fazer são mais que o tempo disponível!
Overall, foi um fim-de-semana fantástico. Mais destes virão, espero, em vários destinos. :)

(*) Amanhã vou colocar mais um post só com mais fotos. É que tirámos tantas, e eu nem quero pô-las todas (só as mais giras), mas se pusesse as mais giras todas aqui, uhh... o post ia ficar ainda mais gigante do que já está.

domingo, 25 de setembro de 2011

Curso de Holandês / Dutch Language Course.

Bem, peço desculpa se ofendo, mas eu não gosto de nada de Holandês. Para mim é o mesmo que alemão (não consigo distinguir), e nunca gostei muito de alemão. É muito arranhado, parece que estão a agredir-se verbalmente uns aos outros. Xiiii! E é complicado até dizer chega. Acho que não há nada mais distante do holandês do que o português - e outras línguas latinas, francês, italiano, espanhol... - e talvez o grego, chinês, por aí. Mas para mim é realmente muitoooo difícil...

Mas já que aqui estou, resolvi aproveitar para aprender o básico... nem que seja a dizer "Olá", "Obrigada" e "chamo-me Cláudia" (para mim isso já é uma conquista, visto que estou no nível "absolute beginners"). 

Então resolvi inscrever-me no curso de holandês. Para além de me darem um certificado, no fim, ainda me dão 3,5 créditos académicos. O que é enganador, 3,5 créditos académicos não é nem uma cadeira inteira (que normalmente é 5 ou 6). Mas pronto.
Bem, continuando. Na primeira semana não pude ir às aulas porque estava com gripe (mas mesmo muito muito forte). Só apareci por lá na 3ª aula e eles já tinham avançado bastante. Mesmo assim, fazendo os trabalhos de casa em atraso lá consegui apanhar. Apesar de sentir que ainda estou para trás porque não tenho estudado literalmente NADA. (Shame on me).

Até estou a achar interessante - apesar de extremamente complicado para mim. Não pela língua em si, que não gosto, mas porque tenho um fascínio por aprender coisas totalmente novas para mim. E sempre adorei aulas de línguas, são dinâmicas, seja qual língua for. O (tentar) ler, baixo e em voz alta, o (tentar) escrever, o decorar uma lista de vocabulário, fechar o livro e tentar escrever o máximo de palavras que me lembrasse (adorooo esse exercício), os verbos. É um constante desafio a mim mesma.

Mas é tão difícil, é tão complicado, irregular... Há quem diga que tem algumas parecenças com o inglês, mas eu nem acho isso :O totalmente diferente e extremamente complicado. A sério, cada sessão (aula) tem 2h30 e eu chego ao fim de 1h30 e já estou cansada, é alto esforço psicológico para mim. Sinto-me burra!!!

Mas vale a pena, e o mais interessante é aquele sentimento de "accomplishment". Foi como aprender a andar de bicicleta. Ao início senti-me um pouco burra, depois de vir de uma aula de Antropologia onde falamos de coisas bastante abstractas, ir para uma aula onde basicamente estou a aprender a dizer o meu nome e a escrever coisas básicas e a conjugar verbos. Mas aquele sentimento, aquele entusiasmo de conseguir escrever uma frase inteira, ainda que básica, "eu chamo-me Cláudia, tenho 20 anos e venho de Lisboa" pela primeira vez sozinha sem recorrer ao verbo conjugado e ao vocabulário, é uma sensação brutal!! Quando consegui fazer isso lembrei-me de um momento muito particular que tive na escola primária, quando aprendi a escrever a mesma frase, em português, sozinha (quando tinha 6 anos e estava a aprender a escrever, lol). Aquele sentimento, aquele momento, juro, voltou, foi um "click" na memória (nunca mais o esqueci, consigo ver-me lá como se tivesse sido hoje), simplesmente veio-me, foi natural, o sentimento foi o mesmíssimo.

E pronto, é assim...

Coisas que eu acho extremamente estranhas em holandês: (1) as horas... é que dizer "half 6" em inglês é diferente de dizer em holandês. Em holandês, "half 6" significa 5 e meia (5h30), pois a lógica é a oposta: se é "meio de 6, é 5 e meia". (2) o facto de eles terem feminino e masculino para os nomes comuns (ex: A cadeirA, O bancO), e ainda terem nomes que são simplesmente neutros; e como não há nenhuma regra geral para nos orientar, temos simplesmente de decorar as palavras que são masculino, feminino e... neutro! (3) algo que me confunde mais que muito... eles têm imensas palavras com "ij": Jij, zij, wij, zij, hij... tudo com a ordem sempre trocada, nunca sei qual é qual, confunde qualquer pessoa. e (4) o "g" lê-se "rr". agora tentem, com isso, dizerem "maandag" (2ª feira); não é "maandag", é "maandarrrrrr", mas um "rrrrr" muiiitoo acentuado... esqueço-me sempre disso. Enfim, acho que o qe achei mais fácil foi mesmo os meses (quase igual a inglês) e os dias da semana...

