quarta-feira, 11 de abril de 2012

Home, sweet home . Ou: apreciar o local de onde vim.




O senso comum diz: só damos valor às coisas quando deixamos de as ter por perto. 

E eu, não podia concordar mais… Desde que estou a viver na Holanda, por sensivelmente 8 meses agora, que dou muito mais valor à minha cultura do que alguma vez dei.
Nunca ouvi tanta música portuguesa (não entender música portuguesa como música popular ou pimba, por favor), por exemplo, como oiço desde que não vivo em Portugal. Um simples poema de Fernando Pessoa deixou de ser algo que eu tive de estudar e ler na escola, para passar a ser algo que leio com muito mais gosto do que antes. Vejo a minha própria língua, nativa, de uma forma totalmente diferente. Consigo achar-lhe uma beleza que dantes não achava… E preciso sentir esta ligação!
E a comida? Se há coisa que não gosto nos países baixos, é mesmo a comida. É tudo demasiado processado! E tudo frito… arrrggg, o cheiro a fritos já me enjoa de forma de tal, não consigo mais ver nem batatas fritas à minha frente. Tenho tantas saudades de comer um salmão grelhado, com batatas e salada… Tantas saudades de um bacalhau bem feito, de uma feijoada de empaturrar, e outras coisas que tal! Detesto os supermercados na Holanda, são tão processados! A área de vegetais e fruta fresca, por exemplo, é menor do que a área em que já tudo está descascado, cortado, embalado e quase mastigado. Não é que eu tenha o hábito de comprar vegetais frescos e cortá-los, mas há um certo encanto pelo menos naqueles mercados de rua que vendem produtos frescos, incluindo vegetais e peixe (não enlatado ou embalado, como é sempre aqui!). A sério, Amsterdão nem parece uma cidade europeia. Uma pessoa vai ao centro da cidade e parece a América: a cada 5 metros há um McDonalds ou um Burger King.

Estou a criar esta ligação nova com a minha própria cultura, que nunca tinha criado… a música, a língua e a comida são apenas exemplos. Quando fui a Lisboa por uma semana, fartei-me de tirar fotografias da cidade…sim, eu sei, é parvo e demasiado turista…mas a verdade é que me senti uma verdadeira turista, alguém apenas de visita e não quem viveu lá por 21 anos.

Sim, o senso comum diz, e tem toda a razão: só damos valor às coisas quando deixamos de as ter por perto. A habituação era tanta que nunca soube apreciar um passeio pelo Chiado com o clássico fado a tocar nas ruas. Nunca soube apreciar bem um passeio em Belém ou subir até ao miradouro do Bairro Alto e ver toda a cidade de Lisboa bem de alto, com o Castelo de S. Jorge num dos picos…

Adoro Amesterdão, disso não há dúvida. Mas se houve coisa que aprendi com esta mudança na minha vida, este ano a viver noutro país, foi mesmo que tenho tanto orgulho do local de onde vim, independentemente dos locais por onde passei e ainda vá passar na minha vida!

Serei sempre, sempre, de Lisboa, e Lisboa será sempre, sempre, a minha cidade. A minha cidade número 1. Longe de casa, mas sempre no coração :)

(agora vou só ali aproveitar os 3 meses que ainda tenho em Amesterdão).

terça-feira, 10 de abril de 2012

Da onda de azar que estou a ter. Ou: como assassinar peixes que temos como animais de estimação em 24 horas.


Não gosto de acreditar em sorte, mas isto só pode ser... o meu vizinho Carmine disse-me "I don't believe in luck, you are responsible for everything that happens to you...". Por esta ordem de ideias, eu fui tão, mas tão descuidada, "so then, I failed too much in only 24 hours", porque: perdi o telemóvel (ou deixei-o em casa do Jan, who knows), apanhei o inspector de bilhetes no metro exactamente num dia em que não paguei (não tinha o cartão carregado porque não estava em Amesterdão a semana passada, e agora tenho pouco dinheiro e queria poupar, e eram só 2 estações, e os controlos nunca aprecem.... tinha de ser hoje), e deixei um dos meus peixes de estimação, que o Eugene me deu ontem, morrer. Eles eram tão lindos... agora só um deles (o de trás).



A minha sorte nesta onda de azar foi ter aqui o Jan. O Jan é uma pessoa tão fantástica e positiva, que mesmo quando eu estava a ser portuguesinha e a queixar-me de tudo e que a minha vida é uma porcaria, ensinou-me a ver as coisas por outra perspectiva: isto não é azar, apenas oportunidades para aprender (mais que não seja, a não ser tão descuidada das próximas vezes). E como é tudo ou irremediável (como a morte do peixe, ou a "multa" no metro), o que posso eu fazer mais? Rir... (e o que nos rimos hoje à pala desta história toda!). Ahh... o Jan é como um irmão para mim. Adoro a forma diferente com que ele me faz encarar as coisas, no fim do dia. Adoro como ele me transmite energias tão positivas e me faz acreditar que "tudo vai ficar bem".

segunda-feira, 9 de abril de 2012

If I kiss you where it's sored.



Dia para dia me surpreendo com as pessoas a minha volta e o que aprendo com elas. Quando me apercebi de que perdi o telemovel, hoje (ou pelo menos nao o encontro em lado nenhum, pode ser que um dia apareca, mas para todos os efeitos), e tudo estava a correr mal e eu desabafei com o Jan e disse "ai, esta tudo a correr mal, estou sem dinheiro, e o ultimo dia que vou estar com o Marcel ate ao fim do mes o que por si so faz deste dia, um dia triste, um dia em que, para variar, temos de nos despedir numa estacao de comboios, e agora paea finalizar fiquei sem telemovel!", e o Jan me disse "oh claudia... you didn´t really lose anything. You may have lost a phone and money, but are you aware of what you won this past weeks? You won stories to tell, experiences, unique moments in your life that are priceless. One day, this phone will have no matter to your life, you will have lots of phones; but the memories you created and have been creating this time, those will last forever". Fiquei sem palavras, porque e tudo tao verdade... Fogo, nao ha telemoveis nem "tudo a correr de acordo com o plano inicial" que paguem estas experiencias. As historias que tenho para contar aos meus filhos e netos, e as milhentas fotografias, tiradas aleatoriamente em momentos que vao durar para sempre, porque foram tao unicos. Ganhei tao mais do que perdi. Nao so nestas ultimas semanas, mas especialmente nestes ultimos MESES!

