quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

They survived Amsterdam.

Dia 30 de Dezembro, foi o dia em que tudo começou. A Sara, o Jan, a Vera e o Alexandre chegaram para me visitar para a Passagem de Ano e uns dias que se provaram lendários... certamente corresponderam e até superaram as expectativas :D

Queria escrever algo de jeito, mas a verdade é que as palavras não me saem. Foram 5 dias tão, mas tão inesquecíveis... tão intensos, e life-changing, e tudo de tudo, tudo tão tão! (Saíram de cá a dizer que tinha sido demais e que não percebem como eu aguento esta vida sempre...eheheh).

Enfim... hoje, ao voltar para casa e encarar o meu quarto vazio, foi um aperto no coração... Já estava habituada à companhia deles, ao meu quarto estar sempre cheio e desarrumado e, sobretudo, bem sujo. Habituada ao barulho, ao dormir 3 horas por noite, ao rir-me por tantas horas seguidas.

Assim que hoje estou meio melancólica. Mas tão grata por termos tido estes dias... Parece que passaram anos, de tanta coisa a acontecer, com tal intensidade! Quando eu escrevo isto, é difícil transmitir para "fora", para o "mundo real", o que eu vivo aqui a cada dia. Como eu digo, não há nada como passar pelas coisas para percebê-las verdadeiramente, na sua essência- A Vera e o Alexandre, particularmente, finalmente perceberam o que eu sempre quis dizer com "intensidade". É tanta, mas é de um grau tal, que no fim, de tanto cansaço e exaustão, eles já só diziam "quero voltar para a realidade, mas a verdade é que a realidade nunca mais será a mesma". E é bem verdade. Há experiências, pelas quais passámos aqui, que mudam completamente a nossa forma de ver as coisas. E ela nunca mais muda!

Uma coisa é certa: esta experiência erasmus está a ser life-changing, desde o dia 1. Mas o facto de ter tido aqui os meus melhores amigos fez-me aperceber ainda mais do quanto eu mudei, do quanto a minha perspectiva acerca das coisas realmente mudou. Tanto, que é quase difícil de acreditar. Acima de tudo, eles representam a ligação que tenho entre o passado e o presente. Tê-los aqui, tendo sido a última vez que os tinha visto ainda em Lisboa, abriu-me os olhos acerca de como eu mudei. No sentido de que, da última vez que os tinha visto, a minha vida estava no polo oposto ao que está agora. Foi um mix desta wonderland em que vivo, com a realidade que deixei para trás. Realizei muitas coisas com a presença deles aqui, sendo uma delas o quão eu aprendi a filtrar as companhias e as amizades na minha vida, sendo que eles são das poucas constantes nela. E onde quer que eu esteja, e como quer que eu esteja, estar com eles "feels like home". E a conexão que temos é tão fluída e contínua no tempo e no espaço, que não importa nada se, realmente, não nos olhámos uns aos outros nos olhos em 4 meses. Apercebi-me de que criei amizades desse tipo aqui, em erasmus, pessoas com as quais sei que não importa que se passem anos, os re-encontros vão ser como uma conversa sempre inacabada; mas que a Vera e o Alexandre são os meus irmãos.

Sabem que mais? Apetece-me chorar... não de tristeza (ok, também um pouco, que odeio despedidas), mas de tanto que se passa dentro de mim. Tanto, tanto! Das muitas conclusões a que cheguei nestes poucos dias, uma delas é a de que já consigo vislumbrar duas coisas: a mini-depressão pela qual vou passar quando este semestre acabar e chegar a altura de transição para o 2º semestre, o que acaba sempre por ser um "segundo erasmus"; e a major-depressão pela qual vou passar quando o ano e o meu erasmus acabar. Só queria ter o poder de congelar certos momentos que aqui passei, para sempre. Serão sempre eternidades na minha memória, mesmo que tenham sido apenas minutos ou mesmo segundos, ou mesmo apenas uma palavra, um riso, um sorriso, um gesto. Estou num ponto tão, mas tão "high" da minha vida, que chego a ter a sensação, por vezes, que nada poderia melhorar. E que, portanto, voltar à realidade vai ser um "low". Não quero. Não quero.

Algumas fotografias destes 5 dias inesquecíveis...








































































































sábado, 31 de dezembro de 2011

De 2011.