A única frase que sei dizer de cor, até agora, é: Ik ga sport op mandaag. Significa "na 2ª feira vou fazer desporto" (que mentira tão grande). Isto porque tivemos um exercício que consistia em perguntar "Op welke dag sport jij?", que significa "em que dia vais fazer desporto?" e depois tínhamos de responder, variando o verbo (fazer desporto, estudar, trabalhar...) e o dia da semana. Tínhamos de fazer isto com toda a gente da sala. Acabei por decorar. Agora chego-me ao pé dos amigos holandeses que já fiz aqui orgulhosa e digo "look look, what I already know how to say in dutch" e digo isso. Claro que eles se riem, pareço uma criança de 6 anos, mas é divertido, e é o rir.

No fim deste curso vou tentar escrever aqui um textinho em holandês. Mas não tenham grandes expectativas! Vai ser algo muito, mas mesmo muito básico, e com muita ajuda do google translator e correcções baseadas nos meus apontamentos e naquele livro que era 90€ - mas eu consegui que alguém mo emprestasse (que sorte!).

(post agendado, publicado automaticamente)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

As últimas 24 horas e as próximas 48.

Tive de andar com isto atrás todo o dia de ontem:


Com eléctrodos ligados por todo o corpo (tronco), e a máquina num cinto, à cintura, a medir os meus batimentos cardíacos e respiração. Isto tudo para uma experiência para "Stress&Health". Não podia tirar isso durante 24 horas, e tinha de escrever o que estava a fazer, a cada hora. Isto para mais tarde relacionar a minha actividade (casa, rua, dormir, sozinha, acompanhada, aulas, supermercado...) com os registos dos meus batimentos cardíacos.

Parece muito interessante, interessantíssimo, e ao início foi, até para aí à 3ª hora. Quando os stickers começaram a fazer uma comichão insuportável (daquelas que temos mesmo mesmo que coçar!!! insuportável), e os stickers começaram a sair e no meio da rua (como aconteceu no tram e ficou todo o mundo a olhar para mim), tinha de trocar de sticker porque a máquina só tem uma tolerância de 3 minutos (após esse tempo, a máquina deixa de gravar), e porque a máquina começa a apitar e não se cala enquanto eu não restabelecer conexão. E andar com isto para trás e para a frente?? Ainda por cima foi um dia preenchido... saí de casa às 8h e cheguei às 2/3h... Todo esse tempo (ou quase, porque só fui pôr os stickers às 9h da manhã), com isto atrás, já começava a chatear. E dormir com isto? Nem me podia pôr de barriga para baixo... Quer dizer, poder podia, mas sempre que me quisesse pôr numa posição diferente tinha de acordar para mudar a máquina de posição também, e ter cuidado para os stickers não saírem... Já para não falar que não pude tomar banho ontem à noite!! E não tomar banho antes de ir para a cama à noite sempre me fez impressão.

Ufff, esta manhã acordei cheia de comichão e com uma vontade desgraçada de tomar banho, e eis que quando vou para desligar a máquina (já tinham passado 24 horas, até mais), ela não desliga. Li as instruções (eu, que não tenho paciência nenhuma para ler instruções), tudo direitinho, e aquilo não desligava. E se eu tirasse os eléctrodos, aquilo começava a apitar e não se calava mais. Eu já estava cheia de medo a achar que se tirasse as pilhas, os dados não íam ficar gravados no cartão de memória e lá se iam 24 horas com aquilo à vida... Já estava a ver que não podia tomar banho outra vez e tinha de ir com aquilo atrás para a universidade perguntar o que fazer. Tive de ligar à Alicia toda aflita a perguntar como aquilo se desligava. Ela disse que eu tinha que carregar no botão preto (e eu achava que esse botão era o reset, e que apagava tudo o que estava no cartão, mas felizmente não, ou espero, confio na Alicia!), e depois tirar as pilhas. Ufff!!! Já não era sem tempo... Não posso mais ver aquilo à frente.

Bom, essas foram as minhas últimas 24 horas. Fora tudo o resto, tanto que nem me apetece escrever (demasiado! e não quero que este blogue seja um diário...).

Quanto às próximas 48 horas, nessas o meu destino vai ser este:


 (Bruxelas)

(Brugge)

(Leuven)

Pois é, às 17h apanhamos o comboio e vamos para a Bélgica... eu, a Rose - que mora lá, daí ser a oportunidade perfeita, visitar um país com uma pessoa que é de lá e pode mostrar-nos o melhor - e a Corie. A Alícia vai ter connosco no Sábado.  (só agora ao escrever isto reparei que somos só raparigas. fim-de-semana feminino, uhuhuh).