Sim, hoje tudo estava a correr mal e so o pensamento de ter de voltar a vida real, perder 2 horas e tal dentro de um comboio e depois ainda ter de limpar, ir ao supermercado, cozinhar, desfazer malas, procurar melhor o meu telemovel e rezar para que apareca, por roupa a lavar, organizar, imprimir, estudar, ... so o pensamento revoltava-me o estomago. Mas acima de tudo nao me posso queixar e se houve coisa que aprendi foi sempre a olhar para o lado positivo das coisas... adoptando a forma de pensar do Jan – que me contagiou – nada foi em vao, nada foi de desperdicio e nao ha lugar para arrependimentos nem sequer preocupacoes em demasia. Hoje, vou dar o meu melhor, para que tudo de certo, e mesmo se nao der... bolas, tive umas ferias da pascoa a maneira! ;)

E um vídeo que fizemos na estação de comboios...

 
São estas coisinhas, assim, que não têm preço... :)

Estou de volta a Amesterdão e às pequenas coisas que aqui me fazem feliz, e sentir em casa!

sábado, 7 de abril de 2012

Enschede, Munster, e outras coisas.



É tão bom, ter as oportunidades que tenho tido na vida. Este ano está a ser definitivamente o melhor da minha vida até agora. Sabe-me tão bem ter as pessoas que tenho ao meu redor. O Marcel, o Jan, a Vera, o Alex, a Sara, a Roos... Todos os dias dou graças aos céus (não a deus, que não acredito, mas isso são histórias para outra conversa), por ter a oportunidade de ter mais um dia e poder aproveitar a vida que me foi oferecida e proporcionada. Ter os pais que tenho (sobretudo o grande pai que tenho) que sempre investiram em mim... para que eu pudesse crescer de forma saudável, uma preocupação constantemente com o meu bem-estar. Graças a eles hoje sou a pessoa que sou. Não sou pessoa de pensar no passado ou fazer retrospectivas e achar que devia ter feito assim ou assado. Raramente me arrependo de algo, acho que tudo o que passou e aconteceu tem uma razão de ser, sou uma pessoa bem mais present-oriented, mas de qualquer forma, não posso deixar de olhar para trás de vez em quando, e pensar que tive tudo do bom e do melhor. Apesar da minha família ser completamente desequilibrada, nem toda a gente tem o privilégio de ter nascido saudável, ter sempre comida na mesa e um sítio onde ficar, ter andado nas melhores escolas, ter tido a oportunidade de experimentar de tudo um pouco para descobrir aquilo que gosto e quais as minhas paixões na vida, ter tido a oportunidade de viajar, de conhecer, de cultivar-me. Conhecer as pessoas que tenho conhecido, amigos que vão ficar certamente para a vida. Amigos que me viram crescer neste último ano, que cresceram comigo, e com quem partilhei tantos momentos, que não têm preço. Ter a oportunidade de estudar no estrangeiro, de viver no estrangeiro, de passar fins-de-semana em países vizinhos porque tenho sempre amigos e locais onde ficar. Sim, sou uma pessoa privilegiada. Como todo o mundo, tenho os meus problemas (em relação quais, no entanto, aprendi a relativizar o peso da palavra "Problema"), os meus issues, os meus momentos down, por vezes irrito-me com a vida, comigo mesma, não me suporto, tenho crises de mau humor, escrevo textos e poemas revoltados. Mas sou uma pessoa de sorriso e riso fácil, um encontro inesperado com um vizinho ou uma sessão inesperada de skype são um boost no meu humor, no meu dia, felizmente tenho pessoas e condições que me permitem ir dormir com um sorriso nos lábios todas as noites. 



Escrevo isto porque apesar de ter tudo a meu favor e ser uma miúda privilegiada, como nem os meus pais foram, ultimamente tenho tido alguns episódios um bocado para o depressivos; tenho andado a escrever imenso sobre coisas que só a mim me passam pela cabeça (e só eu sei o quanto escrevo e o quão profundo eu consigo escrever quando estou infeliz ou insatisfeita com algo). Mas também tenho estes momentos de felicidade, de gratidão, clarificação, de limpeza mental, de "tudo vai ficar bem, tudo é bom, e tu tens uma vida da qual não te podes queixar"!



Sou hoje uma pessoa totalmente diferente da que era há 7 meses atrás. Sou hoje uma pessoa melhor e não acho que o trabalho está todo feito - ainda tenho muito que crescer, mas estou satisfeita com o outcome dos últimos meses. Sou hoje a pessoa mais feliz do mundo porque finalmente aceitei em paz muitas coisas que nunca tinha aceite antes. Muitos assuntos que tinha pendentes, ou que achava que eram pendentes, na minha mente. Imaginários! De vez em quando esses pensamentos voltam, tipo fantasmas. E de vez em quando eu deixo dissolver-me neles e deixo que eles tenham poder na minha mente. Mas aprendi a controlar isso bem melhor do que antes.