Se me perguntarem o que mudaria neste ano que passou e está quase a acabar, a minha resposta seria: Nada.

Só quero que o ano de 2012 seja uma simples continuação daquilo que foram os últimos 4 meses de 2011.

Achei por bem escrever isto aqui neste blogue: afinal, estes 4 meses aqui em Amesterdão valeram pelos restantes oito, senão mais! É a minha nova vida, e espero que assim continue até Julho de 2012.

2012 é MEU! Vou conquistá-lo :)

Bom 2012... Eu vou só ali divertir-me até de manhãzinha, e volto já.

[Esta noite vai ser lendária, quer-me cá parecer... a companhia também não podia ser melhor.]

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Experiências a ter em Amesterdão #1

Já devia ter começado uma série de post's com este título há uma data de tempo. As experiências que tive aqui, sobretudo pela primeira vez (graças à minha nova filosofia de todos os dias, algo novo), já não chegam para contar com os dedos de uma mão, acho que nem das duas já...

Ainda assim, esta experiência, só mesmo em Amesterdão... Ok, não só mesmo, mas ser aqui tem um gostinho especial:

Assistir a um espectáculo de sexo real ao vivo
(Live Sex Show).

Checked! 

Fora de brincadeiras, o facto de me guiar por esta minha nova filosofia de "todos os dias, algo novo" (com limites, claro, que tudo tem limites, apesar dos meus serem bastante largos e de eu ser uma pessoa aberta a novas experiências) não é só para dizer que fiz, que estive, que passei, que vi... É mesmo, mesmo, uma forma de ganhar experiência e de, sobretudo, crescer. E se formos a falar em crescimento... Oh, o que tenho crescido. :)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A vida acontece tão rápido.

Desde o dia 22 de Agosto de 2011: parece que o meu relógio está a funcionar mais rápido do que na realidade.

Nesta realidade, que não encaro como sendo a minha realidade mas sim um ano excepcional (-mente maravilhoso), o tempo passa mais rápido do que o normal.

Juro. Uma pessoa aqui, basta acordar e sair à rua, e já há uma história para contar. Nestes quase 5 meses que se passaram, no calendário real, para mim passou um ano. Tudo mudou... A minha vida, a minha forma de pensar, a rapidez com que gasto dinheiro (lol), até a rapidez com que mudo de estilo. No outro dia, o Kangkai disse-me qualquer coisa como "do you remember when you used your hair like this" (e depois explicou como: quando vim para cá, utilizava o cabelo desta forma: prendia a franja com ganchos no topo da cabeça; até isso mudou! agora uso o cabelo de forma diferente); quer dizer, a gente diz "lembras-te quando usavas o cabelo assim" quando já passou imenso tempo e não víamos a pessoa há que tempos! Ou o simples facto de ter começado a usar brincos, coisa que não usava nunca; até a Vera, no skype, consegue ver o quanto mudei. São pequenas coisas, a forma como prendia a franja e usar brincos, são quase insignificantes, mas são apenas sinais de como as coisas se processam aqui. É tudo tão rápido.

Um exemplo clássico: a forma como as relações evoluem. Todos sabemos que uma amizade duradoura e verdadeira pode levar meses e por vezes até mesmo anos a construir, mas aqui, demora, se for preciso, semanas. Com o tempo, as amizades passam por fases menos boas, até que podem desvanecer de todo; como é que eu, em 5 meses, consegui criar amizades para a vida, pessoas que se tornaram mesmo numa família para mim, e com outras, com quem a amizade parecia ser tão boa, desvaneceu? E a paixão? Apaixonar-me tão intensamente num período de 2 semanas. Na realidade, teria demorado, no mínimo, um mês, para uma coisa destas se desenvolver. Uma coisa assim tão forte como aquela que estou a viver.

E quando falo com as pessoas em Portugal, tudo parece congelado. Nada mudou, nada desenvolveu, nada evoluiu. O meu pai veio cá pelo Natal e eu, ao perguntar o que se passava por Lisboa, na vã esperança de ouvir novidades excitantes: nada. Literalmente, nada. Amigos, no facebook: nada se passa. Nada acontece.

Na realidade, é como as coisas acontecem em Lisboa, que sempre acontecem. Devagar, levam tempo, é a vida real. Nesta minha realidade, à qual eu gosto mais de chamar wonderland, é que é "anormal". É demais, é tudo tão intenso e rápido... Cada semana, dia, hora, minuto que passam, tudo pode mudar, e de facto, tudo muda.

