domingo, 8 de janeiro de 2012

Da intensidade e da velocidade com que as coisas se vivem aqui.

Não há melhor exemplo que descreva a VELOCIDADE a que as coisas acontecem aqui, do que o que aconteceu esta semana: na 5ª feira estava nas nuvens; no fim de 6ª feira estava na merda; no Sábado voltei a estar nas nuvens; hoje, estou a flutuar no paraíso.

No espaço de 3 dias, fui do paraíso, ao inferno, e ao paraíso all over again. O que aconteceu aqui em 3 dias, teria acontecido em 3 semanas naquilo a que eu chamo de "tempo real". Se há 2 post's atrás eu escrevi o que escrevi vindo do fundo do coração, hoje já não me faz mais sentido, e lê-lo, é como ler um texto que outra Cláudia, noutra dimensão temporal e espacial, escreveu.

O Alexandre descreveu bem a experiência dele. Para ele, 5 dias representaram o mesmo grau de acontecimentos e mudanças, que a maioria das pessoas passa em 5 meses:

"Bare-naked, peculiar and wide opened things.
Since I came back from Amsterdam I feel that every situation I'm in and everything I have to face in my daily routine is shown to me in a bare-naked version. I don't see the facade and I don't let myself see the masks. As soon as you lived particular moments in a very intensive way you start to miss them and you look back and think how wonderful those moments were. We live in 2012. Everybody has pictures of their "special moments" and I keep on looking at the pictures I took in Amsterdam. I'm not saying that I'm reliving the moments I had there, because that would be impossible due to the fact that all I felt was too peculiar and that I don't believe that I can relive these moments again in a sober way. But what I can actually say is that I'm not the same person anymore. I see things in a different way and my eyes are wide open. I've always been someone that got easily fooled and manipulated and it took me a lot of time to face and accept that, because I knew that I couldn't handle changing it. Some might say that I should blame the obvious things that happened in Amsterdam. I would say (and as sad and dumb this might sound) that I thank the obvious things and that I'm glad that I experienced and that I (most of all) learned from these situations to handle myself and to grow in five days as much as some people might grow in five months. 

When I look back to everything that happened in Amsterdam, I feel an enormous need to talk. I believe that I have so much to say right now, but the words are somehow missing. I recommend anyone who is trying to get answers to unsolved situations in their life to go to Amsterdam and to have their lives changed, as I had mine."

Ao que eu respondi:

"Alex ♥ This text is just amazing and describes perfectly, what you live here. I agree with everything. You can imagine living in this kind of life and environment, that you lived for only 5 days, in 5 months? 6 months more for me? That's wh...y I always say I trully changed inside. Some decisions and options I make right now, are not the same I would in my "old life/reality". I really see everything with a total different perspective. I only don't agree with one thing you said: its not about coming to Amsterdam itself, to the city itself; you have to consider the THINGS you do, the OPTIONS you make, the PEOPLE you are with, and the WAY you react to situations. I believe a change like this one, that happened to your life and that is happening to mine, can be reached in any place at any time. It's all about how open your mind is, how much adaptation capacity you have, to which extent you are tolerant and open about surrender yourself to a change like this. And about your comment Sara, this is more of a whole wide transformation that we cannot only reduce to being sober or on drugs (I mean, not diminishing their importance, but obviously, also not reducing it to it)."
 
Às vezes tenho ponho em causa, mas mesmo a sério, a minha sanidade mental. Momentos há em que acredito que estou a ficar louca. No bom sentido.

Nada, nada, nada, nada

mas é que mesmo nada, NA-DA (desta vida!) se assemelha à experiência ERASMUS.

Nunca, nunca, mas mesmo NUN-CA mais, serei a mesma pessoa...

Experiências a ter em Amesterdão #2

Esta, não a posso publicar.

Só queria deixar aqui o título, para me auto-relembrar, um dia mais tarde, do que me aconteceu esta noite.

Se foi mesmo realidade e não um sonho ou uma cena saída de um filme.

Alguém que me belisque, por favor.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Karma is a bitch.

Nunca foi assim, desta forma, comigo.