Neste momento estou em casa do Jan, um dos meus melhores amigos (que basicamente considero irmão), em Enschede. Acabei de passar duas semanas em Munster (Alemanha), a cidade onde o Marcel vive. Nestas duas semanas a nossa relação desenvolveu de tal forma, que eu nunca pensei. Conhecer a família dele e chegar ao ponto de ver mestrados em Lisboa, em Munster, ou noutras cidades para que possamos ficar juntos. Discutir factores como qualidade de vida, estado geral do tempo, língua, custo de vida e outros factores práticos que têm de ser bem pensados antes de uma mudança assim. Um pouco de planeamento para o futuro e motivação para tal. O meu alemão melhora de dia para dia e para ser sincera, até começo a gostar da língua (dantes, detestava). Estou tão motivada a aprender alemão como uma 3ª língua. Não só por motivos claramente pessoais (melhores amigos e namorado alemães, estou rodeada disto! lool), mas até mesmo profissionalmente, saber 3 línguas, das quais pelo menos duas tenho total fluência (português e inglês) não tem nada de desvantajoso, muito pelo contrário. O Jan perguntou-me se eu estou preparada para "settle down". Se não serei demasiado jovem. A resposta saiu-me naturalmente, e para mim é mais que natural. Eu até posso ser jovem, 22 anos ainda por fazer, mas não acho que a idade seja um factor tão importante assim. Eu tive a minha dose de experiências. Tive ambas relações sérias e coisas menos sérias,desde bastante cedo (15 ou 16 anos), que me permitiram aprender o que quero e o que não quero numa relação. Foram 6 anos de experimentação e aprendizagem, já passei essa fase. Não quero mais andar a experimentar, porque encontrei algo que, desta vez sim, encaixa comigo. E o que nós temos é tão raro e tão especial e único, e difícil de encontrar... por que haveria eu de procurar por algo mais ou algo diferente? Não estou, com isto, a dizer que vamos ficar juntos para sempre ou que eu nunca mais vou querer estar com ninguém, obviamente. Mas por agora, a prospectiva é bastante positiva. Se tudo correr como queremos, e há-de correr, o meu foco agora é mesmo em investir nesta relação. Investir nela porque ela me dá algo em troco. O que eu sinto nesta relação é diferente, único, senão mesmo MELHOR, do que alguma vez vivi numa relação.

O meu grande amor! :)

Anyway, as I was saying, estou para aqui a escrever isto (e é tanto, o meu problema é sempre querer escrever tudo, mas nunca consigo... ainda me hei-de esquecer de algo, mas enfim), porque estava a olhar para as fotografias que tirámos nestas semanas. Não há outra opção senão sentir-me feliz ao ver isto... Ter a oportunidade de viver estas pequenas coisas! Apesar de só voltar a Amesterdão na 2ª feira de manhã (as minhas aulas já começam na 3ª e tenho um exame na semana seguinte!! ahhh :P ), achei por bem descer um pouco à terra, sair da nuvem de felicidade amigos e paixão em que tenho andado e abir a agenda e fazer um pouco de planeamento para a universidade. Estas duas semanas de férias (intervalo entre períodos e páscoa = duas semanitas de férias uhuh, vida de estudante é do melhor!!) souberam-me pela vida, andar a passear é sempre bom, ainda para mais com este tempo quentinho de início de Primavera, mas agora é tempo de voltar a concentrar-me. A minha reacção inicial foi de "ooohhh nãããoooo, tantas coisas para fazer e com que me preocupar"; mas depois pensei, que até mesmo isto, é algo bom na minha vida. Ter a oportunidade de estudar numa universidade prestigiada, no estrangeiro, é só uma oportunidade que tanta gente gostaria de ter e não tem. Sim, tenho de estudar horas e horas sobre as coisas mais chatas e menos interessantes da psicologia, como história. Mas resolvi mudar a minha atitude em relação a isso, parar de ver como algo mau, mas sim como uma oportunidade de aprendizagem. Além disso, é só uma cadeira... As outras são todas interessantes, como Psicologia da Religião e Psicologia do Desenvolvimento (com crianças), e Psicologia do Marketing (do consumidor). Sim, tenho de ler e escrever e escrever e escrever (bom, ao menos escolhi o curso certo!), mas ao menos são coisas que realmente me interessam, é uma das minhas paixões, e por isso dá-me até um certo gozo. 12 dias seguidos de universidade, aulas, e mais do que muitos trabalhos e estudo, mas tenho algo para "looking forward to". O meu aniversário está aí, é no fim deste mês, e vai ser fantástico! (cheira-me que vai ser o melhor até agora, eheheh). Gosto quando é assim, gosto de ter esta estrutura na minha vida: há tempo para trabalhar, há tempo para descansar, há tempo para a diversão. Devo dizer que neste último ano foi bem mais tempo de diversão e descanso do que trabalho, mas acho que isso fez parte da minha primeira parte de Erasmus. Acho mesmo que assim teve de ser para que eu pudesse experimentar a vida Erasmus no seu "fully. Não me arrependo. Mas também sei que foi uma experiência, foi um semestre, já provei, já sei como é, e agora no 2º semestre tenho de voltar um pouco à terra (apesar da "terra" aqui ser uma espécie de paraíso). E sabe-me tão bem ser produtiva um dia inteiro, trabalhar no duro, mas poder relaxar à noite, com amigos, jogos de cartas, uma boa conversa antes de dormir, saber que dei o meu melhor para esse dia e posso dormir de consciência tranquila, sabendo que tenho outro dia à minha espera e total controlo sobre ele. Sabe-me bem concentrar-me para a universidade durante 2 semanas, intensivas, fazer o máximo que conseguir, estudar o máximo que conseguir, mas depois ter um fim de mês óptimo com o meu aniversário e o queen's day (o feriado mais importante na Holanda) na mesma semana!