Não escrevo isto em tom de crítica ou de ser algo que não gosto. Porque, epa... eu adoro.

Vai custar-me tanto, mas tanto, voltar àquela minha realidade de antes. A realidade em que nada acontece, ou acontece no tempo normal, no tempo em que um minuto tem 60 segundos e não 240. O tempo vai parecer congelar, para mim. Às vezes, e confrontada com a rapidez com que as coisas acontecem aqui (rapidez, imprevisibilidade, espontaneidade, e por aí fora, circunstâncias às quais já estou mais que habituada), até penso como é que alguma vez consegui viver naquela minha realidade de antes, em que nada acontecia, ou tudo acontecia bem mais devagar.

 Mas bom, isto serve-me de um consolo imenso: ainda tenho até Junho ou Julho para viver esta wonderland e... quero, vou e estou a aproveitá-la. :)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Algumas coisas sobre Amesterdão (e um pouco, só um pouquiiinhoooo de história).

Encontrei no meu computador uns vídeos, que gravei com o meu telemóvel num museu, numa exposição de uma curta-metragem sobre a história de Amesterdão. A minha mais sincera intenção era colocá-los aqui, mas ficaram demasiado grandes - e o carregamento quer para o blogger, quer para o youtube, demorava demais... e se há coisa que não tenho é paciência para esperar. De qualquer forma, os vídeos só mostravam imagens de Amesterdão nos anos 50 e 60 (LOVELY), e de quando construíram a nova parte da cidade, os subúrbios, por sobrepopulação na cidade.

Agora, alguns factos e um pouco de história:

Como já toda a gente sabe, Amesterdão é a cidade capital política da Holanda, onde vive a Rainha dos Países Baixos, Beatriz Guilhermina Armgard. Dia 30 de Abril é um feriado nacional, The Queen's Day. É mesmo uma grande celebração à qual todo o mundo adere e celebra nas ruas, todo o mundo com roupas cor-de-laranja e tudo cor-de-laranja (cor do país). Adoro. Quero voltar cá para os meus anos (também em Abril) e para isso :D

O nome vem do rio Amstel, o rio que atravessa a cidade e se distribuir pelos seus inúmeros canais, que fazem uma forma de meio-círculo pela cidade, visto de cima. Ao início, a cidade era "Amsteldam", mais tarde é que passou para "Amsterdam".

Conhecida pelo red-light district, as coffeshops e a mente liberal em relação à sexualidade e utilização de drogas leves, Amesterdão é, no entanto, muito mais do que isto: são os inúmeros museus, os moinhos ("windmills"), os prédios estreitos (tão estreitos que a mobília é transportada para dentro da casa através de uma espécie de guinê pendurado no telhado, e entra pela janela, pois não cabe pela porta de entrada nem escadas...), os canais - e os cafés, restaurantes, parques e afins à beira dos canais, cenário altamente romântico! -, as casas-barco, as janelas decoradas com flores, e as bicicletas, que são mais que as pessoas (isto parece mentira, mas é mesmo verdade, está provado que em Amesterdão existem mais bicicletas do que pessoas!!!), e também o esquecer-se de que não se pode andar nas ciclovias (bike lane), a menos que se queira ser atropleado por uma bicicleta ou que se queira ouvir umas asneiras furiosas em holandês. É o famoso tram, é o Vonderlpark, o Westerpark, a Damsquare, a Centraal Station, o Museumplein, as letras "I AMSTERDAM", a Leidseplein, a Rembrantplein, e todos os completamente encantadores locais e sítios recônditos. :)











Toda a cidade - e também todo o país, daí ser também denominado de "Países Baixos" - é construída em cima da água, ou melhor, em cima de tábuas de madeira em cima da água. Pois, este país foi totalmente conquistado ao mar, com diques que "expulsavam" a água para  fora. O que faz com que (tentem imaginar isto), a cidade esteja toda abaixo do nível do mar. Ou seja, é como se tivessemos mar, diques ("paredes"), e uma cidade lá dentro. Como um castelo. Lindo!

Durante a 2ª GM, como todos sabemos, em 1940, a Alemanha invadiu a Holanda, tomando-a e instalando o regime nazi. Roterdão, a título de exemplo, foi uma cidade totalmente bombardeada. Sinto-me obrigada a referir aqui a questão da perseguição aos judeus, pois é um tema que me fascina. E a Anne Frank... (sem mais palavras).

