terça-feira, 5 de junho de 2012

Fuck the pain away



É a espera. A espera é o que mais me irrita e impacienta. Eu já de mim não sou uma pessoa muito paciente para esperar.

Ontem, chorámos, ambos, na coffeeshop antes de ir para a estação de comboios. Não sei o que aconteceu, talvez tenha sido destino ou feitiço, mas este amor é o mais forte que já senti desde sempre; nunca eu tinha chorado - e nunca um namorado meu tinha chorado à minha frente - por ficarmos separados durante (apenas, objectivamente falando, não é assim tanto) duas semanas.

O tempo com ele é, simplesmente, mais leve, mais bonito, mais prazeroso. O mundo é o melhor local na terra, desde que esteja com ele. Quer vamos sair num dia de sol ou fiquemos em casa em dias de chuva, e não importa realmente o que façamos, desde que estejamos juntos, a companhia dele é tudo para mim. Não consigo ver este quarto sem ele. Não consigo ver a minha vida sem ele. De facto, toda a minha vida está impregnada dele. O meu passado - 3/4 do meu Erasmus que foram all about Marcel - o meu presente e, claro, o meu futuro. O nosso futuro.

Nunca pensei "sair" do Erasmus com um namorado, mais que um namorado, um amor para a vida. Nunca pensei que o meu 2º semestre, a 2ª parte do meu Erasmus, fosse tão intensa assim; a primeira parte foi o que foi, a segunda parte está a ser uma transformação enorme na minha vida e na minha pessoa; não só por todas as transformações que sofri este ano e por agora, finalmente, estar a realizar a ideia de que está quase a chegar ao fim (pouco mais de um mês para voltar) - e, claro, que me faz pensar e sobre-pensar sobre como vai ser quando voltar, a ruminação de toda a aprendizagem acumulada este ano e da bagagem enorme que vou levar de volta e como vou aplicar este conhecimento à minha vida futura. Mas sobre isso, falarei mais tarde.

Por agora, só posso dizer, que sou a pessoa que mais saudade sente neste mundo. É uma saudade tão abaladora, é um sentir falta de algo que me completa. Mas, se me perguntarem, também digo que sou a pessoa mais feliz. E não preciso de muito para tal. Podia ficar horas e horas com ele, fechada num espaço sem fazer absolutamente mais nada, e continuava a ser a pessoa mais feliz. Eu, que detesto não ter nada que fazer e invento sempre qualquer coisa; com ele isto nunca acontece: tudo o resto perde a sua (relativa) importância porque eu quero sempre e sempre apreciar e aproveitar a presença dele. Sim, ontem, chorámos os dois numa coffeeshop, com um charro na mão, lenços espalhados pela mesa, inúmeras juras de amor trocadas. Se isto não é amor, não sei o que lhe chamar. Apetece-me abanar o mundo e perguntar porque és tão injusto em me fazer encontrar alguém tão perfeito para mim, mas que tem uma vida construída num país diferente do meu. E, ainda que a ideia de mudar de país seja tentadora para ambos só para ficarmos juntos e podermos construir uma vida juntos, a mudança é sempre enorme e não acontece do dia para a noite. É todo um processo...

Ontem, quando voltei a casa, o cheiro dele ainda estava bem presente no meu quarto. E este perfume - só o perfume! - fez-me sentir tudo ao mesmo tempo, tudo o que alguma vez senti e sinto em relação a ele: o início e como tudo começou, os pequenos momentos e eternidades que ficaram e ficarão para sempre, as experiências que tivemos juntos; foi triste, mas ao mesmo tempo, uma motivação extra para lutar por aquilo em que acredito: um futuro em comum. (acho que associei o perfume dele a estas coisas, sempre foi o mesmo, e lembro-me de pensar, ao início, quando ainda nada era certo e só estávamos on-off, hmm este perfume é mesmo bom, e é dele, e só dele. É o cheiro dele).

Sei que vou sobreviver. Apesar da dor emocional de estar longe ser fisicamente realizada: juro, eu sinto mesmo um aperto no coração, fisicamente. Sei que vou sobreviver estes 17 dias, como sobrevivi antes, em todas as outras vezes em que contámos os dias para nos vermos na próxima vez. Mas hoje, sei que este aperto no coração não vai passar. Sei que não vai parar. Sei que magoa. Sei que me sinto triste e angustiada e de alguma forma vazia, ainda que tenha os melhores amigos do mundo e uma vida fantástica que me impedem de ir abaixo, que me fazem querer continuar a aproveitar esta experiência. Mas também sei que este sentimento é bittersweet; sei que de alguma forma estou feliz por ter encontrado alguém que me faça sentir assim; e que, sobretudo, me faz sentir 1000 vezes mais feliz em intensidade, quantidade e qualidade, quando estamos juntos. Sei que à medida que os dias passam, este aperto vai-se transformando aos poucos no friozinho na barriga e antecipação boas de sentir nos dias que antecedem o dia em que vou vê-lo de novo. E é isto - e são todas estas coisas, que preenchem a minha vida - que, de alguma forma, me conforta.

Sim, a espera é o pior. A espera, a distância, o tempo que duas semanas demoram a passar quando estou longe dele (sim, parece-me ser muito mais do que duas semanas). Mas eu digo: fuck the pain away. Let's make it work. E digo, no final de contas, é a espera que faz o momento.

2 comentários:

Menina disse...

Já tinha saudades de te ler! Eu não posso dizer que percebo o que sentes, porque nunca senti algo assim e dessa forma, por ninguém. Mas dá bem para ver que é uma coisa mesmo muito forte!

vai dando notícias por aqui :)*

→ Calipso disse...

Qe lindo :')