Enfim, são as pequenas coisas que me fazem feliz assim. Não é ser rica ou bonita, não é sobre fama nem popularidade, nem dinheiro nem beleza, nem todos esses valores falsos que infelizmente são promovidos na nossa sociedade de hoje. São as insignificantes coisas que nos rodeiam e que são grátis, as quais nunca sabemos aproveitar, tirar o melhor delas, ser feliz com elas só porque temos o privilégio de as ter. É o livro que estou a ler de momento (recomendo, é espectacular), "The Geography of Time", são as viagens, as city trips, o meu grande amor por quem me apaixono mais e mais todos os dias, os amigos fantásticos com quem mantenho contacto, é vê-los crescer na vida comigo, vê-los a conseguir algo que sempre quiseram (por exemplo, ontem o Alexandre deu o seu primeiro concerto numa banda!), é o sentimento de accomplishment e orgulho que sinto em relação a eles, é ter pessoas tão inspiradoras e que me ensinam sempre algo novo de dia para dia, é o Verão chegar, é adorar o curso que estou a seguir e o que estou a estudar, são os meus vizinhos, o quadro que temos na cozinha e no qual todos os dias escrevemos a "word of the day" em todas as línguas que existem no nosso andar, é andar de bicicleta num dia de sol e descobrir novos sítios em Amesterdão, é deitar-me num parque ao sol a ler, é ir a um museu, a uma loja original, a uma coffeeshop... é... enfim, vida! :)

Sim... gosto da vida que estou a levar, e não tenho razão de queixa!

Sinto-me livre, viva, apaixonada... tudo de bom, tudo dxi bom! :) Beijinhos da Holanda e bom dia de Primavera para todos! :)

Hoje, é dia de aterrar, na minha to-do list está: update o blog (que também é preciso, escrever ajuda-me a organizar os pensamentos, e hoje eles são muito positivos), planear para a próxima semana, limpar (depois da noite de ontem, bem que é preciso!), estudar um pouco, ver em que pé andam as minhas obrigações com a universidade, fazer umas compras, cozinhar, e esperar que eles (Marcel e Jan) voltem para casa (ambos tiveram de ir trabalhar hoje)! Ainda estou de férias até 2ª feira, que bom :)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Em Amesterdão há 4 estações.


 Surpreende-me como Amesterdão é uma cidade maravilhosa, independentemente da estação em que estejamos. Aquelas casas estreitas, construídas de tijolo e de uma beleza clássica, encaixam tanto num céu cinzento com árvores despidas pelo Outono, como num céu azul cheio de pássaros de Primavera. Encaixam tanto à beira de um canal congelado, como à beira de um canal que reflecte o céu azul do Verão.

Amesterdão nunca pára de me surpreender e de me encantar, de dia para dia. E a cada dia que passo aqui, mais eu amo toda esta beleza, e cada vez mais encontro pormenores e detalhes que nunca tinha descoberto...

Ultimamente tenho andado numa onda de descobrir novos sítios. Ir só por ir, sem destino, andar só por andar, e descobrir coisas fantásticas ao acaso. Como aquela coffeeshop, ou aquela loja, ou aquele parque, ou aquele museu.

Estou em Amesterdão há 4 estações. Apanhei um mês do Verão passado, superei o Outono e o Inverno rigoroso (vi neve pela primeira vez na vida!), e agora em plena Primavera. Mal posso esperar para que chegue o Verão de novo! :)

sábado, 31 de março de 2012

Schmetterlinge / Borboletas. (e um título sem qualquer razão de ser)



Deitar num tronco de uma árvore
No meio do nada numa aldeia no meio da Alemanha,
Numa floresta densa de dia feito noite
Pode mudar a tua vida
E mostrar-te uma saída
Uma explosão de respostas a perguntas irrespondíveis
Aquelas que procuraste tanto e que te deixaram tantas noites sem sono
É o orvalho, é a guitarra, é a voz dele,
É a chamada telefónica, o rir, o beijo,
A alegria em forma de cigarro sempre na mão.
É o fugir com medo das abelhas,
O pôr-do-sol e as árvores
O mosquito que acabou de pousar no teu vestido florido e primaveril
Ou dois mosquitos a procriar na guitarra ao sol.
É descer uma colina de bicicleta em velocidade máxima,
Sentir o ar nos meus cabelos,
É andar de baloiço ao cair da noite.
São as lembranças do passado,
As perspectivas para o futuro,
É a certeza quase inabalável, reconfortante, quente,
Acolhedora e credível
Do presente.
O amor não conhece idiomas.

terça-feira, 27 de março de 2012

O ponto de situação.



Quando saí de casa, no dia 22 de Agosto de 2011, nunca pensei "acabar" o meu Erasmus, que só de si foi louco e irreal e só uma das melhores coisas, senão a melhor coisa, da minha vida, entre Holanda e Alemanha, a fazer planos para o futuro com ele, pensar que temos exactamente as mesmas expectativas para o futuro, que estamos dispostos a lutar, em igual medida, por um futuro em comum, vermos mestrados em Lisboa ou em Munster, ou noutra cidade qualquer, desde que possamos estar juntos. Nunca pensei "acabar" assim o meu erasmus, nem "começar" assim a minha vida adulta a sério - sim, que eu só tinha planos de vida até ao Erasmus, depois disso era uma página em branco a preencher. 

É Primavera, está um calorzinho agradável, estou a ter um dos melhores anos da minha vida, farto-me de viajar (algo que adoro), tenho amigos incríveis, estou apaixonada (muito!!), os meus dias são feitos de sol, amigos, amor, e sempre algo novo - de experiências a aprendizagens às coisas mais pequenas do dia-a-dia às quais só posso dar valor - todos os dias acordo bem-disposta porque sei que a minha vida vale a pena, e isto é só o iníciozinho. :)

Que mais poderia eu pedir? Não há dinheiro no mundo que pague a experiência que estou a viver. E eu só posso SORRIR! :)


Ich bin glücklich! :)

quinta-feira, 22 de março de 2012

A Primavera chegou.



Está um sol tão bom e agradável, só apetece deitar na relva, e é isso mesmo que vou fazer. Vou perder-me em Amesterdão, encontrar um parque, encontrar um lugar ao sol, e viver. :)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Pequenas coisas que me fazem apreciar a vida.