O clima é uma porcaria - está quase sempre frio e a chover; mas o pior nem é isso, desde que seja constante e uma pessoa saiba o que esperar! O pior é a imprevisibilidade do tempo. Pode estar um sol e um calor que não se pode às 14h, e às 15h estar a chover. E uma pessoa fica sem saber o que há-de vestir. Como a Ivone diz: "tens que te vestir às camadas". Roupa de Verão por baixo, roupa de meia-estação no meio, e um casaco bem quente de Inverno. Só mesmo assim.

Amesterdão tem, por fim, um ambiente altamente internacional. Pessoas dos mais variados locais do mundo. E toda, mas toda a gente (sem excepção) fala inglês. Até pessoas idosas! Para muito espanto meu...

Fora o tempo, que é a coisa que mais detesto aqui, sinto-me em casa nesta cidade. Adoro tudo e apesar de já terem passado 2 meses, ainda não me cansei. Sinto que ainda tenho tanto, tanto mais para descobrir e explorar. :)

[[[[ Este post já foi escrito há imenso tempo... Data de Setembro nos rascunhos do blogger. Foi quando cheguei (ou pouco tempo depois) e tudo era muito novo, eheheh. Agora está um bocado desactualizado, eu mudaria algumas coisas, mas... vou ser fiel ao original. Até porque não me apetece agora mudar coisas. Eheheh. ]]]]

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Pensamento das 2h40.


Faltam menos de 48 horas para ele voltar de casa, onde foi passar uma semana (bolas! é ambicioso) de natal.

Sinto tanta falta do perfume dele... do toque, do beijo, da voz, do falar alemão de uma forma sexy que eu até passei a gostar um bocadiiiiinho do idioma (dantes, detestava).

God, ainda bem que ele não tem acesso a este blogue. Já lhe abri o meu coração, ele já abriu o coração dele comigo, mesmo assim, eu sou orgulhosa. Sou uma mulher do signo Touro... Não gosto de admitir os meus sentimentos assim desta forma (só em ocasiões especiais, o que ainda é mais especial).

Uma mensagem dele a dizer que sente falta que eu o empurre para fora da cama durante a noite quando estou a dormir, ou uma mensagem a contar-me como tem sido o natal dele, faz o meu corpo todo estremecer. Acho que, sem exageros, o meu coração bate mais forte. Parece que quer saltar cá para fora. Paixão???? Uhhh... Há tempos que não a sentia assim. Tão forte. Tipo estalo. Só penso no momento em que o vir a entrar pela porta do meu quarto adentro, no momento em que vou dizer-lhe "welcome back sweetie" e ele me vai beijar apaixonadamente e... pronto. E esse momento provoca-me sempre estalinhos e um quentinho agradável na barriga, e sorrio sozinha feita parva. Sei que esta descrição parece um filme, mas é que é mesmo assim que acontece sempre (ok, menos o "welcome back", porque nunca fico mais do que 3 ou 4 horas seguidas sem o ver todos os dias). Quando eu digo que a minha vida é um filme, não estou a brincar. Então não é que, no outro dia, o miúdo me leu o pensamento? Estávamos deitados a fumar e a ouvir música e ele diz "this is like a movie scene".

Mal posso esperar para voltar àquela rotina aconchegante que é acordar ao lado dele todos os dias e ter um choco-cappuccino na cama.

Nunca pensei que me pudesse sentir tão bem cá, tão feliz, tão preenchida, tão cheia, tão completa, tão aconchegada... Amesterdão ainda não parou de me surpreender. E só com coisas boas, que me enchem a alma. Devo muito desta felicidade esmagadora, a ele. Sei que talvez seja exagero, que sou fundamentalista e over the top, que vou sofrer quando ele for embora de vez no fim de Janeiro (vou morrer, e este blogue vai ficar deprimente, que eu quando estou triste escrevo ainda mais do que quando estou feliz, aviso já), mas a verdade é que assim sou, sempre fui... Intensa, emocional, "passionate", assim. E quando me apaixono, então, ninguém me tira a teima.

Mais vale assim, do que não sentir nada e ver a vida e estas inesquecíveis pequenas grandes experiências passarem-me à frente... :) Prefiro sofrer mais tarde, pela magia que estou a viver agora.