Eu sempre fui "the independent one". Sempre eu mandava, eu sabia, eu queria, eu obtia, eu tinha. Sempre me dei liberdade para ser eu própria, sempre exigi que os outros me aceitassem - e, se não gostassem, que deixassem na beira do prato... Sempre fui aquela não a ir atrás, mas a decidir ou não se queria quem ía atrás de mim. Sempre fui aquela que acabei primeiro, que deixei e larguei primeiro, e segui em frente. Sempre fui aquela a tomar decisões.
Pela primeira vez na minha vida, estou no lado completamente oposto. Sinto-me a andar "sobre ovos" (não sei se soa muito bem em português, mas sinto-me "walking on eggshells"), que tenho de ter cuidado para não perder, para não arriscar, para não fazer nada de mal que me faça deitar tudo a perder. Pela primeira vez, sinto que não controlo a situação, diria até manipular, da forma como quero e sempre o fiz.

Sim, é a primeira vez que isto me acontece, e a sensação não é boa, de todo. Não fui feita para ser aquela que está sujeita a tudo, que se deixa sujeitar a tudo... algumas coisas que roçam na falta de respeito próprio.

Mas talvez não seja tudo mais do que karma. Eu fui tão má no passado! Traí, omiti, menti. E raras vezes sentia remorsos... Ou se sentia, muito poucos, de passagem apenas. Eu era uma verdadeira "player" ou "heartbreaker". Nunca me senti culpada, porque nunca achei que tinha feito nada de mal, e achava-me no direito de fazer o que quisesse. No fundo, sempre fui uma egoísta do pior, no que toca a sentimentos e emoções. Sempre fui aquela a pedir liberdade, e a tê-la. Agora, percebo, o quão eu não sei dar a mesma liberdade que sempre pedi e por vezes mesmo exigi... ou melhor, sei dar, mas não estou de bem com isso. E sempre exigi que as pessoas tivessem de bem com a liberdade que eu pedia. Tanta!



Karma is really a bitch, e eu até acho que mereço um bocadinho aquilo que estou a sentir agora...

(por favor, karma, já aprendi a minha lição; a partir de agora, vou ser boazinha e passar a preocupar-me mais com os sentimentos das outras pessoas sem serem apenas os meus... vá, vá, acaba lá com isto).

Pensamento das 00h45.

Nem tudo é cor-de-rosa. Há sempre problemas e situações inesperadas com as quais somos deparados, e com as quais não sabemos lidar, muitas vezes.

Estou a viver uma dessas situações, mas de certa forma, até estou grata por ela. Claro que preferia que ela não existisse de todo, mas por ser uma situação inesperada, sempre aprendo a lidar com ela.

Tirar algum tempo para mim mesma e aprender a conseguir distanciar-me; ser menos emocional, e mais racional; e, sobretudo, a relativizar a sua importância na minha vida.

Sim, definitivamente, já tive dias melhores que o de hoje. Talvez isto apenas seja uma "Tuesday Blues" transferida para "Friday Blues", ou talvez seja mesmo a situação delicada em que me pus a mim mesma. Nevertheless, não posso negar a utilidade que esta, atrever-me-ia a chamar-lhe, dor que sinto agora, tem no que toca a fazer-me crescer um pouco mais em certos aspectos, aperceber-me de determinadas e importantes coisas, ter algumas coisas mais que outras presentes em mente neste momento. Saber aproveitar as coisas boas - e que boas, tão boas que talvez valham a pena os piores momentos - que tudo me tem trazido, mas saber distanciar-me e, de certa forma, proteger-me.

Após a tempestade, vem a bonança, e eu não tenho quaisquer dúvidas acerca disso. Já tive vários exemplos disto: amanhã será um dia melhor, o dia depois melhor, e por aí fora. Mas sei que amanhã, e depois de amanhã, e por aí fora, eu verei as coisas com olhos diferentes; com uma perspectiva de quem teve de "bater no fundo do poço" para voltar acima e, de certa forma, construir mais uma protecção, que, espero, me será útil no futuro.

Afinal, toda a experiência, seja ela boa ou má, é aprendizagem. Nada mais, nada menos...

"You live, you learn. You love, you learn. You cry, you learn. You lose, you learn. You bleed, you learn. You scream, you learn. You grieve, you learn. You choke, you learn. You laugh, you learn. You choose, you learn. You pray, you learn. You ask, you learn. You LIVE, you LEARN".

Quero que volte a ser tudo cor-de-rosa outra vez... sei que vai voltar a ser, só quero que o tempo passe mais rápido.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

De 2012.

Só um pensamento para este início de ano: se for tão bom como está a ser o início, o meu ano está mais que GANHO.

Erasmus Orgasmus.

Não é um mito urbano. É bem verdade.