Multicultural kitchen. Having a "word of the day" nearly everyday in at least 8 different languages is one of those little things and details in life that make it even more joyful! Word of today: Spring ♥


Hoje foi um dia bom. Hoje senti-me joyful. O sol só se pôs quase às 8 da noite. A sensação é de que este dia foi o maior deste ano, até agora. (e é? por acaso não percebo nada dessas coisas e agora também não estou propriamente em condições de ir pesquisar). De qualquer forma, foi o primeiro dia do ano em que tive mais exposta ao sol, e isso foi mesmo um "boost" no meu humor. A ideia de que o dia acabava mais tarde acabou por fazer com que ficasse fora a fazer mil e uma coisas. Oh, queria tanto escrevê-las, mas são tantas. Pequenas coisas que fizeram o meu dia. Bom, só para dizer que faltam apenas 4 dias para voltar a ver "o meu grande amor". Hoje, o Eugene disse-me que sempre que penso nele, sorrio. Oh, este amor, este amor... É viver para o próximo momento em que vou estar com ele. É estar sempre à espera que esse momento se concretize. É sorrir e sorrir para o ar, tanto até um amigo te dizer que é óbvio também para o resto do mundo o quão apaixonada te encontras. É contar os dias, e as horas, e o número de noites que vou dormir sozinha até estar com ele. Este tipo de paixão, assim... Deixa-me tão feliz e com os músculos da cara a doer ao fim do dia.

Sim, hoje foi um dia bom. Bem-vinda, Primavera :)

Uma música linda, linda, que combina com este fim de dia. :)


terça-feira, 20 de março de 2012

Aaaahhh! - update! :)



Esta experiência está a ser única. Nunca eu gostei tanto de estar num sítio como aqui... Não é só a diversão e os amigos e isso tudo que pode ser considerado como trivial (mas que não é assim tanto, afinal a vida é feita das pessoas que nos rodeiam, e ter bons e verdadeiros amigos espalhados pelos 4 cantos do mundo é um privilégio que nem toda a gente pode ter). Mas também a experiência "abroad", o estudar fora, outros métodos de estudo aos quais tive de me adaptar por serem totalmente diferentes, o viver sozinha pela primeira vez, adaptar-me a um país diferente, a cultura diferente, vir para aqui completamente sozinha e ter de começar de raiz a minha vida social e integrar-me e conhecer novas pessoas, todos os pequenos desafios pelos quais passei e tive de enfrentar (e enfrentei!), mas que me trouxeram nada mais que nova aprendizagem, novo conhecimento, e um imenso crescimento pessoal.


Mas este post é para falar, mais especificamente, da pessoa que mais mudou a minha vida. A sério: eu nunca me senti assim por ninguém. Não houve rapaz que tivesse este efeito em mim. Ele é simplesmente perfeito para mim em todos os sentidos e temos uma relação óptima! Temos os mesmos gostos, os mesmos interesses (não tudo tudo, claro, também é importante manter e aceitar algumas diferenças pessoais num casal), e sobretudo, as mesmas perspectivas para o futuro. Sempre me disseram, e eu concordo, é mais do que importante duas pessoas estarem minimamente ao mesmo nível e terem os mesmos objectivos de vida para funcionar. Não funciona, simplesmente, e eu sei disso por experiência própria, tentar fazer resultar uma relação entre pessoas que querem e esperam coisas totalmente diferentes da vida. Mas apesar de concordar, eu nunca tive isso com ninguém, ninguém!! E nunca pensei ter tão cedo - o que não significava que não pudesse ter namorados aqui e ali, não pretendo casar-me aos 21 anos - e para ser sincera nunca pensei muito a sério em construir uma vida com alguém, ou se isso acontecesse, seria bem mais tarde na minha vida. Não estou com isto a dizer que vou ficar com ele para sempre, talvez até seja ainda muito nova e talvez tenhamos muito pouco tempo de relação para pensar nestas coisas, mas a verdade, é que ambos estamos exactamente no mesmo passo. Quando ele me veio visitar a semana passada, estivemos a falar sobre o nosso futuro e ele até me contou que esteve à procura de universidades em Lisboa para fazer o mestrado dele... Sem eu lhe dizer nada sobre a minha ideia de fazer mestrado na Alemanha (sim, que eu por ele, e não só por ele mas também porque em Portugal está mesmo muito mau pelo que já ouvi, e não fico lá a fazer grande coisa, de qualquer forma mais cedo ou mais tarde já fazia parte dos meus planos ir para fora, mas agora ainda tenho uma motivação extra)... Isto é mesmo sintonia!!! De facto, e apesar de ainda não ser nada certo, começámos a falar na hipótese de eu me mudar para a Alemanha ou de ele para Lisboa, como uma hipótese real. Não estou a dizer com isto que VAI acontecer, só digo que o facto de falarmos nisto como uma possibilidade real, diz muito sobre nós, e sobretudo, sobre o que ele sente por mim: um namorado meu a mudar de país por mim? Nunca tive isto... bem pelo contrário. Bom, isto tudo para dizer que já temos uma relação muito mais sólida, em comparação às últimas vezes que escrevi aqui sobre ele. ah, já vos falei naquele dia em que voltei a casa das aulas e tinha um bouquet de rosas vermelhas à minha espera? :)))

A distância é horrível, deprimente e das piores coisinhas. Ontem ele disse-me que se sentia "spiritless" sem mim, que não lhe apetece fazer nada e que se sente deprimido e desmotivado, e eu sinceramente, sinto o mesmo... Aliás, foi a palavra perfeita que ele utilizou para descrever o que eu sinto quando sinto mesmo a falta dele, "spiritless". Desde que ele foi embora, no fim-de-semana, tenho andado um bocado deprimida... Claro que tenho a universidade, alguns amigos (menos do que no semestre passado), os meus hobbies, e continuo a adorar estar aqui, mas a verdade é que sem ele não é o mesmo... Chorei tanto nestes dias, só pela distância! Uma hora sem ele, é uma semana inteira, e demora a passar, demoooooora! Resolvemos apostar numa relação à distância, e acho que conseguimos fazer com que funcione... desde que os dois coloquemos a mesma energia nisso! E eu sinto que ele está a colocar também... Ele gosta mesmo de mim!!! Eheheh, até já aprendi um pouco de alemão... o básico, claro. Mas a ideia de, a longo-prazo, aprofundar melhor essa língua (e ter uma 3ª língua) já me passou pela cabeça.