Estar na Holanda e não ir a Bélgica é como estar em Portugal e não ir a Espanha. Não dá! Estou ansiosa para este fim-de-semana. :)

Portanto, bom fim-de-semana a todos, eu vou só ali à Bélgica e já volto... e prometo voltar com um (ou mais) dos famosos chocolates belgas...

Quando voltar, no Domingo à tarde/noite, vou ter um jantar romeno na "minha" cozinha... nem quero saber o que vai sair dali.
(provavelmente, o blogger vai publicar post's nos próximos dias, que eu agendei).

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O primeiro mês...

... e que bem que estou aqui!!!

Lembro-me da preparação, do medo, do nervosismo e da ansiedade do dia 22 de Agosto de madrugada... tudo em vão! Porque tinha já feito as minhas pesquisas, lido muitooo blogue sobre pessoas que fizeram erasmus, falado com amigos que o fizeram também. A opinião geral era comum: a primeira semana era horrível, a adaptação por vezes é difícil, e as saudades de casa!... Mas para mim, foi totalmente diferente. A adaptação foi 100% concluída ao fim das minhas primeiras horas aqui. Demorei pouco tempo a perceber que não me podia basear nas experiências dos outros. Tinha que construir a minha própria experiência e viver isto à minha maneira. Então, foi o que fiz. Chorei muito no aeroporto, mas assim que pus os pés no aeroporto Schiphol, totalmente sozinha e desamparada, senti-me feliz assim, mesmo sozinha, desamparada, on my own, e com a séria responsabilidade de me desenrascar sozinha. As saudades de casa não bateram até à 3ª semana, ou por aí... E superei-as rápido e bem. Pois. Foi há um mês. Ainda me lembro da primeira noite, depois de passar todo o dia em burocracias e quando finalmente consegui chegar ao meu quarto, arrumar tudo, tomar um banho, jantar e descansar... pensei que tinha que dormir, tinha feito uma directa na noite anterior e mesmo assim não andava a dormir grande coisa devido às despedidas, preparativos e nervosismo, estava acordada há quase 48 horas seguidas já com muito cansaço atrás acumulado, mas pensei para mim mesma "vou ao café ver o que se passa" (não me apetecia nada, estava a sentir-me mesmo anti-social, lol). Nessa noite? Conheci algumas das pessoas que hoje são das minhas melhores amigas (e amigos) aqui.

E a ideia pré-concebida que eu tinha do que ía ser o erasmus: muita borga (demais), nada de estudo, e uma difícil adaptação. Sim, basicamente era isto. Estava cheia de medinho da parte da adaptação, e não me via a ir todas as noites para a borga - não tinha nada a ver comigo quando estava em Lisboa - e achava que ía estudar imenso, que queria aproveitar o facto de estar aqui para isso. Mas mudei totalmente a minha opinião. A adaptação não é aquele cabo das esperanças que temos que dobrar, e erasmus é muito, mas muito mais do que simples borga e estudo. Sim, também há borga,  e também há estudo, mas Erasmus é tudo, uma variedade de coisas incrível... Tudo, é a palavra mais adequada. Tudo dxi bom! Como dizem os brasileiros.

Foi há um mês e foi um dos melhores da minha vida!... Parece pouco tempo "in a lifetime", mas digo-vos, as coisas que se vivem aqui vivem-se com uma intensidade tal. Está sempre, mas sempre, a acontecer alguma coisa em vários sítios e com várias pessoas ao mesmo tempo. Eu tenho a sensação que estou aqui desde sempre, que me sinto em casa, e quando olho para o calendário e vejo que passou um mês, nem acredito.

Se há alguma coisa completamente oposta à monotonia e aborrecimento e tempos mortos é mesmo o Erasmus. É tudo muito cativante e interessante, tudo muito novo, apaixonante, com vontade de descobrir. As horas de sono foram poucas mas nunca importou, o meu corpo está 24/7 activo, acordo sem sono mesmo depois de apenas dormir 4 horas e preparada para tudo, e feliz, porque sei que é provável que esse dia vá ser mais um dos melhores da minha vida! A adrenalina em altos níveis (calculo), as horas de aulas e estudo menos do que deviam ter sido, as horas de borga e de chegar a casa totalmente wasted foram demais (espero que os meus pais não leiam isto). Mas não são as borgas que fazem o meu erasmus, são sim as pessoas, os pequenos momentos, as pequenas conquistas, as pequenas aprendizagens, de todos os dias, 24/7, a família que se constrói aqui, é demais. É espectacular. Mas o que mais gosto aqui é mesmo aquele processo em que se constrói amizades. O sentir que se está a construir uma amizade para a vida, é quase palpável, é tão, mas tão, BOM.