[tenho a sensação que este é o post mais pequeno que alguma vez escrevi e escreverei neste blogue. mas é que não há mesmo mais nada a dizer... é nestas alturas que levanto os braços ao céu e agradeço o facto deste blogue ser privado e só pessoas de confiança poderem lê-lo, pá].

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

They survived Amsterdam.

Dia 30 de Dezembro, foi o dia em que tudo começou. A Sara, o Jan, a Vera e o Alexandre chegaram para me visitar para a Passagem de Ano e uns dias que se provaram lendários... certamente corresponderam e até superaram as expectativas :D

Queria escrever algo de jeito, mas a verdade é que as palavras não me saem. Foram 5 dias tão, mas tão inesquecíveis... tão intensos, e life-changing, e tudo de tudo, tudo tão tão! (Saíram de cá a dizer que tinha sido demais e que não percebem como eu aguento esta vida sempre...eheheh).

Enfim... hoje, ao voltar para casa e encarar o meu quarto vazio, foi um aperto no coração... Já estava habituada à companhia deles, ao meu quarto estar sempre cheio e desarrumado e, sobretudo, bem sujo. Habituada ao barulho, ao dormir 3 horas por noite, ao rir-me por tantas horas seguidas.

Assim que hoje estou meio melancólica. Mas tão grata por termos tido estes dias... Parece que passaram anos, de tanta coisa a acontecer, com tal intensidade! Quando eu escrevo isto, é difícil transmitir para "fora", para o "mundo real", o que eu vivo aqui a cada dia. Como eu digo, não há nada como passar pelas coisas para percebê-las verdadeiramente, na sua essência- A Vera e o Alexandre, particularmente, finalmente perceberam o que eu sempre quis dizer com "intensidade". É tanta, mas é de um grau tal, que no fim, de tanto cansaço e exaustão, eles já só diziam "quero voltar para a realidade, mas a verdade é que a realidade nunca mais será a mesma". E é bem verdade. Há experiências, pelas quais passámos aqui, que mudam completamente a nossa forma de ver as coisas. E ela nunca mais muda!

Uma coisa é certa: esta experiência erasmus está a ser life-changing, desde o dia 1. Mas o facto de ter tido aqui os meus melhores amigos fez-me aperceber ainda mais do quanto eu mudei, do quanto a minha perspectiva acerca das coisas realmente mudou. Tanto, que é quase difícil de acreditar. Acima de tudo, eles representam a ligação que tenho entre o passado e o presente. Tê-los aqui, tendo sido a última vez que os tinha visto ainda em Lisboa, abriu-me os olhos acerca de como eu mudei. No sentido de que, da última vez que os tinha visto, a minha vida estava no polo oposto ao que está agora. Foi um mix desta wonderland em que vivo, com a realidade que deixei para trás. Realizei muitas coisas com a presença deles aqui, sendo uma delas o quão eu aprendi a filtrar as companhias e as amizades na minha vida, sendo que eles são das poucas constantes nela. E onde quer que eu esteja, e como quer que eu esteja, estar com eles "feels like home". E a conexão que temos é tão fluída e contínua no tempo e no espaço, que não importa nada se, realmente, não nos olhámos uns aos outros nos olhos em 4 meses. Apercebi-me de que criei amizades desse tipo aqui, em erasmus, pessoas com as quais sei que não importa que se passem anos, os re-encontros vão ser como uma conversa sempre inacabada; mas que a Vera e o Alexandre são os meus irmãos.

Sabem que mais? Apetece-me chorar... não de tristeza (ok, também um pouco, que odeio despedidas), mas de tanto que se passa dentro de mim. Tanto, tanto! Das muitas conclusões a que cheguei nestes poucos dias, uma delas é a de que já consigo vislumbrar duas coisas: a mini-depressão pela qual vou passar quando este semestre acabar e chegar a altura de transição para o 2º semestre, o que acaba sempre por ser um "segundo erasmus"; e a major-depressão pela qual vou passar quando o ano e o meu erasmus acabar. Só queria ter o poder de congelar certos momentos que aqui passei, para sempre. Serão sempre eternidades na minha memória, mesmo que tenham sido apenas minutos ou mesmo segundos, ou mesmo apenas uma palavra, um riso, um sorriso, um gesto. Estou num ponto tão, mas tão "high" da minha vida, que chego a ter a sensação, por vezes, que nada poderia melhorar. E que, portanto, voltar à realidade vai ser um "low". Não quero. Não quero.

Algumas fotografias destes 5 dias inesquecíveis...