Bom, isto tudo só mesmo para actualizar o meu blog. No outro dia tive a pensar sobre isto: o 2º semestre não está a ter NADA a ver com o primeiro. Quer dizer, o primeiro foi o da rambóia. Desleixei-me com a universidade, só queria divertir-me, estava em todas as festas. Mas desde que voltei (quando fui a casa por uma semana entre semestres), algo mudou. Tentei ir a algumas festas, mas rapidamente me apercebi do quão superficial era e do quão "shallow" me sentia, e do quão não gostava da sensação. Sorrisos falsos e "hi! how are you? haven't seen you in a long time, i missed you" falsos e de circunstância... De pessoas que nunca realmente se deram ao trabalho de manter uma relação, nunca realmente se deram ao trabalho de enviar uma mensagem ou até mesmo de responder às que eu enviei. Ao mesmo tempo que me apercebi que esse mundo não era mais para mim e que tive a minha "share of pure fun", apercebi-me da urgência de fazer mais créditos para a faculdade, inscrevi-me em cadeiras que nem uma louca, só neste momento estou a seguir 4, e pretendo fazer 8 este semestre. Claro que destas 8, umas 5 são self-study courses, o que é óptimo, significa que não tenho aulas nem trabalhos de grupo e nem sequer um exame final: basicamente, os profs dão-nos a literatura e só temos de escrever um final paper, sobre o qual vai incidir a minha nota final. Mas o facto de poder trabalhar ao meu próprio ritmo, é definitivamente uma mais-valia para mim. Sempre gostei mais de estabelecer prazos para mim mesma, do que outros estabelecerem prazos por mim. 

Conheci algumas pessoas novas, mas como digo, nada a acrescentar à minha felicidade. Tenho apenas um amigo, com quem passo a maior parte do tempo livre, o Eugene, meu vizinho. Mas é daquelas pessoas que vale mesmo a pena passar tempo com. É interessante, conseguimos ficar horas e horas a falar, e sinto que posso falar sobre tudo com ele. Ah, é uma lufada de ar fresco. Prefiro tão mais assim, do que ter uma vasta rede social mas não estabelecer nenhuma conexão profunda. Sim, estou numa fase da minha vida em que dou muito mais valor às relações profundas, mesmo que seja apenas como uma mão cheia de pessoas, do que tentar dar-me com os 600 "amigos" que tenho no facebook, 200 dos quais conheci aqui em Amesterdão. Até mesmo os meus melhores amigos de Lisboa. Esta experiência fez-me aperceber do quão eles são importantes para mim e, surpreendentemente, esta distância aproximou-nos. Se dantes era uma pessoa bem desligada - e era, não ligava nenhuma, não queria saber, não fazia um telefonema para ninguém - estou totalmente diferente e sei, definitivamente, dar valor às pessoas que nunca dei, e deixar de dar importância a quem nunca me deu.

Se me perguntarem, nunca pensei que o meu 2º semestre fosse assim. Aliás, quando decidi prolongar, e apesar de nessa altura já ter algo com ele, ainda não era muito sério e o meu objectivo era repetir o 1º: com as mesmas loucuras e as mesmas atitudes desmedidas, e a mesma diversão. Mas não faz o mesmo sentido. Quando tento fazê-lo, é já mais do mesmo. É a sensação de "Been there, done that", estou noutra. Estou na dele. O meu erasmus é feito entre Amesterdão com ou sem ele. Quando é com, nada mais importa. Quando é sem, é horrível, mas bom, sempre me vou entretendo, e ocupando a cabeça, e dedicar-me à escola, e explorar melhor a cidade de Amesterdão, e mostrar sítios de Amesterdão ao Eugene, que é relativamente "novo". É sempre giro descobrir locais novos...

Realmente, nada está a ser como esperava. E quem me vê de fora, talvez diga "fogo miúda, estás em Amesterdão a fazer erasmus, devias era estar a divertir-te em vez de investires tanto tempo numa relação a longa-distância e perderes 2 horas da tua noite no skype". Eu própria já pensei nisto: e se um dia eu me arrepender? E se não funcionar? E se um dia eu olhar para trás e pensar "fogo, metade do meu erasmus em Amesterdão foi deitado fora porque estava apaixonada de uma forma cega". Mas depois, penso que esta é uma cena que vale mesmo a pena viver, e eu estou feliz assim. É mesmo daquelas coisas que não podia deixar escorregar entre os dedos. É a paixão mais intensa que eu já vivi. Um dia, pode acabar. Nunca ponho nenhuma hipótese de lado. (apesar de eu não querer que acabe nunca). Mas, e mesmo se acabar, valeu tanto a pena, mas tanto a pena. Não é possível, nunca, vir a arrepender-me de me ter dado a oportunidade de viver o que estou a viver agora. É um sentimento pelo qual muitas pessoas procuram uma vida inteira e nunca encontram... é o tipo de sentimento que eu duvido que vá nutrir por mais alguém, ever.

Nem eu consigo dizer o quão isto vale a pena, e o quão estou a viver a minha experiência. À minha maneira. Oh, se estou a viver... Na verdade, sinto-me tão viva!