E só de pensar que este foi só e apenas o primeiro mesinho. De pensar que quero preencher os próximos 5 com viagens, com novas aquisições de conhecimento, com mais e mais festas (e eu não sou assim tão festiva, sou uma pessoa bastante calma, mas aqui não, mudei completamente nesse aspecto), com as amizades a crescerem de dia para dia.

Este foi o primeiro mês e foi um dos melhores meses da minha vida. SEGURAMENTE. Acho que se me tivesse de ir embora agora, ía chorar baba e ranho, e se continuar a gostar assim tanto, ainda cá fico é um ano inteiro! :D E claro que já pensei nisso... a única coisa que me deixa de pé atrás em prolongar a minha estadia aqui é que não há ajudas financeiras no 2º semestre, como só me candidatei para 1... além disso tinha de pagar as propinas da faculdade daqui, as propinas de um ano inteiro, que são só o dobro ou o triplo do que em Portugal, só por um semestre. Só por isso já vou pensar duas vezes antes de pedir prolongamento.

Após este primeiro mês tenho um conselho para dar às pessoas que consideram a hipótese de fazer Erasmus e especialmente para as pessoas que dizem "a minha vida é uma seca": se forem estudantes universitários, é "façam erasmus". E não se deixem prender por falta de dinheiro, eu fiz um pé de meia (trabalhei em vários sítios diferentes durante 2 anos e não gastei esse dinheiro, até criei uma conta-poupança em que não podia mexer) para vir fazer isto; privei-me de muita coisa que queria fazer em Lisboa com esse dinheiro, mas vejo que foi um bom investimento e que está a valer bem a pena. Além disso, geralmente a faculdade dá uma ajudinha, uma bolsa, muitas vezes (como no meu caso) nem chega para pagar a renda do quarto, mas já é alguma coisa, e é um sacrifício que vale bem a pena. Ou então façam Erasmus num país mais barato (eu também fui logo escolher um em que o salário mínimo ronda os 1500€, lol, preço de vida alto, mas não assim tanto para os estudantes...), como países de leste; não interessa o onde, as experiências que daqui se retiram ultrapassam espaços geográficos. Não se deixem prender pelo medo dos maus momentos, eles vão sempre acontecer, quer aqui, quer em "casa"... O mau de ser aqui (ou noutro país qualquer que não o nosso) é que estamos sozinhos e provavelmente não temos ninguém que nos ajude... mas, e então? Isso não te ajuda a crescer? Até porque acabam por ser criadas amizades aqui que nos dão a sensação que nunca, nunca estamos sozinhos - às vezes nem mesmo quando queremos, ahahah - e que temos sempre ajuda se precisarmos.

Não se deixem prender pelo medo das saudades de casa... isso vai eventualmente acontecer, mas compensa; e passar uns mesinhos fora de casa nunca matou ninguém, só nos ajuda a crescer, mais dia menos dia vamos ter que sair debaixo da saia da mamã. Não se deixem prender com medo da falta de adaptação; o pior que pode acontecer é a adaptação demorar mais (eu tive muita sorte nesse aspecto, mas acredito que também tenha a ver com a minha personalidade), mas ela eventualmente acontece... e a quantidade de pessoas que se conhece e que está na mesmíssima situação que nós ("vim sozinha/o, não conheço  ninguém"), é incrível; é um denominador comum e uma rampa de lançamento para se começarem a fazer amizades... já para não falar que há todo o tipo de pessoas, se não gostar destas, acabo por encontrar outras que tenham mais a ver comigo. 

Não se deixem prender pelo medo, nem pela língua em que são leccionadas as aulas, até porque a maioria dos países tem aulas em inglês (aparte de França, Itália, e os países que costumam dobrar os filmes, lol). Ou então vão para Espanha, qualquer português que se preze consegue desenrascar-se com o espanhol. Apesar de eu achar que fazer Erasmus em Espanha é demasiado perto de Portugal... e preferir mais longe, mas isso é uma opinião pessoal, soube de histórias de Erasmus em Espanha bem sucedidas.

Enfim, não se deixem prender por nada de nada, porque esta é uma experiência completamente imperdível, não só em termos académicos (sim, ter uma experiência de intercâmbio no currículo é sempre muitos pontos a favor, mas isso nem é o mais importante, na minha opinião), mas também, e sobretudo, em termos de enriquecimento pessoal. Saímos daqui com uma bagagem pessoal maior do que a que construímos, talvez, em toda a vida antes de termos vindo. E eu digo isto com uma bagagem pequenina de um mês. Enfim, façam Erasmus, é o melhor conselho que posso dar. Mas, sobretudo: tenham uma mente aberta. :)

DIA FELIZ.