Pronto, esta era a "pequena" actualização que queria fazer... nada de especial se passa, mas ao mesmo tempo passa-se tudo... :))

Pequenas novidades e coisinhas: o Jan tem vindo visitar-me quase todos os fins-de-semana; afinal, ele mora em Enschede e tem descontos massivos nas viagens de comboio; é sempre tão bom estar com ele :)) . O Marcel esteve cá durante 17 dias. 17 dias, 24/7, e foi o paraíso para mim; 17 dias passaram assim, sem os ver, sem os sentir a passar; 2 dias desde que ele foi embora, já me pareceu que passaram 2 semanas. Um dos fins-de-semana que ele esteve cá, fomos a Bélgica visitar a Roos. Ficámos em Leuven, mas no Sábado fomos passar o dia a Gent e reencontrámos velhos amigos do semestre passado, como a Morgan e a Laila. Vou ter, em breve (acho) peixes de estimação. Gold-fish! O meu vizinho Eugene não os quer mais e vai dar-mos; que giro, nunca liguei muito a peixes, mas acho que até é capaz de ser giro. Só me falta comprar um aquário decente para eles. (por agora, têm vivido no lavatório do Eugene, ahahah).

Isto e outras coisinhas que têm feito os meus dias, queria escrever sobre elas e colocar novidades e até fotografias, mas fui-me desleixando com o blog. Às vezes é mais importante viver, do que escrever o que se vive. :) Mas como eu tenho esta paixão pela escrita, gosto de escrever estas coisas aqui. Para reler, um dia, mais tarde. Tenho a certeza que vou gostar. E que me vou rir imenso.

E hoje, vou perder-me em Amesterdão. Vou a uma coffeeshop, vou passear, vou a um parque, vou deitar-me ao sol e vou ler. :) E vou contar os dias que faltam para poder estar com ele de novo: 5!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Do início all over again.

Este semestre, não estou a sentir a mesma pedalada que senti no primeiro. Perdi a paciência para conversas de circunstância, de onde és, de onde vens, o que é que fazes, ah que giro, oh so nice. Dou por mim a ouvir alguém a falar e a acenar e a dizer "yes, yes", "yeah, yeah", mas na realidade não estou a ouvir nada de jeito, nada mais para além da superfície, nada que me interesse, uma conversa da qual nunca mais me irei lembrar. No primeiro semestre toda eu era isso: queria conhecer o máximo de pessoas possível (e conheci!), ir ao máximo de festas possível, mas nunca me conectar emocionalmente com ninguém. Sentia-me livre e... cheia de vida! O resultado foi o conhecer pessoas com as quais hoje nem falo, criar, com outras, conexões para a vida (e o que me custa agora não tê-los aqui), e o sacrifício de muitas aulas, muitos estudos, muitos exames... e créditos a menos (que não fiz porque andava a divertir-me).

Este semestre estou a sentir algo contrário: prefiro, agora, manter as conexões que tenho do que criar novas... É que é um processo que leva tempo, paciência, e esta última não me tem assistido... Desde que cheguei já houve milhentas festas Erasmus e eu só fui a duas. E nas duas, fiquei lá uma hora, duas no máximo, até me fartar. Tenho ido a todas as aulas e feito todos os trabalhos com uma antecedência brutal, e ainda me registo em mais cursos do que o normal, para compensar o primeiro semestre. Acho que uma parte de mim diz-me que só vou estar aqui por mais 4 meses e não me interessa muito conhecer muita gente. Muito menos criar ainda mais conexões emocionais. A separação das pessoas com as quais criámos ligações e laços tão fortes, sabendo que vivemos em países diferentes, é das coisas mais difíceis, e não quero passar por isso outra vez no fim do ano. Já me chega ter de passá-lo com ele... enquanto estiver aqui, a distância é 3 horas de comboio, mas quando tiver de voltar para Portugal, a distância vai ser 3 horas de avião, nunca menos de 100 euros, e outros obstáculos que tal. Por isso, de certa forma, não me quero envolver muito desta vez. Já me envolvi mais do que o suficiente!... Acho que já vos falei do quanto me apaixonei por um menino especial e que, sem ele aqui, nada faz o mesmo sentido e sinto até um "vazio", como se algo faltasse. Claro, ele.

Ainda só conheci uma pessoa de jeito, um vizinho novo. É diferente com ele, ele é mais "da minha onda". Temos os mesmos interesses, gostamos de fazer as mesmas coisas, e ele é uma pessoa altamente inteligente e artística (estuda arte). Pois que consigo ouvi-lo a falar sobre as cenas dele por horas ou simplesmente ir a um mercado de rua porque ele tem de comprar coisas estranhas (mas artísticas, que tudo o que é artístico tem o seu quê de estranho) para construir um projecto; depois explica-me o que vai fazer com aquelas coisas, e eu rio-me... é tão estranho, mas ao mesmo tempo tão bom, ter alguém assim tão diferente do resto das pessoas. Estou fartíssima de pessoas normais. Preciso, à minha volta, de pessoas estranhas, estranhas naquele sentido bom, que estimulem em mim o meu próprio lado "estranho". Além de que sinto que posso falar sobre coisas a sério. Falamos imenso de filosofia, do sentido da vida, do significado da morte, de deus...enfim, conversas de jeito, para além daquelas superficiais. Prefiro assim, uma pessoa com quem possa passar horas a conversar e que me "compreende", a mim e a todas as experiências pelas quais passei no semestre passado, do que conhecer pessoas daquelas que sei que serão apenas para ir para a festa. Estou numa fase muito mais introspectiva e de tentar conhecer-me a mim mesma e ao mundo que me rodeia, do que ir todos os fins-de-semana para uma discoteca. Acho que ele é o meu primeiro e provavelmente único amigo a sério que fiz aqui, desde que cheguei e por um longo período de tempo. Mas bom, se houve algo que aprendi, é mesmo que a qualidade deve sobrepôr-se à quantidade, e isto aplica-se também e especialmente, diria até, às pessoas e às companhias.

Desde que experimentei as coisas que experimentei no semestre passado, nada é mais o mesmo. Sei que é horrível dizer isto, mas de certa forma sinto-me superior quando estou no meio de multidões. Sempre que vou a uma festa, sinto-me deslocada. Não que não seja sociável ou que não consiga manter uma conversa de circunstância por mais de 15 minutos, que consigo. Mas que sinto que estas pessoas não me compreendem, nem a mim nem aquilo que passei... Sinto que tenho uma espécie de conhecimento, que as outras pessoas não têm. Que algumas vezes atingi uma realidade diferente, paralela até, àquela em que vivemos; que vi coisas que normalmente não vemos, mas que estão lá all along.

Sei que isto "sounds like" (não me lembro da expressão em Pt) como algo mau, mas na realidade, é algo bom. Estes meses fizeram-me crescer de forma tal, que diria até, que me sinto num local diferente. "I'm in a different place". Acho que, agora sim, estou a fazer a minha real reflexão do que aconteceu no último meio-ano. Estou finalmente a cair em mim, a pensar de uma forma menos emocional e mais racional, a chegar a conclusões que ainda não tinha chegado. Não me importam mais as festas com músicas da Rihanna e do Pitbull ou daquele palhaço que canta "I'm sexy and I know it". Não consigo mais dançar ao som disso. Não me importa mais conhecer pessoas novas. Não me importa mais ser popular e "cool". Não me importa mais o que as pessoas pensam ou dizem. Dantes já não me importava, e agora ainda menos. Quando vejo alguém e esse alguém me diz "Cláudia!! Such a long time I haven't seen you! Where have you been??!!". 

A minha resposta mental é: por aí. Estive por aí. All over the place. Inside my own mind. 

Mas fiquei contente que tantas pessoas deram por falta da minha ausência.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Das saudades.

Dava tudo para que as 4 pessoas mais importantes da minha vida vivessem na mesma cidade que eu.

Mas, em vez disso, chorei. Chorei em Lisboa pelo Marcel e a Roos não estarem lá. Foram tantos os momentos em que pensei que queria partilhar "isto" com eles... Chorei quando cheguei ao meu quarto vazio em Amesterdão. Nada faz o mesmo sentido sem eles. O cansaço, a gripe, a desmotivação para a faculdade...

A verdade, é que ainda não me "desagarrei" do meu último semestre. Por mais que meta na cabeça que não posso comparar os dois, e que este também há-de ser fantástico, ainda estou "presa" demais às ligações que criei no semestre passado, em vez de criar novas. Ontem houve uma festa no meu piso. Conheci algumas pessoas novas. Espantei-me com a minha falta de paciência para aquela conversa de circunstância inicial...

Bom, decidi que este semestre vou dedicar-me mais (muito mais) à faculdade. Fui um bocado desleixada no semestre passado... demasiadas distracções.

E como há uma pequena grande distracção (ele!) a vir já no início de Março visitar-me, acho bom mas é começar a estudar alguma coisa de jeito... :)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Das pessoas que acham que serão mais felizes por terem um i-phone

Um amigo contou-me, aqui há dias, que um dos rapazes com quem ele anda a flirtar ultimamente (sim, ele é gay), que trabalha para a Apple, está sempre a tentar convencê-lo a comprar um i-phone, porque a vida dele será melhor, que calendário online, internet, online scrubble gaming e todas essas tretas.

Fiquei perplexa quando ouvi isto.

É que, realmente, um i-phone custa 900 euros.

A minha resposta foi: "do you know what you can do with 900 euros? You can travel to Amsterdam every weekend, travel with your friends, visit Roos in Belgium, visit me in Lisbon, live new experiences, create new realities and meaningful relations in your life, well, in sum, HAVE FUN AND LIVE LIFE. what's an iphone with all the applications in the world next to it? you can play scrubbles online with people you don't know from nowhere, but you're not happy at all".

Ainda me custa acreditar que há pessoas com este tipo de mentalidade no mundo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Turning Point.

"Today was a turning point on my life. I realized I had my share of pure fun, but now I want to settle down because I found the love of my life. No one was ever so right for me like he is. No one ever made me feel like I could perfectly be with him forever. I would never let myself go this crazy: I was always too selfish for that! Never put anyone else in front of me or my interests, and I always came first. But with him, is different. And no boy has ever done this. I feel like I could do anything to be with him. I would travel the world, if I could, to be with him. Because home is where he is! If I look back on my past, I realize I never thought seriously about a future with anyone. That’s why I didn’t care if people told me all the time “he’s not right for you, you’ll have no future”; I believed it, because I, myself, could never see a future. I couldn’t see a future with anyone, it was only me, because I didn’t believe anyone would fit so well with me. But now I realize, I’m no longer the independent one, or at least that proclaimed herself to be like that. And this doesn’t really mean it’s something bad or that I’m just powerless face the situation and all the love I feel. Actually, I find happiness in this kind of total surrender. I find pleasure in seeing myself, finally, in a future with the only person that I could see myself building a future with. I am actually happy that I found this new way of loving. A non-selfish, total-surrendered kind of love. Overwhelming, it consumes me, it kills me, but I still love it.

Yes, today was a turning point in my life. I realized I’m no longer a girl, but yes a woman. I had my share of fun as I always wanted to have, did my own thing, in my own way, at my own time, but now, I can only see myself with one and only person. My soul mate. And if I feel so happy and fulfilled this way, why would I want to change it?"




This time, I'm not leaving without you.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Banda sonora da primeira parte do meu Erasmus.

M83 – primeiro CD do álbum “Hurry Up, We’re Dreaming”




1 – Intro: estado de espírito… grandioso! Em que eu me encontrei a maior parte do tempo.

2 – Midnight City: a festa, o ecstase, o dançar desenfreado, a felicidade arrebatadora

3 – Reunion: a música que adorava ouvir no “free tram 5”

4 – Where the boats go: sentir tudo ao mesmo tempo e com uma intensidade indescritível

5 – Wait: grandiosidade…

6 – Raconte-Moi-Une-Histoire: wonderland…

7 – Train to Pluton

8 – Claudia Lewis: simplesmente, eu… extravagante!

9 – This bright flash: grandiosidade!!! Emoções e experiências avassaladoras que constituíram estes meses…

10 – When will you come home?: when will you? Home is where he is…

11 – Soon, my friend: não épreciso dizer mais nada, pois não?

Soon, soon… we’ll all meet again.